Howard, o Super Herói

Crítica – Howard, O Super Herói

Lembro que gostei muito deste filme quando vi no cinema, lááá no distante ano de 1986. Mas sempre o vi em listas de piores filmes. Confesso que isso gerava um certo receio de rever. Será que heu ia me decepcionar?

Olha, tenho que admitir: Howard, o Super Herói é bem fraquinho!

Acho que a pior coisa do filme é o roteiro. A trama em si é absurda – olha, heu até “compro a ideia” de um pato como Howard, mas esse papo de “Dark Overlord” invadindo o planeta ficou bizarro demais. Pra piorar, vemos várias cenas patéticas, como toda a sequência do restaurante, por exemplo. Alguns trechos do filme são dignos de uma compilação de piores momentos dos Trapalhões.

Mas nem tudo é de se jogar fora. Os efeitos especiais envelheceram, mas não fazem feio ao lado de outros filmes da mesma época. E a roupa de pato é bem feita, mesmo analisando hoje em dia.

Sobre o elenco, tenho comentários opostos. Por um lado Jeffrey Jones (Curtindo a Vida Adoidado) é uma das melhores coisas do filme, seu personagem, quando “possuído”, parece um cartoon vivo. Por outro lado, Tim Robbins está completamente desperdiçado como um bobalhão sem graça. Lea Thompson, em alta pelo sucesso de De Volta Para o Futuro, não faz feio no papel principal – ela até canta de verdade!

Nem todos sabem, mas Howard, o Super Herói é uma adaptação de quadrinhos da Marvel, em alta hoje em dia por causa de várias boas adaptações – só este ano já tivemos Thor e X-Men Primeira Classe. Mas, ok, o filme é da época que era raro ter um bom filme vindo de quadrinhos…

Pra quem acha que Howard, o Super Herói não serviu pra nada na história do cinema, li uma história curiosa no imdb. O produtor George Lucas estava cheio de dívidas, e apostou alto no filme. Com o fracasso comercial e o prejuízo na conta bancária, Lucas estava na pior. Seu amigo Steve Jobs fez então uma boa proposta pelo seu estúdio de animação por computador – que, anos mais tarde, virou a Pixar. Ou seja, o fracasso de Howard foi indiretamente responsável por filmes como Monstros S.A. e Wall-E.

Continuo fã de Howard, o Super Herói. Mas concordo que ele merece estar nas listas de piores.

Curtindo a Vida Adoidado

curtindo a vida adoidado

Curtindo a Vida Adoidado

Como prometido, fiz minha homenagem ao recém falecido John Hughes neste fim de semana. Vi O Clube dos Cinco, sozinho, e Curtindo a Vida Adoidado, com minha filha de 8 anos.

Todos conhecem a história, né? Ferris Bueller é um garoto de 17 anos, no último ano do ensino médio, um cara carismático, todos gostam dele. E ele nos diz que “a vida passa muito rápido, e se você não parar de vez em quando para vivê-la, vai perceber que ela já passou”, e por isso nos ensina a matar um dia de aula na escola e aproveitar esse dia ao máximo.

E Ferris realmente tem um dia fantástico! Consegue enrolar seus pais e o diretor da escola e sai com a namorada e o melhor amigo par, entre outras coisas, passear de Ferrari, almoçar em um restaurante caro e até cantar Twist and Shout num desfile pelas ruas de Chicago!

Este filme é um grande marco para as pessoas que passaram a adolescência nos anos 80. Como nasci em 1971, estou neste grupo: vi o filme nos cinemas na época do lançamento (o filme é de 86), e depois revi várias vezes em reprises na tv. Este deve ser um dos melhores “filmes com cara de sessão da tarde” da história! Aliás, se bobear, é uma das melhores comédias da história do cinema. Hoje existe um grande culto ao filme e ao personagem, com o slogan “Salve Ferris”!

Ferris é interpretado por Mathew Broderick, famoso na época por filmes como Jogos de Guerra e Ladyhawke – O Feitiço de Áquila. Diferente de quase todo o resto do elenco, Broderick não sumiu, nesta década mesmo ele fez filmes legais como Os Produtores e Mulheres Perfeitas, além de ter participado da dublagem de desenhos como Bee Movie e O Corajoso Ratinho Desperaux. O mesmo não podemos dizer sobre os outros. Alan Ruck, que faz Cameron, o melhor amigo, só tem feito coisas para a tv; Mia Sara, a namorada Sloane, que logo antes deste filme protagonizou A Lenda ao lado de Tom Cruise, praticamente sumiu. O mesmo podemos dizer sobre Jennifer Grey, que no ano seguinte esteve no mega-sucesso Dirty Dancing – Ritmo Quente. Ainda temos o caricato diretor da escola feito por um caricato (e eficiente) Jeffrey Jones e um pequeno papel de Charlie Sheen, nova estrela em ascenção na época. E, pros mais atentos, uma ponta de Kristy Swanson na escola!

E aí vem aquela dúvida: será que hoje, mais de 20 anos depois, a magia de Ferris Bueller continua? Bem, posso dizer que, depois do almoço do dia dos pais, minha filha colocou novamente o filme para rever, e 4 primos – de idades entre 4 e 14 anos – se divertiram vendo. Acho que isso responde à pergunta…

Mais uma coisa: não desligue o seu dvd antes do fim dos créditos! Rola uma última cena depois! Me lembro de ter visto isso no cinema, ainda nos anos 80. E, apesar do texto agora ser diferente (adaptado do cinema para um video cassete / dvd), a piada continua boa!

Salve Ferris!