Legalize Já

Legalize-JáCrítica – Legalize Já

Sinopse (catálogo do Festival do Rio): Como o encontro entre dois jovens que vendiam camisetas e fitas cassete no centro do Rio de Janeiro para se sustentar pôde dar origem a uma das bandas mais populares do Brasil na década de 1990? O filme narra esse momento transformador na vida de Marcelo – futuramente, conhecido como Marcelo D2 – e Skunk, que culminou na formação do Planet Hemp. Reprimidos por uma sociedade preconceituosa, os dois fizeram da música um grito de alerta e de resistência, conquistando corações e mentes de toda uma geração.​

Uma cinebiografia de uma banda nacional dos anos 90 – gostei da ideia!

Confesso que tinha um pé atrás com a proposta do filme (principalmente pelo nome “Legalize já”). Gosto do som do Planet Hemp, sou amigo de alguns dos integrantes da banda. Mas não sou fã de maconha – nada contra, mas é algo que nunca “fez a minha cabeça”. A boa notícia (pelo menos pra mim) é que Legalize Já foca muito mais na relação entre D2 e Skunk do que na maconha.

Nem todos sabem, mas um dos fundadores do Planet Hemp faleceu antes da banda gravar seu primeiro disco e fazer sucesso. O filme foca neste momento, o início da amizade e a formação da banda, que, segundo a proposta de Skunk, falaria mais de problemas sociais do que de maconha – mas isso é ironizado pelo próprio filme, num diálogo onde alguém comenta “mas as músicas só falam de maconha”. É, a crítica social está lá, mas o que vendeu a banda foi a maconha…

Legalize Já foi dirigido pela dupla Johnny Araújo e Gustavo Donafé, que já tinham feito juntos O Magnata, com roteiro do Chorão (Charlie Brown Jr); e que estão em cartaz com Chocante. A fotografia quase preto e branca, assinada por Pedro Cardillo, traz um visual interessante à história.

No elenco, destaque para Ícaro Silva, que antes já interpretou os cantores Jair Rodrigues e Wilson Simonal no teatro, e que aqui faz um, bom trabalho como o Skunk. Marcelo D2 foi interpretado por Renato Góes, enquanto Stepan Nercessian faz um papel menor como seu pai. Uma boa notícia: na minha humilde opinião, uma das falhas do cinema nacional é o descuido com relação ao sotaque dos atores. Ícaro é paulista; Renato, pernambucano. E ambos passam por cariocas. Finalmente alguém se preocupa com sotaques!

Que venham mais cinebiografias musicais brasileiras!

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Steve Jobs

steve jobsCrítica – Steve Jobs

Um retrato do inventor e empresário co-fundador da Apple. A história se desenrola nos bastidores de três lançamentos de produtos icônicos.

Com roteiro de Aaron Sorkin (A Rede Social), a narrativa de Steve Jobs (idem, no original) é interessante. Em vez de uma cinebiografia clássica, onde acompanhamos a vida do biografado, o filme se divide em três momentos: os bastidores dos momentos antes dos lançamentos do Macintosh, em 84, do NeXT, em 88 e do iMac, em 98.

O elenco é muito bom – Kate Winslet acabou de ganhar o Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante e ser indicada ao Oscar; Michael Fassbender também concorre à estatueta pelo filme. Também no elenco, Seth Rogen, Jeff Daniels, Michael Stuhlbarg e Katherine Waterston.

Steve Jobs tem alguns problemas. Michael Fassbender é um grande ator, é sempre um prazer vê-lo atuando, mas… Quando vi o filme, não vi o personagem Jobs na tela, só vi o ator Fassbender. Ok, o cara é bom, mas talvez fosse melhor ter um ator menos famoso, pra gente entrar mais facilmente no personagem.

Outro problema é que, como a narrativa só mostra três momentos distintos da carreira de Jobs, algumas coisas ficam sem explicação para quem nunca acompanhou o desenvolvimento da Apple – saí do cinema e fui catar no google mais informações sobre Apple II e NeXT…

Além disso, são muitos diálogos. Cansa ficar duas horas vendo um cara arrogante brigar com um monte de gente. Pelo menos o estilo pop de Danny Boyle ajuda no ritmo, com cortes rápidos, música alta e até projeções nas paredes do cenário.

Mas, no geral, acho que Boyle ainda nos deve algo mais semelhante ao seu início de carreira…

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Love & Mercy

love&mercyCrítica – Love & Mercy

Biografia do Brian Wilson!

Na década de 60, o líder dos Beach Boys, Brian Wilson, luta com uma psicose emergente enquanto ele tenta criar sua obra-prima pop. Na década de 1980 , ele é um homem confuso sob a vigilância de 24 horas de um terapeuta de métodos duvidosos.

Quando me perguntam se prefiro Beatles ou Rolling Stones, minha resposta sempre é “Beach Boys”. Claro que quero ver um filme sobre o líder da banda!

Dirigido por Bill Pohlad, Love & Mercy traz duas narrativas paralelas, com dois atores distintos, cada um interpretando o músico em uma diferente fase da vida. Paul Dano interpreta Brian Wilson nos anos 60, na época da gravação do disco Pet Sounds, enquanto John Cusack fica com os anos 80, quando Wilson estava sob os cuidados polêmicos de Eugene Landy.

Isso traz um problema básico:  John Cusack é um grande ator, mas não é nada parecido com o músico. Quando Paul Dano está na tela, vemos Brian Wilson; quando Cusack aparece, vemos Cusack.

Além da semelhança física, Dano ainda deu a sorte de interpretar Wilson durante sua fase criativa. Como fã de Beach Boys, preciso dizer que gostei muito mais da parte do Paul Dano, afinal, ver bastidores de composições, arranjos e gravações de músicas como God Only Knows ou Good Vibrations é muito mais legal do que problemas de relacionamento entre Brian Wilson e seu terapeuta.

O que compensa é que na outra parte temos Paul Giamatti e Elizabeth Banks contracenando com Cusack. Um excelente trio de atores, com uma boa química entre eles.

Love & Mercy passou no Festival do Rio, mas acredito que deve entrar no circuito. Tem potencial para isso!

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Livre

0-LivreCrítica – Livre

Um pouco atrasado, mas vamos de mais uma cinebiografia visando o Oscar.

Depois de uma tragédia pessoal, Cheryl Strayed decide encarar uma trilha de 1100 milhas pela costa do oceano Pacífico, numa jornada de auto-conhecimento.

A premissa lembra Na Natureza Selvagem – personagem de mochila nas costas sai sozinho por belas paisagens em jornada de auto-conhecimento. Mas na verdade os filmes são bem diferentes. Neste filme, dirigido por Jean-Marc Vallée (Clube de Compras Dallas), a protagonista tem um objetivo bem diferente na sua jornada.

O visual é bonito, a edição é empolgante, mas Livre (Wild, no original) tem um problema básico: parece um livro de auto-ajuda. E a trilha sonora cheia de clichês só reforça isso. O chato é quando a gente lê os créditos e vê que o roteiro foi escrito por Nick Hornby, o mesmo que escreveu o excelente Alta Fidelidade!

Tem outra coisa que me incomodou, mas não é do filme, e sim da história. Cheryl teve um problema pessoal e por isso se meteu com drogas e sexo promíscuo. Sua jornada acontece em função disso. Ora, conheço muita gente que passou por problemas muito piores e não precisou de “jornadas de auto-conhecimento”…

De positivo, podemos dizer que esta é uma das melhores atuações da carreira de Reese Witherspoon – ela foi indicada ao Oscar pelo papel. Laura Dern, também indicada ao Oscar, também está bem. E admito que algumas paisagens são realmente bonitas.

Mas no geral, fica devendo.

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Sniper Americano

sniperamericanoCrítica – Sniper Americano

Mais uma “cinebiografia de Oscar”…

Durante a guerra do Iraque, o fuzileiro americano Chris Kyle salva inúmeras vidas nos campos de batalha devido à sua pontaria apurada, e acaba virando uma lenda por causa disso. De volta para casa, para sua esposa e seus filhos, ele descobre que não consegue deixar a guerra para trás. Baseado no livro escrito pelo próprio Chris Kyle.

Dirigido por Clint Eastwood, Sniper Americano (American Sniper, no original) tem um problema sério: é muita propaganda militar norte-americana – mais uma vez aquele papo maniqueísta de “matar um soldado americano é um crime horroroso, mas matar um iraquiano é legal”. Como já falei antes, não tenho nada contra os EUA, pelo contrário, sou um admirador do cinema e da música norte-americana. Mas não gosto dessa propaganda militar maniqueísta.

(Pra falar a verdade, me lembrei de Bastardos Inglórios, onde fazem um filme para glorificar um sniper alemão. Sniper Americano me pareceu EXATAMENTE a mesma coisa, só mudou o país e a guerra.)

E aqui tem um agravante: usaram a guerra errada. O cara vira um herói no Iraque, onde os EUA invadiram atrás de “armas de destruição em massa”, mas que até agora não encontraram nada. Assim, fica difícil ter simpatia por Chris Kyle, afinal, a gente sabe que ele era uma marionete do governo norte-americano, numa guerra baseada numa mentira…

Por outro lado, quem for analisar só a parte técnica pode curtir. Sniper Americano é um filme muito bem feito, com boas cenas de batalha e tensão nas doses certas. Tá, algumas cenas são desnecessariamente piegas (tipo, precisa de um cara sem perna pra dizer pro moleque que o pai dele é um herói?), mas acho que esse era o objetivo.

Peço desculpas aos fãs do diretor Eastwood e do ator Bradley Cooper (que está bem, admito). Mas, pra mim, não desceu.

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Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

foxcatcherCrítica – Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

Continuemos com “cinebiografias visando o Oscar”…

Dois irmãos, ambos medalhistas de ouro por luta greco-romana, entram para o time Foxcatcher, liderado pelo multimilionário patrocinador John E. du Pont, para treinarem na equipe que vai aos jogos de Seul em 88 – uma união que leva a circunstâncias imprevistas.

Dirigido por Bennett Miller (Capote), Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo (Foxcatcher, no original) traz um trio de atores inspiradíssimos – três atuações dignas de prêmios. Pena que o roteiro é fraco. Além de ser extremamente arrastado, o roteiro ainda é previsível – ora, o cara era atleta medalhista olímpico, se envolveu com álcool e drogas, claro que vai perder a próxima luta, né? Isso tudo torna as pouco mais de duas horas em um longo e arrastado programa – o único plot twist que foge do óbvio acontece logo antes do filme acabar.

Pra piorar, o filme me pareceu cortado, fiquei com a sensação de que estava faltando algo que esclarecesse o conflito entre Mark e John. O filme dá a entender que Mark e John tinham uma relação homossexual, mas não fala o que levou Mark a se afastar – e foi algo tão grave que precisou da intervenção do irmão David. Desconfio que deve ter rolado alguma pressão de algum dos retratados, ou do lutador Mark Schulz, ou da família do já falecido Du Pont.

Pena, porque o elenco está fantástico. Quase irreconhecível, Steve Carell faz um papel sério, completamente fora da sua zona de conforto – não foi surpresa sua indicação ao Oscar de melhor ator. Channing Tatum também está impressionante, num papel onde usa muito mais expressões corporais do que diálogos. Mark Rufallo tem menos espaço na trama, mas também está excelente, tanto que também está indicado ao Oscar, de ator coadjuvante (o filme ainda concorre a direção, roteiro original e maquiagem). O trio está muito bem, gosto de ver atores fazendo papeis que se distanciam do que fazem sempre, tanto pela maquiagem quanto pela atuação. O sumido Anthony Michael Hall também está aqui, mas não sei se ele está diferente por causa do filme ou apenas envelheceu e ainda estou acostumado com o seu “visual Clube dos Cinco. Ainda no elenco, Vanessa Redgrave e Sienna Miller.

Por fim, o subtítulo. Como assim, “a história que chocou o mundo”??? Vivi os anos 80, lembro das olimpíadas de 84 em Los Angeles e 88 em Seul, mas não me lembrava dessa história. De repente o subtítulo podia ser “a história que chocou os EUA”, porque teve zero repercussão por aqui…

Elenco bom, filme fraco. Fica a dica: se você curte um dos três atores, ou se apenas gosta de ver grandes atuações, veja Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo. Mas prepare-se pra ver bons atores num filme fraco.

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O Jogo da Imitação

o jogo da imitaçãoCrítica – O Jogo da Imitação

Vamos de mais “filme de Oscar”?

Durante a Segunda Guerra Mundial, o matemático Alan Turing cria um computador para tentar decifrar a máquina alemã Enigma.

De uns anos pra cá, cinebiografias são bem cotadas no Oscar. Por isso a enxurrada de lançamentos neste estilo: nas últimas semanas, tivemos A Teoria de Tudo, Foxcatcher, American Sniper, Invencível e agora este O Jogo da Imitação. E, olha só: todos esses filmes estão concorrendo a Oscars…

Dirigido pelo pouco conhecido Morten Tyldum, O Jogo da Imitação (The Imitation Game, no original) traz uma boa história e um ator principal inspirado. Mas, quando acaba o filme, ficamos com a sensação de que falta alguma coisa para ser um grande filme.

Se o filme não é grandes coisas, o mesmo não podemos dizer da atuação de Benedict Cumberbatch, que cria uma espécie de Sheldon Cooper (The Big Bang Theory) mais sério e mais complexo (várias cenas do filme lembram o comportamento do Sheldon, como quando ele está na entrevista de emprego, e comenta “eu não queria este emprego”; seu interlocutor pergunta “então o que você está fazendo aqui?” e a resposta é “é que vocês estão procurando o maior matemático do mundo, então estou aqui…”).

Cumberbatch mostra (mais uma vez) que é um dos melhores atores da sua geração – pena que este ano ele tem pouca chance no Oscar, que deve ficar com Michael Keaton (Birdman) ou Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo). Alan Turing é um personagem rico, um cara muito inteligente e com sérios problemas de relacionamento com os seres humanos em volta dele – e, ainda por cima, gay, numa época onde isso era proibido por lei. E Cumberbatch passa toda essa complexidade e carrega o filme nas costas. Keira Knightley foi colocada no filme pra vermos uma mulher bonitinha, a Joan Clarke original não tinha nada a ver com ela – pelo menos Keira é simpática e está bem no seu papel. Ainda no elenco, Matthew Goode (o Ozymandias de Watchmen), Charles Dance (o Tywin Lannister de Game of Thrones) e Mark Strong (o Frank D’Amico de Kick-Ass).

Pena que, apesar de Cumberbatch, e apesar de ser um filme sobre um cara fascinante, mostrando um lado pouco conhecdo da Segunda Guerra Mundial, O Jogo da Imitação entrega um resultado apenas “correto”.

p.s.: Ouvi um boato que Benedict Cumberbatch e o produtor Harvey Weinstein querem uma audiência com a Rainha para reconhecer Alan Turing como herói de guerra. Tomara que consigam!

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A Teoria de Tudo

A Teoria de TudoCrítica – A Teoria de Tudo

Cinebiografia do físico Stephen Hawking, abordando mais o lado humano do que o acadêmico: seu relacionamento com sua primeira esposa e sua doença degenerativa.

Stephen Hawking é um cara impressionante, um dos caras mais inteligentes da história, e que vive há décadas com um problema degenerativo que debilita o seu corpo (e pelo qual, segundo a medicina, ele só teria mais dois anos de vida). Que tal contar esta história num filme?

O problema é que o filme dirigido por James Marsh, baseado no livro autobiográfico de Jane Hawking (ex-esposa do protagonista), é burocrático demais. Tudo está lá, certinho, no seu lugar, parece que estamos vendo um telefilme. Achei um exagero A Teoria de Tudo estar indicado ao Oscar de melhor filme (são cinco indicações no total – filme, ator, atriz, roteiro adaptado e trilha sonora). Me parece que, por se tratar de um cara importante como Stephen Hawking, existe uma supervalorização aqui.

A única coisa que realmente se destaca em A Teoria de Tudo (The Theory of Everything, no original) é a atuação de Eddie Redmayne. “Anteontem” ele era um cara desconhecido (ele era um dos principais de Os Miseráveis, mas ninguém se lembra disso, afinal, ele estava ao lado de Hugh Jackman, Russel Crowe, Anne Hathaway, Amanda Seyfried, Sacha Baron Cohen e Helena Bonham Carter, né?); hoje ele deve ter boas propostas na mesa, mesmo se não levar o Oscar (ele já levou o Globo de Ouro este ano). E se levar, não será surpresa, a Academia gosta de premiar este tipo de atuação.

Felicity Jones também concorre ao Oscar de melhor atriz – no filme, seu papel é tão importante quanto o de Hawking (o filme foi baseado no livro escrito por ela). Mas ela não está tão impressionante quanto Redmayne. Ainda no elenco, David Thewlis, Emily Watson, Maxine Peake e Charlie Cox.

Pelo menos A Teoria de Tudo é bem feito, tem uma boa reconstituição de época e conta a história de um cara fascinante. Isso, aliado à grande interpretação de Redmayne, torna o filme uma boa opção – é só baixarmos a expectativa e não pensar como um filme candidato ao Oscar.

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CBGB

0-CBGBCrítica – CBGB

Um filme contando a história do lendário clube novaiorquino CBGB? Quero ver!

A sinopse? Simples como um cara criou, meio sem querer, uma das casas mais importantes da história do rock’n'roll.

Em primeiro lugar, preciso falar que não sou muito fã da filosofia musical do punk rock – gosto de música bem tocada ;-). Mas reconheço a importância do movimento punk. E tem mais: o filme é sobre o CBGB, não sobre o punk. Então a gente vê o Talking Heads e o Blondie na tela…

Dito isso, vamos ao filme. Antes de ser um filme sobre o clube, CBGB é sobre Hilly Kristal, o dono do local. Um homem visionário, mas um péssimo administrador (o clube estava sempre lotado, e mesmo assim as contas viviam atrasadas).

(Aliás, o filme explica as inicias “CBGB OMFUG” – que sempre li, mas nunca tive ideia do que significava. Curiosamente, Hilly queria fazer um clube de country e blues, e chamou sua casa de “Country Blue Grass Blues”. Mas só conseguiu músics de outros estilos, então acrescentou “Other Music For Uplifting Gormandizers”…)

O filme escrito e dirigido por Randall Miller é sobre Hilly Kristal, e “o nome do filme” é Alan Rickman. Não sei nada sobre o Hilly original, não sei se a caracterização foi fiel. Rickman é um grande ator, a gente já sabia, e aqui ele constroi um personagem rico, um cara popular e bem sucedido, e, ao mesmo tempo, solitário e fracassado.

Aliás, o elenco inteiro está muito bem. Rupert Grint, o Ron de Harry Potter, impressiona como o guitarrista dos Dead Boys, completamente diferente do seu personagem mais famoso. Malin Akerman pouco aparece, mas ficou bem parecida com a Debbie Harry – outros músicos aparecem e estão ainda mais parecidos, mas são interpretados por atores desconhecidos. Ainda no elenco, Ashley Greene, Johnny Galecki, Stana Katic, Justin Bartha, Richard de Klerk, Freddy Rodríguez e Bradley Whitford.

Gostei muito de ver as bandas caracterizadas no palco do CBGB – Talking Heads, Blondie, Ramones, The Police, Iggy Pop, etc (e confesso que nunca tinha ouvido falar de Dead Boys…). Foi uma boa colocarem atores parecidos com os músicos dublando as músicas originais. O único problema é que o som ficou limpo demais – mas é melhor do que ouvir anônimos tocando e cantando músicas icônicas.

Também gostei da edição usando quadrinhos. Tudo a ver com o estilo do filme!

CBGB é baseado em fatos reais, mas nem tudo o que vemos no filme aconteceu de verdade. O próprio filme avisa isso, nos créditos finais, quando avisa que Iggy Pop nunca cantou no CBGB, e manda um “just deal with it”. Aliás, foi engraçado ler “nenhum animal foi maltratado durante as filmagens, as baratas esmagadas eram biscoitos Fig Newtons” (um biscoito recheado parecido com o nosso goiabinha).

Li no fórum do imdb algumas pessoas criticando a cenografia, porque usou vários props reais tirados do próprio CBGB. Se a gente prestar atenção, pode ver flyers dos anos 80 e 90, e o filme se passa na década de 70. Mas isso não me incomodou, achei que o visual do filme ficou mais rico assim.

Terminado o filme, fiquei com vontade de ver um filme semelhante sobre o Garage, da rua Ceará, aqui no Rio. Se heu tivesse os contatos certos, heu bem que tentava fazer este filme!

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Walt nos Bastidores de Mary Poppins

0-Walt nos Bastidores de Mary Poppins

Crítica – Walt nos Bastidores de Mary Poppins

A escritora P.L. Travers reflete sobre sua infância, enquanto negocia com Walt Disney os direitos para adaptar seu livro Mary Poppins para o cinema.

O título nacional “Walt nos Bastidores de Mary Poppins” é ruim. Não só é grande demais, como é um título mentiroso. Em primeiro lugar, Walt Disney é um personagem secundário, o filme é focado na escritora P.L. Travers, personagem de Emma Thompson. E em segundo lugar, não vemos exatamente os bastidores do filme. Tudo se passa na concepção do roteiro e das músicas, bem antes das filmagens.

Dito isso, Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks, no original) é bem interessante. Já faz anos desde a última vez que vi Mary Poppins, e mesmo assim me lembrei de várias músicas. É legal ver como surgiram algumas dessas músicas.

Emma Thompson está ótima como a escritora P. L. Travers. Não sei o quanto Travers era rabugenta na vida real, mas aqui ela virou um personagem que é um prato cheio para uma grande atriz como Thompson. Tom Hanks, como era esperado, também está bem como Walt Disney, mas é Emma Thompson quem rouba a cena. Ainda no elenco, Colin Farrell, Jason Schwartzman, Paul Giamatti, Ruth Wilson e Rachel Griffiths.

O ponto fraco do filme dirigido pelo pouco conhecido John Lee Hancock (diretor de Um Sonho Possível e roteirista de Branca de Neve e o Caçador) são os longos flashbacks mostrando a infância de Travers. Sim, os flashbacks são essenciais para a história. Mas podiam ser beeem mais curtos.

Walt nos Bastidores de Mary Poppins não é um filme essencial. Mas é divertido, principalmente para os fãs de Mary Poppins.

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