It: A Coisa

It 2017Crítica – It: A Coisa

No final dos anos 80, um grupo de garotos problemáticos se junta quando um monstro, com a aparência de um palhaço, começa a caçar crianças.

Ontem falei da versão dos anos 90; hoje é dia de falar da nova versão do cultuado livro do Stephen King. A boa notícia é que este novo filme é bem melhor que aquele. Um bom elenco, uma história bem contada, bom equilíbrio entre o terror e os dramas dos personagens, bom clima oitentista, alguns jump scares, algum gore… O roteiro tem algumas escorregadas, mas o resultado é positivo!

Como citei no outro texto, uma das dificuldades nesta adaptação é o tamanho do livro, mais de setecentas páginas. O diretor Andy Muschietti (Mama) optou por só contar a parte das crianças (existe a previsão de um segundo capítulo contando a parte dos adultos). E mesmo assim, It: A Coisa (It, no original) ficou com duas horas e quinze minutos! Taí um pequeno defeito: não precisava de tanto tempo de filme…

Pelo menos a construção dos personagens é bem feita. Conseguimos conhecer cada um dos sete jovens que forma o “clube dos perdedores”. Falei lá em cima que são garotos problemáticos, né? Poizé. Temos diversos tipos de problemas, desde bullying na escola até um pai abusivo. Aliás, o roteiro é inteligente ao mostrar que os jovens, além do palhaço, também têm esses terrores para superar.

Uma coisa muito boa aqui é todo o clima de anos 80, que lembra grupos de jovens como Goonies ou Conta Comigo (também baseado em Stephen King, apesar de não ser terror). Aliás, It: A Coisa tem um risco curioso, de ser chamado pelos menos atentos de “cópia de Stranger Things” – grupo de alguns meninos e uma menina, que andam de bicicleta e lutam contra um inimigo de outro mundo, numa cidade pequena, nos anos 80. Sorte que “todo mundo” sabe que Stephen King foi uma das fontes de inspiração para Stranger Things, né?  ;-)

O elenco infantil é ótimo (muito melhor que o dos anos 90). O único nome conhecido entre os sete principais é Finn Wolfhard (olha o Stranger Things aí de novo…). Mas todos estão bem: Sophia Lillis, Jaeden Lieberher, Jeremy Ray Taylor, Chosen Jacobs, Jack Dylan Grazer e Wyatt Oleff. Ah, o valentão principal é Nicholas Hamilton, de Capitão Fantástico.

E o palhaço Pennywise? Olha, digo que o Tim Curry foi uma das poucas coisas que se salvou no outro filme. Mas não tenho medo de afirmar que o Pennywise de Bill Skarsgård é muito mais assustador!

Por fim, queria comentar que não entendo todo esse hype em volta de It. Claro que heu sabia da existência do livro e do outro filme, mas não sabia que era um livro tão cultuado e que gerasse tanto barulho nas redes sociais como tenho visto por aí. Espero que todo esse hype não atrapalhe, criando falsas expectativas.

Sobre a segunda parte, procurei no imdb, mas não encontrei nenhuma informação. Que venha logo!

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Bag Of Bones

Crítica – Bag of Bones

Minissérie com dois capítulos baseada em Stephen King. Ok, vamos ver qualé.

Quando sua esposa morre num acidente de carro, um escritor de sucesso vai para um retiro em uma casa isolada à beira de um lago. Lá, ele acaba envolvido na briga sobre a custódia de uma garotinha.

Não sei exatamente por que, mas Bag of Bones simplesmente não engrena. O elenco está burocrático. Pierce Brosnan e Melissa George parecem estar no piloto automático. O mesmo acontece com a direção, a cargo de Mick Garris, que tem um currículo razoável na TV mas fez pouca coisa no cinema (ele fez Sonâmbulos, de 1992, também baseado em Stephen King).

Os efeitos especiais são fracos, mas isso era esperado num filme para tv. Mas o pior problema de Bag of Bones é a parte final, confusa e sem sentido. A primeira metade só é fraca; a segunda metade é ruim mesmo.

Dispensável.

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Carrie – A Estranha (1976)

Crítica – Carrie – A Estranha (1976)

Em breve estreará a refilmagem de Carrie. É hora de rever o original de Brian de Palma, de 1976.

Carrie é uma jovem tímida que vive com uma mãe problemática. No baile de formatura da escola, preparam para ela uma terrível armadilha, que a deixa ridicularizada em público. Mas ninguém imagina os poderes paranormais que a jovem possui e muito menos de sua capacidade vingança quando está repleta de ódio.

Carrie – A Estranha é uma feliz e inspirada união entre dois mestres do terror / suspense: o escritor Stephen King e o diretor Brian De Palma.

Stephen King é indiscutivelmente um dos maiores escritores fantásticos da história da literatura. Curiosamente, são poucos os bons filmes baseados em livros seus – até o próprio King falhou feio quando resolveu arriscar na direção, ele fez o fraco Comboio do Terror nos anos 80. Este Carrie – A Estranha é uma exceção – é um filmaço!

(Outros bons filmes baseados em Stephen King: O Iluminado, Cemitério Maldito, À Beira da Loucura, Christine, Conta Comigo, Creepshow, Um Sonho de Liberdade… Acho que dá um Top 10, que tal?)

Pra quem gosta de cinema como uma arte, ver um filme dirigido por Brian De Palma nos bons tempos é uma delícia. Cada plano, cada ângulo, cada sequência, tudo é bem pensado. Tecnicamente, o filme é excelente! E toda a sequência do balde é sensacional. Aquela corda balançando criou uma tensão absurda. Heu já sabia o desfecho, e mesmo assim fiquei me remexendo no sofá.

O que é curioso é que a trama é bem simples – já pararam pra pensar que o filme se passa basicamente na preparação para o baile e no baile em si? Não li o livro do Stephen King, mas desconfio que no livro deve ter mais coisa.

O elenco tem grande responsabilidade para o sucesso do filme. Sissy Spacek está sensacional, num papel difícil, que demonstra ao mesmo tempo ingenuidade e ódio reprimido. Piper Laurie, que faz a mãe, também tem uma interpretação memorável. Aliás, as duas foram indicadas ao Oscar – parece que foi a primeira vez que um filme de terror teve indicações ao Oscar de atriz e atriz coadjuvante. John Travolta, em início de carreira, brilha em um papel secundário. Ainda no elenco, William Katt, Amy Irving, Nancy Allen e Betty Buckley.

Este Carrie original é muito bom. Tenho medo da refilmagem. Tomara que não façam besteira!

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O Iluminado

Crítica – O Iluminado

Hora de rever o clássico de Stanley Kubrick!

O escritor Jack Torrance é contratado como zelador de um grande hotel que fica fechado durante o inverno. Porém, o contínuo isolamento começa a lhe causar problemas e ele vai se tornado cada vez mais agressivo e perigoso.

Incontestavelmente, Stanley Kubrick foi um dos maiores diretores da história do cinema. No fim de sua vida, seu ritmo de filmar era lento. Depois de Barry Lyndon, de 1975, Kubrick só fez três filmes: este O Iluminado, de 1980, Nascido Para Matar, de 1987, e De Olhos Bem Fechados, que estava sendo finalizado quando Kubrick morreu, em 1999. Se a quantidade era pequena, pelo menos a qualidade não caiu. Diferente de alguns colegas de profissão, seus últimos filmes mantiveram a qualidade de sempre (só tenho um pé atrás com De Olhos Bem Fechados, um dia hei de rever e ter uma segunda opinião).

Aqui Kubrick mostra porque é um dos gigantes na sua área. O ritmo do filme é diferente do que estamos acostumados, mais lento, com muitos planos longos e muita câmera parada. O ritmo lento é acentuado pela edição, que traz várias sequências longas com poucos cortes.

Tem mais: rolam vários movimentos de câmera bem planejados, como os travellings seguindo o velocípede pelos corredores do hotel, ou andando pelo labirinto. Isso é aliado a grandiosos cenários e a uma trilha sonora muito bem escolhida (acho que boa parte das músicas já existia, não foram compostas para o filme). O resultado final é um filme tenso como poucas vezes visto na história do cinema.

Kubrick era um perfeccionista, famoso por refilmar as cenas incontáveis vezes, até que ficasse satisfeito com o resultado. A cena onde Halloran conversa com Danny foi filmada 148 vezes – o recorde mundial! E a cena do sangue escorrendo pelo elevador só foi filmada três vezes, mas a preparação para ela durou quase um ano. Esses atrasos na produção acabaram atrasando outros filmes que precisavam do mesmo estúdio em Londres, como O Império Contra-Ataca e Os Caçadores da Arca Perdida.

O Iluminado foi baseado em um livro de Stephen King. Li por aí que o livro teria monstros (não li o livro, então não tenho certeza da informação), e que a adaptação de Kubrick não foi muito fiel neste aspecto. Mas gostei desta mudança, o filme ficou mais sério, mais assustador.

Um dos grandes responsáveis por O Iluminado ser um filme tão assustador foi a magnífica interpretação de Jack Nicholson, uma das mais impressionantes de sua premiada carreira. Nicholson faz uma cara de louco que dá medo! Outros atores foram cogitados para o papel, como Robert de Niro, Robin Williams e até Harrison Ford, mas vendo Nicholson na tela, fica difícil de imaginar Jack Torrance vivido por outro ator. Outro destaque é o garoto Danny Lloyd, que curiosamente só fez mais um filme. Ainda no elenco, Shelley Duvall com sua “beleza exótica” e Scatman Crothers.

Curiosidade: nem todos concordam que O Iluminado é um grande filme. Na época do lançamento, concorreu a duas Framboesas de Ouro, de pior diretor e pior atriz (para Shelley Duvall). Claro que não ganhou…

Enfim, filmaço. Recomendadíssimo!

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O Sobrevivente

O Sobrevivente

Aproveitei o fim de semana para rever o recente clássico oitentista O Sobrevivente, um dos melhores filmes de ação de Arnold Schwarzenegger.

Num futuro totalitário, Ben Richards (Schwarzenegger) é preso injustamente e acaba parando em um programa de tv ao vivo, onde prisioneiros, acompanhados por câmeras, têm que correr por suas vidas, enquanto são perseguidos por “Stalkers”, uma mistura de lutador de telecatch com assassino profissional, contratados pela emissora.

A ideia do filme dirigido por Paul Michael Glaser (que nunca fez outro filme à altura) é muito boa, ainda mais vista hoje em dia. Em 1987 ainda não existiam reality shows, comuns hoje em dia. Ok, ainda não temos mortes ao vivo, mas não duvido que a tv apresente isso em um futuro próximo. Outra coisa que parece bem atual é a manipulação da mídia para aumentar a audiência de programas de tv.

O roteiro de O Sobrevivente, baseado em um livro de Stephen King, é bem bolado e traz algumas frases bem legais e cheias de sarcasmo, como quando Richards corta um Stalker com uma moto-serra e diz “He had to split” (“Ele teve que partir”), ou enforca outro Stalker com arame farpado e diz “What a pain in the neck” (a expressão correspondente em português seria “Que pé no saco”, mas a tradução literal seria “Que dor no pescoço”); ou ainda quando o apresentador Damon Killian diz ao telefone “Give me the Justice Department, Entertainment Division” (“Me chame o Departamento de Justiça, Divisão de Entretenimento”).

Sobre o elenco, O Sobrevivente é daqueles filmes onde tudo é feito para o protagonista. Arnoldão está perfeito, grande, forte e canastrão na dose certa. O resto está lá apenas como coadjuvante: Yaphet Kotto (Alien), Maria Conchita Alonso (Predador 2) e Richard Dawson (veterano de programas de tv).

Os figurinos usados no programa são espalhafatosos, mas funcionam, justamente por se tratar de um programa de tv, combinam até com aquelas dançarinas que ficam fazendo coreografias bregas ao fundo do programa – como acontece nos Faustões da vida (detalhe: as coreografias são da Paula Abdul, muito antes de virar jurada de reality show!). Já não podemos dizer o mesmo sobre a parte tecnológica do filme, que envelheceu muito. Os gráficos exibidos nos computadores são tosquérrimos! E não é só isso, hoje, 24 anos depois da estreia do filme, estamos muito distantes de uma senha de segurança máxima de apenas cinco caracteres, ou de um código de barras que serve como passaporte pra pessoas diferentes.

Felizmente, isso não estraga o filme, que fica datado, mas nunca ruim. O Sobrevivente tem mais méritos do que falhas. Além dos bons diálogos e das boas cenas de ação, com violência na dose certa, outro destaque é a trilha sonora de Harold Faltermeyer, autor dos famosos temas de Um Tira da Pesada e Top Gun.

Hoje em dia O Sobrevivente tem cara de sessão da tarde. Mas ainda é um dos grandes filmes de ação dos anos 80!

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Se você gostou de O Sobrevivente, o Blog do Heu recomenda:
O Vingador do Futuro
Predadores
Os Mercenários

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Creepshow – Show de Horrores

Creepshow – Show de Horrores

Recentemente, comprei os dvds importados dos filmes Creepshow, nunca lançados por aqui. Revi o primeiro, em breve farei o mesmo com o segundo e verei o desconhecido terceiro (apesar de ter lido por aí que é bem mais fraco…).

O filme abre com um garoto levando uma bronca do pai por causa de uma revista de quadrinhos de terror, que traz cinco historinhas. Na primeira, um homem volta do túmulo atrás de seu bolo de aniversário. Na segunda, um fazendeiro meio burrinho descobre um meteoro que transforma tudo em uma espécie de planta. A terceira mostra um vingativo homem que enterra sua esposa e o amante dela na praia durante a maré baixa. A quarta traz um monstro escondido num caixote. E a quinta traz baratas, muitas baratas!

Lançado em 1982, o filme foi inspirado em quadrinhos de terror da E.C. Comics dos anos 50. E o projeto tinha pedigree: roteiro de Stephen King (que também aparece como ator) e direção de George A. Romero.

O formato é muito interessante: são quadrinhos na tela! Se a gente parar pra analisar, esta é uma das melhores adaptações de quadrinhos da história do cinema, afinal as historinhas fluem como se estivéssemos lendo uma revista em quadrinhos – inclusive com alguns enquadramentos. Hoje em dia tem um monte de adaptações de quadrinhos sendo lançadas, algumas até muito boas (como os recentes Batman e Homem de Ferro), mas estes casos são filmes com cara de filmes. Creepshow tem cara de quadrinhos!

O elenco tem um monte de nomes legais, como Leslie Nielsen, Ted Danson, Ed Harris, Adrienne Barbeau, Hal Holbrook e, como falei lá em cima, Stephen King, como o fazendeiro da segunda história. E ainda rola uma ponta do maquiador Tom Savini na parte final do filme. De um modo geral, estão todos meio caricatos. Mas funcionam perfeitamente para o que o filme pede.

Visto hoje em dia, alguns trechos parecem meio bobos. Mas o resultado final é delicioso, apesar da longa duração do filme – pouco mais de duas horas. O formato deu tão certo que foi muito imitado nos anos seguintes, em títulos como Contos da Escuridão (Tales From The Darkside) e Dois Olhos Satânicos (Two Evil Eyes, também do Romero, ao lado de Dario Argento). Isso sem contar com a série Tales From The Crypt!

Por fim, uma curiosidade: este primeiro Creepshow nunca passou nos cinemas brasileiros, apenas a sua continuação, de 1987. O primeiro filme, só em vídeo. E o mesmo aconteceu com outro clássico oitentista de terror: o primeiro Evil Dead (A Morte do Demônio), de 81, só foi lançado aqui em vhs, mas a segunda parte, Evil Dead 2 – Uma Noite Alucinante, também de 87, passou no circuito…

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Dolan’s Cadillac

Dolan’s Cadillac

Filme de terror baseado em Stephen King, estrelado pelo Christian Slater? Ok, vale a pena ver qualé.

A vida do casal Robinson (Wes Bentley, de Beleza Americana) e Elizabeth (Emanuelle Vaugier) vira do avesso quando acidentalmente ela presencia uma das transações do mafioso Jimmy Dolan (Slater), que trabalha com tráfico de mulheres.

Achei o filme uma grande decepção. Por que? Pelo nome “Stephen King” nos créditos.

A primeira coisa que pensamos é num filme de terror, como a maioria das histórias de King. E com um carro no título, nos lembramos do clássico Christine, o Carro Assassino!

Nada, o carro é apenas o meio de transporte. E o filme não é de terror, e sim uma história de vingança.

Aí vem outra decepção pelo mesmo motivo: um dos melhores filmes de vingança da história é Um Sonho de Liberdade, também baseado em Stephen King. A vingança que rola aqui em Dolan’s Cadillac é até interessante, mas, comparado com aquele filme, fica a léguas de distância!

Para piorar, o filme é um pouco longo, porque quase nada acontece. Li na internet que é baseado num conto do livro Nightmares and Dreamscapes. Bem, houve um seriado Nightmares and Dreamscapes, com histórias de quarenta minutos. Talvez fosse o caso aqui, em vez de um longa-metragem.

Só recomendado para os pouco exigentes!

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O Nevoeiro

O Nevoeiro

Demorou, mas finalmente The Mist foi lançado por aqui. Não sei por que demorou tanto, afinal, acredito que seria fácil de se vender “do mesmo diretor e roteirista de Um Sonho de Liberdade e À Espera de um Milagre, o mais novo filme baseado em Stephen King”!

Uma cidade pequena, à beria de um lago, é açoitada por ventos fortes à noite. Na manhã seguinte, David Drayton (Thomas Jane), um artista local, vai até o supermercado com seu filho. E uma névoa envolve a cidade – e existe algo misterioso dentro da névoa.

O suspense é muito bem montado – não sabemos o que há dentro da névoa! E começa um clima claustrofóbico dentro do supermercado, onde o medo do desconhecido começa a mudar as pessoas.

Uma coisa muito interessante aqui é o foco nos personagens presos no supermercado., e não no que está na névoa. Marcia Gay Harden interpreta Mrs Carmody, uma religiosa que aos poucos começa a exacerbar o seu fanatismo – e conquistar “fiéis”, afinal, ninguém sabe o que está acontecendo lá fora…

E assim, o suspense toma conta do filme. Boas interpretações, boa fotografia, e o talento do diretor e roteirista Frank Darabont são essenciais para criar esse clima.

Não gostei muito do fim, acho que poderia ser diferente. Mas não estraga a beleza do filme.

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