Assassinato no Expresso do Oriente

Assassinato no Expresso do OrienteCrítica – Assassinato no Expresso do Oriente

Sinopse (filmeB): Várias pessoas estão fazendo uma viagem longa em um luxuoso trem, porém, um terrível assassinato acontece. A bordo da composição, o detetive Hercule Poirot se voluntaria para iniciar uma varredura no local, ouvindo testemunhas e possíveis suspeitos para descobrir o que de fato aconteceu.

Adaptação do livro de Agatha Christie, que já teve uma versão pro cinema, em 1974, dirigida por Sidney Lumet e estrelada por Albert Finney, Lauren Bacall, Ingrid Bergman, Sean Connery, Jaqueline Bisset e Anthony Perkins, entre outros, Assassinato no Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express, no original) sofre de um problema básico: é um “whodunit” que todo mundo já sabe o final.

(Glossário: Whodunit é o estilo de história onde a trama levanta vários suspeitos e o espectador é instigado a descobrir quem é o culpado.)

Já faz muitos anos que vi o filme dos anos 70, mas me lembro justamente da cena que mostra o assassino… Ou seja, sou mais um pra engrossar o coro.

Só não digo que Assassinato no Expresso do Oriente é uma perda de tempo porque a produção é de alto nível, e o elenco é cheio de nomes legais. Afinal, não é todo dia que você reúne Kenneth Branagh, Johnny Depp, Daisy Ridley, Michelle Pfeiffer, Judi Dench, Penélope Cruz, Willem Dafoe, Tom Bateman, Josh Gad, Derek Jacobi e Lucy Boynton. Pena que como o filme gira em torno de um único personagem, o único que tem muito tempo de tela é Branagh. Os outros nem estão mal, mas estão sub aproveitados (nem reconheci a Lucy Boynton, do Sing Street!).

Além disso, outro problema deve afetar a bilheteria: são muitos diálogos, muitas explicações. Uma trama dessas é complexa e cheia de detalhes, e isso ficou um pouco cansativo. Não sei como a audiência de hoje vai receber uma obra assim.

No fim, fica aquela impressão de que era melhor rever o original. Torçamos para que pelo menos isso sirva para apresentar a obra de Agatha Christie para as novas gerações. Porque, claro, existem planos para uma “continuação” – no fim do filme, Hercule Poirot é chamado para ir ao Egito, onde vai se passar Morte sobre o Nilo.

p.s.: No mundo politicamente correto de hoje, será que vão rebatizar “Os Dez Negrinhos”? ;-)

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Vanilla Sky

vanilla_skyCrítica – Vanilla Sky

Depois do original, vamos à refilmagem!

Um jovem, bonito e rico herdeiro de uma revista conhece a mulher de seus sonhos, mas pouco depois se envolve num acidente de carro, fica com o rosto desfigurado e vê sua vida entrar em parafuso.

Vanilla Sky é uma refilmagem quase quadro a quadro do original Abre los Ojos. A maior parte das cenas é exatamente igual! Acho que as duas sequências diferentes são a do bar (melhor construída no filme espanhol) e a parte final (mais explicada aqui). Aliás, essa é uma crítica que muitos fazem: nem sempre tudo precisa ser explicado…

Apesar da falta de originalidade, gosto muito deste Vanilla Sky. Se a história já não é novidade, pelo menos a forma é muito bem cuidada. A fotografia é ótima, e a trilha sonora é bem melhor. O produto final hollwoodiano ficou bem palatável – pelo menos isso, né?

A direção ficou com Cameron Crowe (logo depois do genial Quase Famosos), que cinco anos antes tinha feito Jerry Maguire com Tom Cruise. Aqui, denuncio uma injustiça: nos créditos iniciais, o roteiro aparece como se fosse escrito só por Crowe, não vemos o nome de Almenábar! Por que, se os roteiros são quase iguais?

A direção é de Crowe, mas este é um “filme do Tom Cruise”. E é legal ver como o “star power” funciona. Sabe aquela cena inicial, onde vemos Cruise correndo pela Times Square completamente vazia? Não foi cgi! Cruise FECHOU a Times Square para filmar a cena!!!

(Aliás, nada contra Eduardo Noriega, o ator do original, mas achei que o papel combinava mais com o Tom Cruise…)

Uma coisa curiosa, e até onde sei, única na história do cinema: Penelope Cruz fez o mesmo papel nas duas versões! E admito, não gostei… Ainda no elenco, Cameron Diaz, Jason Lee, Kurt Russell, Timothy Spall, Noah Taylor e Tilda Swinton. Johnny Galecki, hoje famoso por The Big Bang Theory, faz uma ponta como o assistente de Cruise.

Mesmo sendo uma refilmagem quase igual ao original, Vanilla Sky é uma boa opção. Mas recomendo ver ambos.

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Preso na Escuridão / Abre los Ojos (1997)

Abre-Los-OjosCrítica - Abre Los Ojos (1997)

Um jovem rico e bonito encontra o amor da sua vida, mas sofre um acidente que deixa o seu rosto desfigurado.

Antes do podcast “O que você entendeu destes filmes?”, revi Vanilla Sky, e em seguida revi Abre Los Ojos. Mas como aquele é a refilmagem deste, vou falar primeiro do original.

(Mal) lançado no Brasil com título Preso na Escuridão (vi no SBT, ainda na época do VHS!), Abre Los Ojos traz uma impressionante e bem construída trama, meio suspense, meio drama, meio ficção científica, daquelas que o espectador precisa prestar atenção para sacar todas as nuances.

Além de dirigir, Alejandro Almenábar (que tem feito pouca coisa, de 2002 pra cá só dirigiu dois longas, Mar Adentro e Alexandria) também escreveu o roteiro (em parceria com Mateo Gil), que é a melhor coisa do filme. Abre Los Ojos não é um filme fácil, mas o espectador inteligente vai se deliciar com a trama não linear onde nem tudo é o que parece.

Nos papeis principais, Eduardo Noriega (A Espinha do Diabo, Agnosia) e Penélope Cruz (que estava na refilmagem). Ainda no elenco, Najwa Nimri, Chete Lera e Fele Martinez.

Abre Los Ojos foi refilmado quatro anos depois. Diz a lenda que Tom Cruise viu o filme com o seu amigo Cameron Crowe, e Cruise então chamou Almenábar e propôs a refilmagem, e em contrapartida ele “emprestaria” sua então esposa Nicole Kidman para a sua estreia hollywoodiana” (Os Outros). Curiosamente, Penélope Cruz veio no “pacote”, e reencenou o mesmo papel – e depois tomou o posto de Nicole no coração de Cruise… Amanhã falo da refilmagem!

p.s.: Normalmente procuro no google imagens das versões brasileiras dos filmes. Mas não achei deste filme, então peguei a americana, igual à do dvd gringo que tenho.

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O Conselheiro do Crime

ConselheiroDoCrimeCrítica – O Conselheiro do Crime

Filme novo do Ridley Scott, estreia de roteirista famoso, elenco estelar… Será que presta?

Um advogado tem sua cabeça posta a prêmio após envolver-se com o submundo do tráfico de drogas.

O Conselheiro do Crime (The Counselor, no original) é o primeiro roteiro para cinema do premiado escritor Cormac McCarthy (que escreveu os livros onde se basearam Onde os Fracos Não Têm Vez e A Estrada). Os fãs do autor estavam com a expectativa alta. Mas, como roteirista, McCarthy se mostrou apenas mediano. Seu filme é linear e previsível, o roteiro não tem nenhuma reviravolta – tudo o que a gente imagina desde a primeira cena vai acontecer.

Pra piorar, tem a verborragia. Alguns diálogos são longos demais e chegam a tornar o filme cansativo. Algumas cenas poderiam ser bem mais curtas, outras nem precisavam estar aqui – por exemplo, qual o sentido da cena do confessionário?

O que salva é o talento dos realizadores, tanto atrás quanto à frente das câmeras. Com a experiência de quase quatro décadas de bons filmes no currículo, o diretor Ridley Scott consegue belas imagens mesmo quando conta uma história simples.

O outro destaque está no elenco. Michael Fassbender, um dos melhores atores contemporâneos, arrebenta – como era de se esperar. Javier Bardem e Brad Pitt também estão inspirados, como o quase sempre. A surpresa está com a Cameron Diaz, que estamos acostumados a ver em papeis bobinhos, e que aqui está excelente num papel de mulher fatal. Penelope Cruz é que não se destaca, mas também seu papel de esposa inocente não ajuda. Ainda no elenco, Rosie Perez, John Leguizamo, Bruno Ganz, Natalie Dormer e Dean Norris.

Mas, apesar do talento das pessoas envolvidas, O Conselheiro do Crime fica devendo. Ridley Scott já fez coisa bem melhor.

p.s.: O título nacional, mais uma vez, pisa na bola. O protagonista é um advogado, que não aconselha ninguém – pelo contrário, passa o filme inteiro ouvindo conselhos.

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