O Artista do Desastre

Artista do DesastreCrítica – O Artista do Desastre

Sinopse (catálogo do Festival do Rio): A verdadeira história por trás da produção de The Room, um clássico cult chamado de “o Cidadão Kane dos filmes ruins”. Desde seu lançamento em 2003, o filme vem cativando o público no circuito midnight com sua história desconjuntada, atuações dissonantes e diálogos inexplicáveis. Cada faceta do filme impressiona, assim como a misteriosa e magnética performance de seu criador e protagonista, Tommy Wiseau. Este filme reconta a produção a partir das lembranças de Greg Sestero, amigo de Wiseau e co-estrela relutante do longa.

Já escrevi aqui sobre The Room, um filme ruim, muito ruim, tão ruim que chega a ser uma experiência dolorosa. Mal sabia heu que um outro filme me traria vontade de rever aquele filme ruim muito ruim.

O Artista do Desastre (The Disaster Artist, no original) conta os bastidores das filmagens de The Room, e expõe as excentricidades de seu autor, o bizarro Tommy Wiseau. Wiseau é um cara tão estranho, e a história deste filme é tão inacreditável, que parece que tudo foi inventado. Nada disso, o cara existe e a história aconteceu!

Pra quem nunca ouviu falar de The Room: um cara sem talento nenhum resolveu bancar a produção de um filme que ele mesmo escreveu, dirigiu e protagonizou. Claro que o filme é uma grande porcaria – mal escrito, mal dirigido e mal interpretado. Mas ganhou status de cult como um dos piores filmes da história.

E agora ganha um filme-tributo. E este filme-tributo é muito bom!

O Artista do Desastre é a adaptação do livro “The Disaster Artist: My Life Inside The Room, the Greatest Bad Movie Ever Made”, escrito por Greg Sestero, que era o melhor amigo de Wiseau na época do filme. Vemos como começou a amizade entre os dois, e vemos vários episódios bizarros da excêntrica vida de Wiseau.

James Franco foi o “Wiseau” aqui: dirigiu e protagonizou. A diferença é que Franco tem talento. E sua caracterização como Wiseau está excelente! Segundo o imdb, ele não saía do personagem nos intervalos, e continuava falando com o estranho sotaque do Wiseau.

Aliás, o elenco é muito bom. Dave Franco pela primeira vez divide a tela de um longa com seu irmão, interpretando Greg Sestero. Também no (grande) elenco, Zoey Deutch, Alison Brie, Josh Hutcherson, Zac Efron, Megan Mullally, Sharon Stone, Melanie Griffith, Christopher Mintz-Plasse e e Bryan Cranston, e participações de Kristen Bell, Lizzy Caplan, Adam Scott, Zach Braff e J.J. Abrams. Acho que o ponto negativo do elenco é Seth Rogen, interpretando o Seth Rogen de sempre, e que parece que quer aparecer mais do que o filme pede, achei que seu personagem forçou um pouco a barra.

Uma coisa que ficou bem legal foi que recriaram algumas das cenas do filme original, e no fim do filme vemos a tela dividida, com a versão original de um lado, e a refilmagem do outro. Impressionante como aquilo era ruim; impressionante como ficou igual!

O único problema de O Artista do Desastre é que a gente sai do cinema com vontade de ver (ou rever) The Room. E isso é um desserviço à história do cinema. Caí nesta falha, e revi. Só pra constatar que não vale a pena… Fique com as cenas dos créditos, vale mais a pena.

Segundo o filmeB, O Artista do Desastre estreia nos cinemas brasileiros só em janeiro de 2018. É, vamos ter que esperar…

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A Entrevista

A EntrevistaCrítica – A Entrevista

Vamos de filme polêmico?

Quando o apresentador e o produtor de um programa de tv sensacionalista descobrem que o ditador norte-coreano Kim Jong-un é fã do programa, eles são recrutados pela CIA para transformar sua viagem até Pyongyang em uma missão de assassinato.

No fim do ano passado a Sony foi atacada por hackers ligados à Coreia do Norte, por causa de um filme que satirizava Kim Jong-un. A liberdade de expressão mais uma vez foi questionada, porque a Sony cedeu e adiou o lançamento do filme, e isso gerou uma grande polêmica.

Claro, a polêmica ajudou a divulgação do filme. E arrisco a dizer que foi muito benéfica, pelo lado do marketing – os produtores do filme ganharam uma enorme propaganda com o caso. Porque o filme, por si só, é fraaaco…

Sempre defendo a incorreção política no humor, assim como sempre ataco as piadas ruins. Pra mim, o humor pode ser ofensivo, mas não pode ser sem graça. A Entrevista (The Interview, no original) é ofensivo – e sem graça.

Escrito e dirigido por Seth Rogen e Evan Goldberg, A Entrevista é mais uma comédia de piadas de gosto duvidoso – como acontece infelizmente muito na carreira de Rogen (pena, simpatizo com ele). Muitas piadas de baixo calão envolvendo órgãos sexuais, além de muitas referências ao “bromance” (será que isso é tendência nos EUA?). Na boa, uma piada sobre enfiar uma cápsula no ânus não é engraçada da primeira vez, repetir a piada não melhora a situação.

O elenco não ajuda. Seth Rogen faz o mesmo “papel de Seth Rogen” de sempre, e James Franco, parece que só está na farra com o amigo em vez de interpretar um papel – Franco e Rogen já trabalharam juntos diversas vezes, como na série Freaks and Geeks e nos filmes Segurando as Pontas e É o Fim – entre outros. Ainda no elenco, Lizzy Caplan, Randall Park e Diana Bang, e participações especiais de Rob Lowe, Eminem e Joseph Gordon Levitt, queimando os próprios filmes interpretando eles mesmos em situações embaraçosas.

Assim, temos um filme bobo, repleto de piadas sem graça. Acho que a única parte interessante é a breve crítica ao sensacionalismo da tv norte-americana. Mas a parte principal – sobre o ditador coreano – é dispensável.

Resumindo: se você quiser humor politicamente incorreto satirizando um ditador norte-coreano, prefira Team America

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Território Restrito

Território Restrito

Um painel sobre imigrantes de diferentes nacionalidades lutando pela legalização em Los Angeles. O filme lida com problemas com a fronteira, fraude de documento, processo de obtenção do green card, locais de trabalho para imigrantes ilegais, naturalização, terrorismo e, claro, choque de culturas.

Território Restrito é um daqueles filmes de narrativa fragmentada, mostrando vários personagens que nem sempre se cruzam. Já vimos isso antes, isso às vezes funciona, mas nem sempre. O resultado aqui é mediano.

O que gostei é que o filme escrito e dirigido por Wayne Kramer não levanta bandeiras. Em algumas subtramas, os EUA são os “mocinhos”; em outras, são os vilões. Várias raças diferentes são mostradas, e cada uma tem um caminho diferente, independente da imagem que teremos sobre o país onde querem entrar.

É difícil falar sobre o elenco de um filme assim, afinal, cada ator tem muito pouco tempo na tela. Mas deu pena da Alice Braga. Lembro que falaram do Rodrigo Santoro em As Panteras, porque ele não falava nada. Mas seu papel não era tão pequeno. Alice Braga contracena com Harrison Ford, mas só aparece em uma única cena! Sua personagem continua sendo citada, mas ela já devia estar no set de outro filme… Além dos dois, o elenco conta com Ray Liotta, Ashley Judd, Jim Sturgess, Cliff Curtis, Alice Eve, Lizzy Caplan e Sarah Shahi.

O ritmo é um pouco lento, mas a narrativa fragmentada traz fluidez ao filme, que não fica chato em nenhum momento.

Território Restrito não é um filme essencial, mas pode ser uma boa opção.

P.s.: Curiosidade sobre o poster nacional: rolou uma “photoshopada”. No poster original, não era a Alice Braga, era o Ray Liotta à direita…

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127 Horas

127 Horas

O filme novo do Danny Boyle, depois do Oscar de melhor diretor de 2009!

127 Horas é baseado na história real de Aron Ralston, montanhista que caiu numa fenda em um cânion e ficou com o braço preso debaixo de uma enorme pedra. Depois de cinco dias sozinho, sem ter como chamar ajuda, ele teve que decidir sobre medidas extremas para conseguir escapar.

Quem só conhece Danny Boyle por Quem Quer Ser um Milionário? talvez estranhe esta nova empreitada, principalmente porque rola uma angustiante e polêmica cena MUITO forte. Mas quem conhece o seu trabalho anterior, sabe que está tudo coerente com a obra do diretor de Cova Rasa e Extermínio.

Acho importante falar do apuro visual dos filmes de Boyle. O argumento de 127 Horas é curtinho – como fazer um longa-metragem com uma história tão curta? O filme é repleto de delírios visuais tirados da imaginação de Aron. E Boyle faz um belo espetáculo visual, inclusive dividindo a tela em três várias vezes ao longo do filme. Isso tornou o filme muito interessante, e em momento nenhum cansativo.

Também precisamos falar de James Franco, praticamente o único ator que aparece na tela. Ele consegue passar toda a credibilidade necessária, alternando momentos de alegria, tristeza, angústia, desespero e quase loucura. O filme tem mais atores, não é espartano como Enterrado Vivo, onde só vemos um único ator em um único cenário. Mas os outros atores têm muito pouca importância – nem consegui achar a Lizzy Caplan, de True Blood!

Voltando à cena polêmica que falei lá em cima, quero fazer um comentário, mas preciso dos avisos de spoiler antes!

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

Pra quem não ainda não sabe: Aron amputa o próprio braço para conseguir sair. Ele sabia que não conseguiria cortar os ossos do braço com aquele canivete cego. Então, aproveitou que o braço estava imobilizado para quebrá-lo duas vezes, uma fratura em cada osso, para depois cortar a carne com o canivete. Olha, espero que nunca tenha que passar por algo assim, mas… será que  não ia ser menos doloroso cortar o braço na articulação, perto do cotovelo? Não entendo nada de medicina, mas a cena da fratura de cada osso também é angustiante!

FIM DOS SPOILERS!

O ritmo do filme cai no terço final, temos muitas alucinações, parece que não tinha mais história pra contar, então é só enrolação. Mas em compensação, o fim do filme é catártico, emocionante, com trilha sonora bem escolhida – e aparece até próprio Aron Ralston atualmente.

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Meninas Malvadas

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Meninas Malvadas

Sou fã do seriado 30 Rock, sitcom escrita e estrelada pela Tina Fey, que conta os bastidores de um programa no estilo do Saturday Night Live (do qual a própria Tina participou). Quando soube que o roteiro deste Meninas Malvadas (Mean Girls no original) era escrito por ela, fiquei curioso pra ver – apesar de não ser muito chegado a comédias adolescentes…

Cady (Lindsay Lohan) é uma adolescente que passou a vida inteira morando na África, por causa do emprego dos pais, e nunca foi a uma escola convencional por isso. De volta aos EUA, já adolescente, tem que aprender a “sobreviver” na escola, onde os grupos sociais são separados. Lá, Cady fica entre dois nerds esquisitões e um grupo de patricinhas muito patricinhas.

Como era de se esperar, são vários os clichês, principalmente na formação dos personagens. Mesmo assim, o filme é divertido e flui bem. Pelo menos até a parte final – acho que o diretor Mark Waters perdeu a mão no momento que o livro com as fofocas é exposto (mas, mesmo assim, a cena do atropelamento é genial!).

De vez em quando Cady observa certos comportamentos sociais e os compara com a savana africana. São momentos muito divertidos!

Enfim, nada que vai mudar a sua vida, apenas uma boa e despretensiosa diversão!

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