How to Talk to Girls at Parties

How to Talk to Girls at PartiesCrítica – How to Talk to Girls at Parties

Sinopse (catálogo do Festival do Rio): No Reino Unido do fim dos anos 1970, Enn, um jovem tímido e fã da nova febre punk, está pronto para se apaixonar. Até que ele conhece a etérea Zan, que acredita que o punk vem “de uma outra colônia”, uma de muitas pistas de que ela talvez não seja desse planeta. Uma história sobre o nascimento do punk, a exuberância do primeiro amor e o maior de todos os mistérios do universo: como conversar com garotas em festas?

Quando vi Antiporno, pensei que era o filme mais maluco do festival. Que nada. Ainda faltava este How to Talk to Girls at Parties.

É difícil falar de How to Talk to Girls at Parties. É um filme completamente “fora da caixinha”. “Festa estranha com gente esquisita”, um desfile de personagens bizarros em situações bizarras. Mesmo assim, arrancou gargalhadas da plateia várias vezes. Apesar de ser um filme diferente de tudo, é o mais leve e divertido que já vi do diretor John Cameron Mitchell (Hedwig, Shortbus, Reencontrando a Felicidade).

Trata-se de uma adaptação de um conto de Neil Gaiman (que tem uma versão em graphic novel, desenhada pelos brasileiros Fábio Moon e Gabriel Bá). Não li o livro, nem os quadrinhos. Mas é curioso ver que o título não faz sentido na história do filme.

Os figurinos dos alienígenas merecem uma citação. O filme explora o clichê de alienígena dos anos 70, roupas colantes em cores berrantes. O visual ficou bem legal. E tudo combina com a grande coleção de personagens excêntricos. Quem embarcar na viagem proposta por Mitchell vai se divertir.

O papel principal ficou nas mãos do desconhecido Alex Sharp, mas ele faz par com Elle Fanning (o que deve ajudar a vender o filme). Nicole Kidman faz um papel menor como uma punk veterana.

Acho difícil este filme chegar no circuito…

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O Artista do Desastre

Artista do DesastreCrítica – O Artista do Desastre

Sinopse (catálogo do Festival do Rio): A verdadeira história por trás da produção de The Room, um clássico cult chamado de “o Cidadão Kane dos filmes ruins”. Desde seu lançamento em 2003, o filme vem cativando o público no circuito midnight com sua história desconjuntada, atuações dissonantes e diálogos inexplicáveis. Cada faceta do filme impressiona, assim como a misteriosa e magnética performance de seu criador e protagonista, Tommy Wiseau. Este filme reconta a produção a partir das lembranças de Greg Sestero, amigo de Wiseau e co-estrela relutante do longa.

Já escrevi aqui sobre The Room, um filme ruim, muito ruim, tão ruim que chega a ser uma experiência dolorosa. Mal sabia heu que um outro filme me traria vontade de rever aquele filme ruim muito ruim.

O Artista do Desastre (The Disaster Artist, no original) conta os bastidores das filmagens de The Room, e expõe as excentricidades de seu autor, o bizarro Tommy Wiseau. Wiseau é um cara tão estranho, e a história deste filme é tão inacreditável, que parece que tudo foi inventado. Nada disso, o cara existe e a história aconteceu!

Pra quem nunca ouviu falar de The Room: um cara sem talento nenhum resolveu bancar a produção de um filme que ele mesmo escreveu, dirigiu e protagonizou. Claro que o filme é uma grande porcaria – mal escrito, mal dirigido e mal interpretado. Mas ganhou status de cult como um dos piores filmes da história.

E agora ganha um filme-tributo. E este filme-tributo é muito bom!

O Artista do Desastre é a adaptação do livro “The Disaster Artist: My Life Inside The Room, the Greatest Bad Movie Ever Made”, escrito por Greg Sestero, que era o melhor amigo de Wiseau na época do filme. Vemos como começou a amizade entre os dois, e vemos vários episódios bizarros da excêntrica vida de Wiseau.

James Franco foi o “Wiseau” aqui: dirigiu e protagonizou. A diferença é que Franco tem talento. E sua caracterização como Wiseau está excelente! Segundo o imdb, ele não saía do personagem nos intervalos, e continuava falando com o estranho sotaque do Wiseau.

Aliás, o elenco é muito bom. Dave Franco pela primeira vez divide a tela de um longa com seu irmão, interpretando Greg Sestero. Também no (grande) elenco, Zoey Deutch, Alison Brie, Josh Hutcherson, Zac Efron, Megan Mullally, Sharon Stone, Melanie Griffith, Christopher Mintz-Plasse e e Bryan Cranston, e participações de Kristen Bell, Lizzy Caplan, Adam Scott, Zach Braff e J.J. Abrams. Acho que o ponto negativo do elenco é Seth Rogen, interpretando o Seth Rogen de sempre, e que parece que quer aparecer mais do que o filme pede, achei que seu personagem forçou um pouco a barra.

Uma coisa que ficou bem legal foi que recriaram algumas das cenas do filme original, e no fim do filme vemos a tela dividida, com a versão original de um lado, e a refilmagem do outro. Impressionante como aquilo era ruim; impressionante como ficou igual!

O único problema de O Artista do Desastre é que a gente sai do cinema com vontade de ver (ou rever) The Room. E isso é um desserviço à história do cinema. Caí nesta falha, e revi. Só pra constatar que não vale a pena… Fique com as cenas dos créditos, vale mais a pena.

Segundo o filmeB, O Artista do Desastre estreia nos cinemas brasileiros só em janeiro de 2018. É, vamos ter que esperar…

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Prevenge

prevengeCrítica – Prevenge

Sinopse (catálogo do Festival do Rio): Ruth está grávida de sete meses e, como muitas outras gestantes, acredita que seu bebê já conversa com ela por meio de uma voz interior. A única diferença é que o pequeno ser humano, a fim de responsabilizar a sociedade pela ausência de seu pai, exige que ela realize uma verdadeira carnificina. Em uma jornada pós-feminista, é o bebê quem ensina Ruth como atrair e matar pessoas que cruzam seu caminho, como o dono de uma pet shop e um DJ. Um conto sangrento sobre a mais santificada experiência humana: a maternidade.

Nem tudo o que a gente vê no Festival do Rio é bom. Faz parte da regra do jogo, a gente vê muito filme antes de estrear no circuito, o risco é grande. Às vezes tem filme bom, às vezes tem filme meia boca. Como é o caso deste Prevenge.

Prevenge foi escrito, dirigido e estrelado por Alice Lowe (que estava realmente grávida durante as filmagens). Este é o seu primeiro filme como diretora, mas lembro de Turistas, um filme escrito e estrelado por ela, que passou no Festival do Rio de 2012. Pelo filme anterior, já dava pra ter uma ideia do que ia encontrar: um filme violento, onde o terror está no comportamento de pessoas desequilibradas.

Prevenge tem algumas ideias boas, algum gore bem filmado, mas no geral fica devendo. O filme não tem ritmo, a protagonista é antipática e sem carisma, e a voz do bebê beira o trash de tão tosca.

Dispensável.

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A Vilã / The Villainess

The VillainessCrítica – A Vilã / The Villainess

Sinopse (catálogo do Festival do Rio): Desde pequena, Sook-hee foi treinada para se tornar uma assassina sanguinária. Quando o chefe da Agência de Inteligência coreana se oferece para recrutá-la como agente secreta, Sook-hee recebe uma segunda chance: “Trabalhe para nós por dez anos e você será livre”. Sua nova identidade é como Chae Yeon-soo, uma atriz de teatro. Depois de servir seu país por uma década, ela dá início a uma nova vida, onde tem que lidar com tarefas corriqueiras do dia a dia. Até que dois homens aparecem de repente em sua vida, e ela descobrirá os segredos de seu passado.

Dois dias atrás falei de Fuga, um filme de ação meia bomba feito no Camboja. Agora é a vez de outro filme de ação, mas da Coreia do Sul, país que tem uma tradição cinematográfica bem maior. E A Vilã (The Villainess, em inglês; Ak-Nyeo, em coreano) é muito melhor. Um excelente filme de ação.

O início do filme tem uma sequência que lembra Hardcore Henry – “tiro porrada e bomba” com câmera POV, em primeira pessoa. Muita violência, e violência muito bem filmada. A partir daí temos um bom equilíbrio entre as cenas mais “calmas” e as sequências de luta – tem um duelo de espadas no meio de uma perseguição de motos! E o final lembra Atômica, com sequências emendadas digitalmente pra fazer um grande plano sequência que inclui cenas de briga e também perseguições de carro. É, a gente não vê isso todos os dias…

Esqueci de falar: A Vilã é um filme de vingança. Não sei exatamente o quanto a vingança é importante na cultura coreana, mas é só a gente lembrar de Oldboy que a gente já sente que vingança pra eles é uma parada séria.

A Vilã foi escrito e dirigido por Byung-gil Jung. O roteiro é bem estruturado, tem uma linha temporal não linear, e traz um plot twist bem legal. Vi no imdb que este é o segundo longa de ficção dirigido por Jung (ele antes fez um documentário). Confissão de Assassinato é o outro filme dele. Vou procurar…

No Festival do Rio, a maior parte dos filmes passa com legendas eletrônicas. A cópia de A Vilã estava legendada, o que normalmente significa que o filme entrará em cartaz no circuito. Fui checar no filmeB, a previsão é que estreie dia 23 de novembro, mês que vem! Fica a dica!

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Antiporno

antipornoCrítica – Antiporno

Sinopse (Catálogo do Festival do Rio): Kyoko tem 21 anos e é uma artista promissora, repleta de autoconfiança. Quando algo não sai como o esperado, ela desconta sua frustração em Noriko, sua assistente de 36 anos. Imatura, Kyoko se comporta como uma rainha absoluta e faz Noriko passar por humilhações sexuais diante do resto da equipe.

O Festival do Rio tem umas mostras paralelas. Este ano teve uma mostra “pornochanchada à japonesa”. Queria ver pelo menos um deles. Quando vi que tinha um filme do Sion Sono, não tive dúvidas sobre qual seria o escolhido.

Explico: já tinha visto outros três filmes do Sion Sono em outras edições do Festival do Rio – Paz e Amor em 2015; Tokyo Tribe em 2014; e Por Que Você Não Vai Brincar no Inferno? em 2013. Os três são esquisitos. Já tinha ideia do que ia encontrar.

E, claro, Antiporno (Anchiporuno, no original) é um filme esquisito. Cenários bizarros, personagens bizarros, situações bizarras… Quem gosta de filmes bizarros vai curtir.

Não quero falar muito sobre a trama pra não dar spoilers, até cortei parte do que estava na sinopse do catálogo (apesar de desconfiar que NENHUM dos meus leitores vai ver este filme). Só digo que Antiporno faz umas brincadeiras bem legais com metalinguagem. Quando a trama começa a cansar, rola um plot twist bizarro e tudo muda de rumo.

Esses plot twists mudam completamente a personalidade das personagens principais, o que faz o trabalho das duas atrizes principais ficar muito mais complexo e interessante. Gostei muito das performances de Ami Tomite e Mariko Tsutsui. Aliás, segundo a wikipedia, Mariko Tsutsui tem 57 anos. Acho que nunca vi uma cinquentona tão bem conservada. Parabéns, sra. Mariko!

Não foi o melhor Sion Sono que já vi (Tokyo Tribe é imbatível!), mas me diverti. Que venha outro filme dele em um festival futuro.

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Fuga / Jailbreak

FugaCrítica – Fuga / Jailbreak

Sinopse (Catálogo do Festival do Rio): A gangue Butterfly, composta inteiramente por mulheres, está envolvida em todo tipo de crime imaginável. Quando a polícia captura Playboy, seu único membro homem, eles sabem que tem nas mãos a chance de acabar com a gangue. Assim, Playboy é enviado para a prisão mais segura do país, onde fica sob vigilância total. Mas nenhuma cadeia é impenetrável para a gangue Butterfly, e não demora muito para que as coisas comecem a dar errado. Logo os prisioneiros iniciam uma revolta, isolando um pequeno grupo de policiais, que precisará lutar para sobreviver.

Tem gente que usa o Festival do Rio pra ver filmes antes da estreia. Tem gente que cata filmes que passaram em festivais mundo afora e que ainda não têm previsão de lançamento no Brasil. Heu procuro filmes que NUNCA vão passar no cinema aqui. Por isso escolhi um filme de ação feito no Camboja.

A sinopse do catálogo do festival não é boa, faz a gente pensar que vai ter um foco maior na tal gangue das mulheres, mas isso é algo bem secundário. O foco do filme é nos policiais que vão levar o prisioneiro e na revolta que acontece na cadeia enquanto eles estão lá.

Escrito e dirigido por Jimmy Henderson, Fuga (Jailbreak, em inglês) é fraco. Só vale pelas cenas de luta. Me parece que quiseram pegar carona no sucesso da série The Raid, da vizinha Indonésia (lembrando que o primeiro Raid passou no Festival do Rio de 2011). Mas este “primo pobre” é bem inferior.

Jailbreak parece um filme B de ação dos anos 80, um daqueles estrelados por um Van Damme ou um Chuck Norris. Os atores são todos ruins, e os personagens são todos caricatos. O roteiro tem momentos tão bobos que parecem filmes dos Trapalhões. Isso sem contar com furos inacreditáveis, como a vilã que entra acompanhada de três bad girls de calças de couro e saltos altos, mas que desaparecem sem explicação. Ou a inexplicável falta de continuidade – roupas se limpam sozinhas ao longo do filme. Vergonha alheia…

O que salva são as lutas. Aí sim, temos um belo espetáculo visual. São várias lutas bem coreografadas e bem filmadas. As lutas são filmadas em planos sequência curtos, emendados por planos chicote (quando a câmera corre de um lado para o outro), criando a impressão de longos planos sequência. Essas cenas valem o ingresso!

No elenco, uma curiosidade: Celine Tran, a líder da gangue Butterfly (e o primeiro nome na lista do imdb) é a atriz pornô Katsuni… Mais ninguém conhecido no elenco.

Divertido. Mas apenas isso.

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A Forma da Água

Forma da ÁguaCrítica: A Forma da Água

Sinopse (imdb): Um conto de fadas de outro mundo, ambientado na época da Guerra Fria nos EUA, por volta de 1962. Uma solitária faxineira que trabalha num laboratório governamental de alta segurança tem sua vida alterada para sempre quando ela descobre uma experiência secreta.

Filme novo do Guillermo del Toro sempre entra no radar. Apesar do seu último, A Colina Escarlate, não ter sido lá grandes coisas, a expectativa por este A Forma da Água (The Shape of Water, no original) era grande. Felizmente, desta vez Del Toro acertou. Seu novo filme é uma bela fábula de amor, e, acho que posso dizer isso, um dos seus melhores filmes.

Del Toro declarou que queria fazer um “filme de monstro” onde a criatura ficasse com a mocinha no final. Assim, tudo aqui gira em torno da história de amor entre o improvável casal. Apesar de ter algumas cenas de violência gráfica, A Forma da Água está mais próximo de um conto de fadas do que de um filme de terror. A trilha sonora de Alexandre Desplat ajuda no clima de fábula.

(Aliás, a trilha sonora e a direção de arte me lembraram do clima dos filmes de Jean Pierre Jeunet – mais ou menos como “Amelie Poulan encontra o Monstro da Lagoa Negra”).

É bom avisar: A Forma da Água é um filme romântico, não há dúvidas quanto a isso. Mas está longe de ser um filme “fofinho”. Como bem disse o crítico Pablo Bazarello no site cinepop, “Uma história linda de amor, onde gatos fofinhos perdem a cabeça, gargantas são rasgadas com garras e dedos necrosados arrancados à força. Ah, Guillermo del Toro é dos meus. Ah, o amor…” ;-)

(Aliás 2, fiquei com a impressão de que este filme conseguiu ser o que A Bela e a Fera tentou ser e não conseguiu. Afinal, aqui o Monstro não precisou ser rico para conquistar a mocinha.)

O elenco é outro destaque. Indicada ao Oscar em 2014 por Blue Jasmine, Sally Hawkins faz um excelente trabalho com sua personagem muda – aguardem mais indicações para prêmios! Michael Shannon também está excepcional. Doug Jones, mais uma vez, não mostra o rosto e interpreta uma criatura num filme de Del Toro (ele foi o Abe Sapien em Hellboy e o Fauno em O Labirinto do Fauno). Também no elenco, Richard Jenkins, Octavia Spencer e Michael Stuhlbarg.

A notícia triste é que vai demorar pro espectador “off festival” ver A Forma da Água. O filme passou na abertura do Festival do Rio, mas não só não teve outra sessão, como só vai ser lançado no circuito no início de 2018. Tem que segurar a ansiedade!

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Festival do Rio 2017

festival-do-rioFestival do Rio 2017

Todo ano faço um pequeno texto com apostas para o Festival do Rio. Este ano ficarei devendo. Compromissos profissionais me impediram de acompanhar de perto a programação.

Mas Festival do Rio é Festival do Rio. Nos próximos dias, postarei aqui comentários sobre alguns filmes vistos no Festival.

Divirtam-se! Desliguem os celulares e boas sessões!

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Blade Runner 2049

BladeRunner2049Crítica – Blade Runner 2049

Sinopse (imdb): Um novo Blade Runner descobre um segredo escondido que o leva a rastrear o ex-Blade Runner Rick Deckard, que está há trinta anos desaparecido.

Ok, admito, estava com muito pé atrás com este Blade Runner 2049 (idem, no original). Sou muito fã do original de 1982. E quando li que o diretor ia ser Denis Villeneuve, me lembrei de O Homem Duplicado, um filme cabeça muito ruim, e a preocupação aumentou. Mas aí vi A Chegada, infinitamente melhor que o outro, e relaxei. Ok, Villeneuve, você agora tinha o meu aval. Vamos “pagar pra ver”.

Felizmente, Villeneuve fez um bom trabalho. Blade Runner 2049 é um espetáculo visual belíssimo, e toda a mitologia do primeiro filme é respeitada. Só acho que não precisava de mais de duas horas e quarenta minutos…

Existem três curtas feitos para situar o espectador sobre o que está acontecendo: uma animação com estilo de anime contando o blecaute; e dois filminhos apresentando os personagens de Dave Bautista e Jared Leto. Não rolam spoilers, quem quiser ver antes pode ser uma boa, tem no youtube.

Sobre spoilers: Harrison Ford está no cartaz do filme, então todos sabem da sua presença no filme. Mas posso dizer que era melhor que a sua participação fosse guardada – como foi com o Wolverine em X-Men Apocalipse. Seria uma agradável surpresa vê-lo sem ser anunciado.

O elenco é bom. Ryan Gosling normalmente tem cara de paisagem, mas pra este papel funcionou bem – afinal, ele é um androide (e não há dubiedade sobre isso). Com um enorme carisma, Ford mais uma vez volta a um papel icônico (como fizera antes com Indiana Jones e Han Solo); Leto e Bautista pouco aparecem. Gostei da personagem de Ana de Armas, e aquela cena de sexo entre humano, androide e holograma ficou muito boa. Também no elenco, Robin Wright, Sylvia Hoeks, Mackenzie Davis, e uma participação especial de Edward James Olmos

A trilha sonora de Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch às vezes tenta emular a trilha clássica do Vangelis, mas no resto do filme lembra mais as notas graves de A Chegada. Ficou ok. Mas Blade Runner é sintetizador, e não monges tibetanos. Senti falta do Vangelis…

Pelo menos o visual compensa. A fotografia de Roger Deakins é fenomenal. Alguns cenários lembram o filme original (como os gigantescos painéis de neon); enquanto os cenários novos chamam a atenção pela beleza e grandiosidade (como o prédio de Niander Wallace, ou os cenários em Las Vegas).

Findo o filme, fica a dúvida: será que vai virar franquia e vão fazer um terceiro (e um quarto, um quinto…), ou será que para por aí? Denis Villeneuve não me parece ser um diretor que combina com franquias. Mas, por outro lado, ainda dá pra aproveitar elementos que foram pouco usados.

Por fim, queria registrar que finalmente li o livro “Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?”, escrito por Philip K. Dick nos anos 60, e que deu origem ao primeiro filme. É curioso ver que o livro tem uma história bem diferente do filme. Me lembrei de fãs do livro “O Senhor dos Anéis” reclamando porque o personagem Tom Bombadil foi cortado do filme. Se a adaptação do “Ovelhas Elétricas” fosse hoje em dia, ia ter “muito mimimi pelas internetes” reclamando que “o filme não respeitou o livro”…

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LEGO Ninjago: O Filme

lego-ninjago-o-filmeCrítica – LEGO Ninjago: O Filme

Sinopse: Evitado por todos por ser filho de um vilão maligno, um adolescente tenta vencê-lo com a ajuda de seus companheiros ninjas.

Em 2014, tivemos o genial Uma Aventura Lego. Três anos depois veio o Lego Batman, que seguia o mesmo conceito. Agora vamos ao terceiro filme. A boa notícia: quem curtiu os outros dois vai se divertir aqui.

LEGO Ninjago: O Filme (The LEGO Ninjago Movie, no original) segue o mesmo estilo de visual e mesmo estilo de humor dos outros filmes. Diferente dos outros dois filmes, LEGO Ninjago: O Filme se baseia em algo pré existente, uma série de tv. A boa notícia é que não precisa ver a série para entender o filme.

É usada a máxima “não se mexe em time que está ganhando”. Claro que vai ter gente resmungando porque a fórmula está sendo repetida. Mas heu não reclamo. Se gostei dos outros, quero mais!

Este universo Lego tem duas coisas que heu gosto muito. Uma é o visual – a animação é feita pra parecer stop motion usando peças de Lego. O filme é tão detalhista que vemos peças gastas e arranhadas (como seria normal se isso fosse um stop motion de verdade). E a outra é o humor nonsense – a arma super secreta é uma das coisas mais geniais que vi no cinema este ano.

Ainda no humor: tem muita piada para adultos. Pais que forem levar seus filhos vão rir de piadas referentes a filmes e músicas das décadas passadas. Ri tanto da citação a Eles Vivem que tive que explicar pro meu filho a cena!

Diferente dos outros filmes, este aqui tem um prólogo com atores. Temos Jackie Chan como o dono da loja – e, nas versões com o som original, também como a voz do boneco Mestre Wu. Também estão no elenco original as vozes de Dave Franco, Michael Peña e Justin Theroux, entre outros. Só vi a versão dublada. Pelo menos a dublagem é boa.

Falei do Jackie Chan, né? Claro, pra manter a tradição, tem uma cena pós créditos com os erros de gravação…

Não sei quais os próximos passos deste universo Lego. Mas aguardarei ansiosamente.

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