Indiana Jones e a Relíquia do Destino

Crítica – Indiana Jones e a Relíquia do Destino

Sinopse (imdb): O famoso arqueólogo e professor Jones regressa com novos desafios, perigos e aventuras, mas desta vez ele tem o sangue de uma nova geração para o ajudar nas suas descobertas e na sua luta contra um novo vilão.

O que mais tem na Hollywood contemporânea são continuações, remakes e reboots. É mais fácil vender uma ideia reciclada do que algo novo. É por isso que, 15 anos depois, temos mais um Indiana Jones – lembrando que a franquia já teve um “filho temporão” com o quarto filme, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, lançado 19 anos depois do terceiro filme.

Não sei por que, mas Steven Spielberg não dirigiu este filme, o que é uma pena. A direção ficou com James Mangold, que tem um currículo bem irregular – ele dirigiu o fraco Wolverine Imortal, e quatro anos depois, o ótimo Logan. Não sei se a culpa foi a troca de diretor, mas, em alguns momentos, Indiana Jones e a Relíquia do Destino (Indiana Jones and the Dial of Destiny, no original) infelizmente acabou ficando com cara de genérico (apesar de manter várias coisas icônicas, como o Harrison Ford e a trilha do John Williams).

Já tem anos que não revejo o quarto filme, na época lembro que curti, mas acho que minha avaliação vai diminuir quando o filme for revisitado. Por isso não vou comparar. Mas, mantenho o que já disse antes: os melhores são o primeiro e o terceiro. Este quinto pode brigar no ranking com o quarto e com o segundo, que é incensado pela maioria, mas é de longe o pior da trilogia original.

Vamos ao filme? Logo que começa, tenho um mimimi que talvez seja head canon. Mas, caramba, nos outros quatro filmes do Indy vemos a vinheta da Paramount virar alguma coisa na tela. E aqui nada acontece.

Pelo menos logo depois temos uma excelente (e longa) sequência de ação com o Harrison Ford rejuvenescido digitalmente. Talvez a gente reveja essa cena daqui a alguns anos e ache o cgi mal feito, mas, por agora, podemos afirmar que é um dos melhores já apresentados no cinema. E, independente do cgi, a sequência é muito boa e traz tudo o que um fã de Indiana Jones gostaria de ver.

Agora, o roteiro tem um monte de inconsistências. Ok, entendo que os outros filmes também têm falhas de roteiro aqui e ali, mas não é por isso que vou ignorar o que acontece aqui. Teve uma coisa que me incomodou bastante, que é quando os mocinhos dão uma dica de lugar para o vilão, mas conseguem fugir, e só depois que se afastam mudam de rumo – e o vilão consegue adivinhar o destino só por causa daquela leve mudança de rumo. Ou quando tem umas vinte pessoas atirando no Indy e ele se abaixa para desviar dos tiros, mas logo depois ele se levanta e ninguém mais quer atirar nele. Isso porque não estou falando de furos graves como a ponte dentro da caverna, que arrebentou mas depois aparece intacta.

Sobre o elenco: Harrison Ford é o Indiana Jones. Mesmo velho, ele é a cara do personagem, e continua ótimo no papel. E um dos pontos positivos de Indiana Jones e a Relíquia do Destino é o excelente vilão interpretado por Mads Mikkelsen. Por outro lado, a afilhada do arqueólogo, interpretada por Phoebe Waller-Bridge, é uma personagem arrogante, egoísta e antipática. Acho que muita gente vai reclamar da personagem.

Ainda no elenco. Antonio Banderas tem um papel menor, que fiquei me perguntando pra que chamar um ator deste porte para algo tão pequeno. John Rhys-Davies reaparece rapidamente como Sallah, admito que queria ver mais cenas com ele. Tem outro nome, é o segundo nome na lista do imdb, mas não sei se é spoiler, então não vou falar, mas posso dizer que no fim aparece uma participação especial que vai tocar o coração do fã. Também no elenco, Boyd Holbrook e Toby Jones.

(Cabe uma crítica ao cgi de rejuvenescimento? Harrison Ford é vinte e três anos mais velho que Mads Mikelsen. Quando o filme está em 1969, Ford realmente parece bem mais velho que Mikkelsen. Mas, no trecho inicial, que se passa durante a guerra, os dois aparentam a mesma idade. Ficou mal feito.)

Preciso falar da trilha sonora, mais uma vez nas mãos de John Williams. Por um lado, a trilha é muito boa porque é pontuada com os temas clássicos ao longo de todo o filme, e isso é arrepiante. Mas, por outro lado, não existe nada de novo aqui. A trilha parece uma colagem dos temas que a gente já conhece há quarenta anos.

Indiana Jones e a Relíquia do Destino é um pouco longo demais, duas horas e trinta e quatro minutos, chega a cansar (os anteriores estão entre 1h55 e 2h07). Não precisava ser tão longo.

O final do filme é emocionante, vai ter muito nerd velho chorando na parte final. E aparentemente, agora acabou de verdade. Acho difícil Harrison Ford (que fez 80 anos ano passado) voltar ao papel. Existem boatos sobre uma série com a personagem da Phoebe Waller-Bridge, mas acho que isso só será definido pela bilheteria. Aguardemos.

Gato de Botas 2: O Último Pedido

Crítica – Gato de Botas 2: O Último Pedido

Sinopse (imdb): O Gato de Botas descobre que sua paixão pela aventura cobrou seu preço: ele esgotou oito de suas nove vidas. O Gato de Botas embarca em uma jornada épica para encontrar o mítico Último Desejo e recuperar suas nove vidas.

Lembro de quando a Dreamworks começou. A Disney reinava sozinha nos longas de animação, então surgiram a Pixar e a Dreamworks, e por um tempo eram as três no topo, com algumas poucas exceções. Mas com o passar do tempo, a Dreamworks investiu em várias continuações e spin offs, e, pelo menos pra mim, perdeu parte da graça (tirando Toy Story, a Pixar demorou bastante pra entrar no mundo das continuações).

E finalmente, 11 anos depois do primeiro filme, chegamos a Gato de Botas 2, que é uma continuação de um spin off de Shrek. Mas… Não é que o filme é bom?

Podemos citar dois méritos de Gato de Botas 2: O Último Pedido. O primeiro é meio previsível: uma boa história, com bons personagens. Nem me lembro se vi o primeiro filme do Gato de Botas, só me lembrava do personagem pelos grandes olhos na cara de pidão. Mas pelo menos neste novo filme, é um personagem muito bom: ele é um guerreiro, um espadachim, canta, toca violão, e depois de tudo isso vai beber leite como um gatinho normal.

E não é só ele, mas temos vários bons coadjuvantes. O time formado pela Cachinhos Dourados e os três ursos é genial, e o Perrito é um coadjuvante sensacional. E, de quebra, ainda tem vários easter eggs de contos de fada – coisa que sempre aconteceu na franquia Shrek.

O outro ponto a ser citado é a qualidade da animação. Hoje, em 2023, quando a gente vê um grande lançamento vindo de um grande estúdio, a qualidade da imagem é meio que obrigação. Ver imagens perfeitas não é mais do que obrigação. Não gostei de Os Caras Malvados, mas não gostei por causa da história e dos personagens, não tenho queixas à qualidade da animação.

Mas… Gato de Botas 2 vai um pouco além. Se chegamos a um ponto onde não tem como a animação ser mais perfeita, como fazer para se diferenciar? As cenas de ação aqui trazem um traço diferente, uma textura diferente. Procurei pela Internet elementos técnicos pra trazer aqui, mas não achei nada que explique muito o que foi feito. O que descobri é que depois do sucesso do Homem Aranha no Aranhaverso – que trazia texturas diferentes – outras animações estão pegando este caminho. E aqui a gente vê, nas cenas de ação, que o filme muda o estilo e essas cenas ficam muito mais agradáveis de se ver do que as mesmas cenas de sempre, repetindo o mesmo estilo de sempre.

Longa de animação muitas vezes é exibido dublado em português. Por sorte vi o original em inglês. O lobo é dublado pelo Wagner Moura! Gostei de vê-lo (ouvi-lo?) com uma voz diferente do que estamos acostumados! Outro detalhe que não sei se conseguiram traduzir: os capangas do vilão são os “baker dozen”, que poderia ser traduzido como “uma dúzia de padeiros”, mas na verdade é uma expressão em inglês que significa treze (catei no Google, parece que quando você comprava uma dúzia de pãezinhos e ganhava um extra de cortesia).

Já que falei do Wagner Moura, vamos ao resto do elenco. O gato é dublado pelo Antonio Banderas, e o filme ainda conta com Salma Hayek, Florence Pugh, Olivia Colman, Ray Winstone, Samson Kayo e Harvey Guillén.

Gato de Botas 2 funcionou tão bem que está concorrendo ao Oscar de melhor longa de animação. Claro que acho que não tem chances, porque o Pinóquio do Del Toro é uma coisa de outro mundo. Mas, ser considerado pela Academia um dos cinco melhores desenhos do ano já é uma coisa boa para um filme que a principio seria apenas uma continuação de um spin off.

Uncharted – Fora do Mapa

Uncharted – Fora do Mapa

Sinopse (imdb): O astuto Nathan Drake é recrutado pelo experiente caçador de tesouros Victor “Sully” Sullivan para recuperar uma fortuna acumulada por Fernão de Magalhães e perdida há 500 anos pela Casa de Moncada.

Nunca joguei, mas já ouço falar deste jogo há tempos. Lembro que, por indicação de um amigo, cheguei a procurar no youtube uns links onde colocam o jogo do início ao fim e é quase um longa metragem de animação – mas nunca vi os “filmes”. Ou seja, sei do que se trata, mas não sou nem um pouco familiarizado com o universo. Assim, fui ao cinema para ver um filme de aventura, mas tendo como referência Lara Croft e Indiana Jones em vez do videogame.

Dirigido por Ruben Fleischer (que fez o ruim Venom), Uncharted – Fora do Mapa (Uncharted, no original) é um bom filme. Temos personagens carismáticos e bons efeitos especiais em cenas de ação muito boas – esta cena que está no pôster é eletrizante! Agora, algumas coisas no roteiro me incomodaram bastante. Mas, relevando essas inconsistências do roteiro, Uncharted – Fora do Mapa é uma boa diversão.

Sei que tem um mimimi na internet porque o Nathan Drake deveria ser mais velho, mas isso não me incomodou. A galera que desligar o head canon não vai se importar com isso.

Sobre o elenco, Tom Holland e Mark Wahlberg fazem o de sempre. Pouca versatilidade (Holland parece que vai pegar o uniforme de Homem Aranha a qualquer momento), mas ambos têm carisma o suficiente para o que o filme pede. Antonio Banderas aparece menos, e também está ok. Já não digo o mesmo sobre as duas principais personagens femininas. Sophia Ali, que seria a “mocinha”, tem uma personagem apática. Mas quem está pior é Tati Gabrielle, que faz a antagonista Braddock, caricata demais. Ah, tem um cameo para quem jogava. Quando eles chegam na praia e encontram um cara que diz que já fez aquilo, é o ator que dubla o videogame.

A história fecha, mas tem uma cena pós créditos com gancho para uma nova aventura. A bilheteria dirá se veremos este novo filme ou não.

Dupla Explosiva 2: E a Primeira-Dama do Crime

Crítica – Dupla Explosiva 2: E a Primeira-Dama do Crime

Sinopse (imdb): A dupla formada pelo guarda-costas Michael Bryce e o assassino Darius Kincaid está de volta em outra missão com risco de vida. Ainda sem licença e sob escrutínio, Bryce é forçado a entrar em ação pela esposa ainda mais volátil de Darius, a infame vigarista internacional Sonia Kincaid. Enquanto Bryce é levado ao limite por seus dois protegidos mais perigosos, o trio se mete em uma trama global e logo descobre que eles são os únicos que podem salvar a Europa de um louco vingativo e poderoso.

Em 2017, tivemos Dupla Explosiva um divertido filme de ação / comédia, com Ryan Reynolds e Samuel L. Jackson, uma bobagem exagerada e divertida. Como se faz uma continuação de um filme desses? É fácil, é só exagerar ainda mais.

A trama não faz sentido e é cheia de absurdos. Mas quem não se ligar em detalhes como “lógica”, vai se divertir. O grande trunfo aqui é o elenco. Não é qualquer filme que tem Ryan Reynolds, Samuel L. Jackson, Salma Hayek, Antonio Banderas e Morgan Freeman. Eles estão atuando bem? Não importa, o importante aqui é que parece que eles estão se divertindo muito, e isso passa para a tela. Aliás é curioso analisar a carreira do Ryan Reynolds e ver que ele fazia comédias românticas. Hoje é impossível vê-lo fora do clima Deadpool.

O cgi aqui às vezes é meio capenga, mas pelo menos as sequências de ação são boas, e bem violentas. É, claro, algumas piadas são hilariantes.

Ok, admito que o roteiro poderia ser melhor. Um exemplo claro: o personagem do Frank Grillo aparece e some quando sem explicações. Focaram demais nas piadinhas e aparentemente esqueceram de revisar o roteiro…

Por fim preciso falar mal do título em português. O primeiro filme era The Hitman’s Bodyguard, ou seja, “O Guarda Costas do Assassino de Aluguel” – mas resolveram chamar de “Dupla Explosiva”. Agora, com Hitman’s Wife’s Bodyguard, tiveram que chamar de Dupla Explosiva 2, o que não faz sentido…

Dupla Explosiva 2: E a Primeira-Dama do Crime é bom? Não. Mas me diverti vendo. Se fizerem um terceiro filme, verei!

Os 33

os 33Crítica – Os 33

Os 33 conta a história baseada no acidente real na mina San Jose, em 2010, no Chile, que prendeu 33 mineiros a 700 metros abaixo da terra.

Dirigido pela mexicana Patricia Riggen, Os 33 (The 33, no original) conta a história dos mineiros presos na mina chilena, 5 anos atrás. Se por um lado é bem interessante vermos um caso que realmente aconteceu, por outro isso enfraquece o filme, afinal já sabemos a conclusão da história.

A estrutura lembra os filmes catástrofe: um grande acidente acontece e acompanhamos os sobreviventes e seus percalços. E aqui talvez fosse melhor Os 33 ser um filme apenas inspirado em fatos reais, sem precisar se prender no que realmente aconteceu. Vou comentar no próximo parágrafo, mas antes, aviso de spoilers para quem não se lembra da história.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Um bom filme catástrofe tem que ter gente morrendo ao longo da trama. Mas aqui a gente sabe que todos os 33 mineiros sobreviveram, então metade da graça foi embora…

FIM DOS SPOILERS!

No elenco, uma boa notícia para o público brasileiro: Rodrigo Santoro tem um dos principais papéis. Ok, o protagonista é o Antonio Banderas, mas Santoro tem um papel quase tão importante. Ambos estão muito bem, por outro lado, quem não está bem é Juliette Binoche, que não convence como chilena. Ainda no elenco, Lou Diamond Philips, Bob Gunton e Gabriel Byrne.

Os 33 é um pouco longo demais, talvez fosse melhor enxugar um pouco das duas horas de duração – algumas cenas são desnecessárias, como aquele momento dramático com a mulher cantando à noite. Mesmo assim, ainda é um bom filme.

Entrevista Com o Vampiro

Entrevista com o vampiroCrítica – Entrevista Com o Vampiro

Um vampiro conta a um jornalista sua épica história de vida: amor, traição, solidão e fome.

Lançada em 1994, a adaptação do famoso livro de Anne Rice esteve ligada a polêmicas antes do lançamento (pela escolha do ator), mas foi um grande sucesso quando estreou. Bom diretor, bom elenco, boa história, sem dúvida trata-se de um dos melhores filmes de vampiro da história.

O diretor Neil Jordan já transitou em diversos estilos (Traídos Pelo Desejo, Michael Collins, Fim de Caso), e, quando fez algo ligado a terror, foram filmes com um pé no filme “cabeça” (A Companhia dos Lobos e Byzantium). Acho que podemos dizer que Entrevista Com o Vampiro (Interview With the Vampire, no original) é o seu terror mais convencional.

A narrativa flui bem, com o roteiro escrito pela própria Anne Rice. Lestat é um personagem importante, mas, no filme, o principal é Louis, que vira o narrador ao contar sua história para o jornalista. Tanto Louis quanto Lestat são ótimos anti-heróis.

Sobre o elenco, até hoje lembro deste filme quando alguém critica a escolha de um ator antes do filme estar pronto. Na época, todos reclamaram da escolha de Tom Cruise para interpretar o vampiro Lestat, desde Anne Rice, a autora dos livros, até este que vos escreve. E digo: estávamos errados! Cruise fez um excelente trabalho, é uma das melhores interpretações de sua carreira!

Outro comentário sobre o elenco: Brad Pitt era um nome em ascensão, depois de Mundo Proibido, KaliforniaAmor À Queima Roupa (e logo depois ele faria Lendas da Paixão, Seven12 Macacos). E o filme consegue um perfeito equilíbrio entre as duas grandes estrelas, o ego de um não conseguiu abafar o ego do outro.

Ainda o elenco: com apenas 12 anos, Kirsten Dunst arrebenta! Antonio Banderas e Christian Slater também estão bem. Já Stephen Rea parece que ganhou o papel porque é amigo do diretor…

Em 2002, o vampiro Lestat voltou em outra adptação de Anne Rice, A Rainha dos Condenados, interpretado por outro ator. Mas o filme é bem fraco, nem vale a pena.

Revisto hoje, Entrevista Com o Vampiro não envelheceu. Continua digno de listas de melhores filmes de vampiro.

Bob Esponja – Um Herói Fora D’Água

BobEsponjaCrítica – Bob Esponja – Um Herói Fora D’Água

Que tal um longa metragem com o Bob Esponja e sua turma?

Quando um diabólico pirata rouba a secreta receita de hambúrguer de siri, Bob Esponja e seus amigos devem viajar até a superfície para recuperá-la.

Antes de tudo, preciso avisar: nunca vi o desenho original, que passa (ou passava) no canal Nickelodeon. Vi o longa lançado em 2004, mas nem me lembro direito. Fui ver Bob Esponja – Um Herói Fora D’Água (The SpongeBob Movie: Sponge Out of Water, no original) sem ser um íntimo conhecedor do assunto.

E preciso falar que gostei, e ri como há muito não ria numa sala de cinema. Ok, admito, sou fã do humor bobão do Bob Esponja. Vou além: um tempo atrás comentei que sinto falta do humor nonsense dos anos 80, de filmes como Apertem os Cintos O Piloto Sumiu ou Top Secret. E achei o humor deste filme bem próximo daquele.

Agora, precisamos avisar que a divulgação do filme é quase uma propaganda enganosa. O título, o trailer, o cartaz, as imagens de divulgação, até os bonecos vendidos nas lojas, tudo isso dá a impressão de que a maior parte do filme se passa fora da água, com os personagens interagindo com cenários e atores reais, algo meio Roger Rabbit. Mas isso só acontece rapidinho, no fim do filme… Por sorte, a parte “tradicional” é tão engraçada quanto a parte “fora d’água”.

No elenco, o único ator conhecido é Antonio Banderas, que parece estar se divertindo muito como o pirata. Slash estava no trailer, mas acho que sua participação foi cortada do filme.

Bob Esponja – Um Herói Fora D’Água pode até não ser uma grande animação a ponto de peitar os grandes títulos da Pixar, da Disney e da Dreamworks. Mas que vai fazer muita gente rir, ah, isso vai.

Os Mercenários 3

0-os-mercenarios-3Crítica – Os Mercenários 3

O terceiro filme de uma das mais divertidas franquias do cinema recente!

Barney (Stallone) descobre que Stonebanks, um dos fundadores de sua empresa de mercenários, dado como morto há tempos, não só está vivo como virou um grande contrabandista de armas. Agora Barney quer montar um novo time para partir para uma missão pessoal atrás de seu ex-companheiro.

O primeiro Mercenários foi uma agradável surpresa, uma reunião de veteranos de filmes de ação, trazendo alguns lutadores contemporâneos como coadjuvantes. O segundo foi ainda mais divertido quando trouxe outros ícones e investiu nas piadas ligadas ao elenco – Bruce Willis e Arnold Schwarzenegger têm uma sequência engraçadíssima com várias citações a filmes antigos de ambos, e Chuck Norris chega a citar uma piada famosa na internet.

E agora? Será que o terceiro segura a onda?

Não…

Era uma boa expectativa. Se não tinha Bruce Willis, nem Mickey Rourke e Eric Roberts (que estavam no primeiro) e Jean Claude Van Damme e Chuck Norris (que estavam no segundo), o elenco desta vez contava com Harrison Ford e Mel Gibson. Ou seja, Rambo e o Exterminador do Futuro encontram Han Solo e Mad Max! E não parava aí: ainda tinha Antonio Banderas e Wesley Snipes (ambos trabalharam com Stallone nos anos 90, Snipes fez O Demolidor em 93; Banderas fez Assassinos em 95), além da volta de Jason Statham, Dolph Lundgren e Jet Li. Caramba, como um elenco desses pode dar errado?

(Ainda no elenco, temos Randy Couture e Terry Crews, que estavam nos outros filmes – mas Crews quase não aparece, li que ele estava enrolado com as filmagens da série Brooklyn 99. E também tem Kelsey Grammer e Robert Davi em papeis pequenos mas importantes.)

Vamos aos problemas. Em primeiro lugar, o filme dirigido pelo pouco conhecido Patrick Hughes (é seu segundo longa metragem) tem muitos personagens. Não tem espaço pra tanta gente num filme de duas horas e pouco, alguns têm participações minúsculas – por exemplo, Jet Li aparece tão rápido que não dá tempo de bater em ninguém.

Mas na minha humilde opinião, o pior problema é a nova geração. Determinado momento do filme, Stallone quer um novo time de mercenários, formado por Ronda Rousey, Victor Ortiz, Kellan Lutz e Glen Powell. Isso não só incha ainda mais o elenco como ainda traz alguns personagens sem carisma. Quem quer saber de novatos se você pode ver os veteranos em ação?

(Pra mim, isso foi uma estratégia. Não me espantarei se em breve vermos um spin-off com o novo time.)

Ah, tem um agravante. Ronda Rousey é bonita e bate bem. Mas há tempos não vejo uma atuação tão ruim! Heu achava que a Gia Carano era má atriz, mas vi que tem gente pior…

Além do excesso de personagens e da falta de carisma de alguns deles, Os Mercenários 3 ainda tem outros dois problemas. Um deles é o cgi preguiçoso. É inadmissível uma produção deste porte usar efeitos digitais tão vagabundos. Alguns efeitos lembram produções da Asylum, como a explosão do helicóptero ao fim da primeira cena ou o paraquedas na pedreira.

O outro problema é algo mais pessoal, admito. É que gosto do humor presente no segundo filme, cheio de referências às carreiras dos veteranos action heroes. O roteiro do terceiro filme, co-escrito pelo próprio Stallone, é mais sério. Ok, foi legal ver o Schwarza gritando “get to the choppa!”, mas é pouco – pelo elenco, heu esperava bem mais.

Tem uma última coisa que me incomoda, mas é algo que acontece em quase todos os filmes de ação por aí. A cena final tem 10 mocinhos encurralados em um prédio cheio de bombas em posições estratégicas, cercados por um exército fortemente armado com tanques e helicópteros. E, ao fim da cena, todos os inimigos estão mortos, enquanto todos os mocinhos estão inteiros, ninguém levou nem um tiro… Ok, sei que isso não é exclusivo deste filme, e que acontece direto por aí. Mas, que incomoda, ah, incomoda.

No fim, temos apenas mais um filme de ação, com todos os clichês do bem e do mal presentes. Aí a gente lê o elenco e pensa “caramba, conseguiram reunir um elenco desses pra fazer um filme meia bomba?”

Rola um papo que este seria o último filme da franquia. Mas a gente vê que os atores estão se divertindo, se a bilheteria compensar, aposto que teremos mais veteranos voltando à ação. Só espero que Mercenários 4 seja mais próximo do 2 do que do 3.

p.s.: Li que o próximo projeto do diretor Patrick Hughes é a refilmagem do excelente filme indonésio The Raid. Torço muito pelo sucesso de Hughes. Mas torço ainda mais para esta refilmagem nunca ser feita. Vejam o original!!!

Machete Mata

Crítica – Machete Mata

A esperada continuação do divertido Machete!

O governo norte-americano recruta Machete para voltar ao México para procurar um traficante de armas que quer lançar um foguete no espaço.

Quem me conhece sabe que sou fã do Robert Rodriguez. O cara dirige, escreve o roteiro, produz, edita, faz a fotografia, a trilha sonora e os efeitos especiais dos seus filmes. E não só tem um currículo com filmes excelentes como fez Um Drink no Inferno e Sin City, como ainda tem uma carreira paralela como diretor de filmes infantis.

Depois do projeto Grindhouse, feito em 2007 em parceria com o seu amigo Quentin Tarantino, onde fez um trash fantástico, Planeta Terror, ele parece que “abraçou a causa” do trash exploitation, e pouco tempo depois lançou o sensacional Machete (2010).

Claro que quem gostou de Machete ia querer rever o anti-heroi feioso. Por isso, a continuação Machete Mata (Machete Kills, no original).

E qual foi o resultado? Bem, temos pontos positivos e negativos pra analisar.

Em primeiro lugar, este é um filme propositalmente tosco. Li no imdb gente reclamando do cgi – entendi que o cgi foi intencionalmente mal feito, pra parecer uma produção B dos anos 70. E digo que, pra mim, funcionou – dei uma gargalhada alta na hora que o helicóptero explodiu, depois que eles pulam no barco. As atuações também são exageradas, tudo dentro do contexto “grindhouse”. O mesmo podemos falar da ridícula trama. Idem sobre a violência excessiva e caricata – o filme é violento, mas de uma maneira que a gente ri.

Ok, a gente aceita trama, atuações e efeitos toscos. Mas em alguns momentos o roteiro parece preguiçoso – por exemplo, não gostei da personagem de Amber Heard, a achei completamente deslocada. E definitivamente não gostei do fim – aliás, é bom avisar: Machete Mata não tem fim, acaba no gancho para o terceiro filme (assim como De Volta Para o Futuro 2 ou Matrix Revolutions).

Mesmo assim, o roteiro ainda traz algumas viradas inesperadas, alguns personagens morrem quando menos se espera… Apesar de trash, Machete Mata está longe do lugar comum.

E é aí que entra a genialidade de Robert Rodriguez. Machete Mata é trash, mas está longe de ser ruim. Detalhes aqui e acolá mostram que Rodriguez se preocupou em fazer um filme bem feito, apesar de parecer o oposto.

Detalhes como as inúmeras referências a outros filmes, desde Guerra nas Estrelas e 007 Contra o Foguete da Morte a referências ao próprio universo “rodrigueziano”, como o revólver em formato de pênis igual a Um Drink no Inferno, ou o personagem que fica cego como em Era Uma Vez no México. Ou ainda detalhes como o cuidado com personagens interessantes mas com pouco tempo de tela (como a personagem da Lady Gaga).

Ah, precisamos falar do sensacional elenco! Danny Trejo é o mesmo Danny Trejo de sempre, mas ele está (mais uma vez) acompanhado de um time invejável. Mel Gibson está ótimo com um vilão canastrão; Sofia Vergara arranca gargalhadas com seu sutiã-metralhadora. Demian Bichir impressiona com um personagem de múltiplas personalidades; Charlie Sheen (creditado com o nome de batismo “Carlos Estevez”) está excelente como o presidente dos EUA. Alexa Vega, a menininha de Pequenos Espiões, cresceu e mostra um corpão; Lady Gaga está engraçadíssima em sua estreia cinematográfica. Ainda no elenco, Jessica Alba, Vanessa Hudgens, Michelle Rodriguez, Amber Heard, Cuba Gooding Jr., Walton Goggins, Tom Savini, William Sadler e Antonio Banderas.

(Quase todas as mulheres aparecem com pouca roupa, mas o filme não tem nudez…)

Como falei antes, Machete Mata não tem fim, termina com o gancho para um terceiro filme, “Machete Mata no Espaço“. A ideia é legal, mas heu realmente preferia que o filme acabasse. Pelo menos o trailer é divertido…

Segundo o imdb, a data de lançamento no Brasil era pra ser dia 11 de outubro. Devia estar previsto para o Festival do Rio. Mas não passou no Festival. E não tenho ideia de quando estreia. Nem ao menos sei se vai estrear…

Enfim, se você gostou do primeiro Machete, vai se divertir com a continuação. E se você nem viu, acho que nem chegou no fim deste texto, né?

 

Ruby Sparks: A Namorada Perfeita

Crítica – Ruby Sparks: A Namorada Perfeita

Calvin, um jovem escritor com bloqueio criativo, encontra o amor na forma menos usual possível: criando Ruby, uma personagem que ele acredita que irá amá-lo. O que ele não esperava é que Ruby se tornasse real.

A ideia não é 100% original, de vez em quando vemos filmes onde a metalinguagem é colocada em foco (principalmente Mais Estranho que a Ficção, que tem uma premissa bem parecida). O que faz a diferença é o modo como essa metalinguagem é apresentada aqui. Ruby Sparks tem formato de uma leve e divertida comédia romântica – felizmente mais criativa e menos previsível que a maior parte das comédias românticas por aí.

Acredito que boa parte do mérito seja do casal de diretores Jonathan Dayton e Valerie Faris (casados na vida real), os mesmos do simpático Pequena Miss Sunshine (2006). Ruby Sparks é apenas o segundo filme de Dayton e Faris, que demoraram seis anos na “gestação” da nova produção. E não decepcionaram, quem gostou de Pequena Miss Sunshine vai curtir este novo filme da dupla.

Outro mérito é da roteirista Zoe Kazan (também protagonista), que construiu uma história simples, agradável e cativante. Este é seu primeiro roteiro, mas ela tem “pedigree”: é neta de Elia Kazan (Sindicato de Ladrões, Uma Rua Chamada Pecado), e filha de um casal de roteiristas, Nicholas Kazan (O Reverso da Fortuna, O Homem Bicentenário) e Robin Swicord (Memórias de uma Gueixa, O Curioso Caso de Benjamin Button).

O elenco também está muito bem. Paul Dano e Zoe Kazan (outro casal na vida real) estão excelentes como o casal central, a química entre eles é muito boa. Além deles, Annette Benning, Antonio Banderas, Elliot Gould, Chris Messina e Deborah Ann Woll.

Quem perdeu Ruby Sparks no Festival do Rio vai ter mais chances de ver o filme, parece que entra no circuito semana que vem!