Cansei de Ser Nerd

Crítica – Cansei de Ser Nerd

Sinopse (imdb): Aírton, um nerd convicto, vai à festa de reencontro de faculdade determinado a desmascarar o ritual assassino de um culto alienígena, limpar seu nome e recuperar o coração de sua alma gêmea. Ah, sim, e também sair vivo.

Recentemente recebi um link que tinha uma denúncia sobre uma rede de cinemas que estava usando uma brecha na regra de cota para exibição de filme nacional. Existe uma animação nacional chamada Zuzubalândia, de dois anos atrás, que é um desenho de apenas sessenta minutos, então essa rede de cinemas programava o desenho para passar cedo, assim que o cinema abre, num horário que o cinema ainda tem pouco movimento, assim eles podem cumprir a cota do cinema nacional e podem guardar os horários com maior público para os filmes que vendem mais ingressos – afinal o cinema também é um negócio, e precisa dar lucro. Claro que essa denúncia foi feita num grupo onde pessoas defendem a cota para filmes nacionais, porque acham que o filme nacional deveria estar no horário nobre do cinema. E heu até concordo parcialmente com isso, mas defendo que o caminho para se resolver isso é outro. Na minha humilde opinião o melhor caminho não é criar uma cota e forçar que o exibidor passe o filme nacional. O que a gente precisa fazer é ter mais filmes nacionais de qualidade. E, principalmente, uma maior variedade.

Quem me acompanha por aqui sabe que heu defendo a diversidade do cinema nacional. Sabe que heu defendo que existam filmes nacionais de gêneros diferentes. O filme nacional não precisa ser sempre selecionado para festivais, não precisa ser sempre um ganhador de prêmios. Pode ser apenas uma diversão leve e divertida. Existe espaço pra filme maomeno gringo, por que não exibir filme maomeno nacional?

Essa longa introdução é para falar que temos a partir desta semana a estreia de um novo filme desses no circuito nacional: Cansei de Ser Nerd. Não é um grande filme, não é um filme disruptivo, não é um filme que trará prêmios para o cinema brasileiro. Mas é uma boa diversão.

Em Cansei de Ser Nerd, um “nerd velho”, acusado injustamente na faculdade pelo desaparecimento e suposto assassinato de uma colega de classe, convence seu melhor amigo a ir com ele à festa de reunião da turma, para enfrentar fantasmas do passado e reencontrar seu crush da época.

O melhor de Cansei de Ser Nerd é o elenco, principalmente o trio principal. O protagonista Fernando Caruso tem carisma suficiente para segurar o filme, ele tem umas sacadas geniais – heu soube que ele acrescentou algumas coisas nerds no roteiro e que fazem todo sentido já que ele é o nerd do título do filme. Essas partes onde ele demonstra o quanto ele é nerd são as melhores coisas do filme. Inclusive, numa delas, me identifiquei: o personagem comenta que só tem camisas com estampas nerds, não tem nenhuma camisa lisa, e ele quer uma camisa lisa para se sentir um cara mais normal. Isso é a minha cara, meu armário não tem nenhuma camisa lisa…

Os dois principais coadjuvantes, Pedro Benevides e Bia Guedes, também funcionam muito bem. O trio tem uma química boa, eles trabalham juntos há tempos num grupo de stand-up chamado Comédia 4K (a quarta integrante do grupo, Thais Belchior, também está no elenco, mas no núcleo dos vilões). Eles funcionam muito bem juntos.

O filme começa bem, o clima de conspiração maluca misturado com invasão alienígena é bem divertido. Pena que a parte final é meio zoada, o roteiro não se decide entre continuar na comédia ou abraçar o cinema fantástico, e o encerramento não funciona muito bem. Além disso, tem uma parte no meio que o filme fica em preto e branco, não gostei dessa opção estética.

Mas mesmo com esse final bagunçado, achei a experiência positiva. Defendo filmes nacionais “fora da caixinha”! Recomendo!

Star Wars: O Mandaloriano e Grogu

Star Wars: O Mandaloriano e Grogu

Sinopse (imdb): Outrora um caçador de recompensas solitário, o Mandaloriano Din Djarin e seu aprendiz Grogu embarcam em uma nova e empolgante aventura de Guerra nas Estrelas.

Como heu comentei no vídeo sobre a série do Darth Maul, é uma boa época para ser fã de Guerra nas Estrelas. Acabamos de ver uma série bem legal e agora temos um longa metragem para o cinema, coisa que não acontecia desde 2019. Sim, há sete anos não tinha um filme novo de Star Wars em cartaz.

Antes de tudo, a resposta para a pergunta que todo mundo tem logo de cara: sim, é um filme baseado na série do Mandaloriano; mas não, você não precisa ver ou rever a série para entender o filme. A história contada no filme é uma história independente, não tem nenhuma conclusão de algo deixado em aberto na série. Mesmo assim, para quem não viu, heu recomendo, a série é muito boa.

No vídeo sobre o evento do 4 de maio, falei que O Mandaloriano e Grogu começa com uma breve aventura para apresentar ao público quem são Mando e Grogu, e depois eles pegam uma missão para encontrar um oficial imperial foragido que está envolvido com Hutts. O filme tem duas horas e pouco, com mais ou menos uma hora de filme, a missão meio que se encerra, e depois meio que continua – ou seja, sim, realmente parece um episódio duplo de série.

Como bem apontou o GG, meu companheiro de Podcrastinadores, o clima lembra O Retorno do Jedi, uma aventura espacial leve e divertida. E o Grogu é um personagem excelente, fofinho e engraçado, duvido que algum espectador não se apaixone por ele.

O visual do filme é lindo. Algumas cenas parecem inspiradas em imagens do ilustrador Ralph McQuarrie, que foi quem criou conceitos de várias das imagens clássicas de Star Wars. E ainda tem um presente para os fãs. Lembram daquela cena no primeiro filme, Guerra das Estrelas, onde o Chewbacca está jogando com o C3PO um joguinho que parece um jogo de xadrez com uns bichinhos em stop motion? Pois é, aqui temos uma arena onde colocam o Mando lutando contra aqueles bichos – essa cena ficou muito legal, (vou colocar um trechinho aqui)!. A trilha sonora de Ludwig Göransson também é muito boa.

O filme tem momentos eletrizantes, mas tem uma parte na segunda metade onde a gente acompanha o Grogu encontrando uma espécie de pescador que tem naquele planeta. É uma sequência que, na minha humilde opinião, se estendeu um pouco demais. Podia ser menor, ficou um pouco cansativa.

No elenco, claro que o protagonista é Pedro Pascal, mas, na verdade, quase não o vemos, ele passa o filme quase inteiro com o capacete, podia ser um dublê. Sigourney Weaver, depois de Alien e Avatar, consegue um papel em outra grande franquia do cinema fantástico. Jeremy Allen White faz a voz do Rotta the Hutt, filho do Jabba. E Martin Scorsese tem uma divertida participação especial como o pequeno alien de quatro braços que está numa espécie de food truck.

Depois da sessão de imprensa, ouvi alguns amigos reclamando. Mas acho que o problema deles era que criaram uma grande expectativa. Porque heu curti o filme. Que venham outros assim!

Maul – Lorde das Sombras

Sinopse (imdb): Depois das Guerras Clônicas, Maul planeja reconstruir seu sindicato criminoso em um planeta que o Império não tocou.

A série Maul – Lorde das Sombras (Maul – Shadow Lord, no original) terminou na semana retrasada, no dia 4 de maio – que é o dia de Star Wars. Mas no dia 4 de maio fui no evento do Mandaloriano e Grogu, então o vídeo da semana foi sobre o evento, em vez de fazer a análise de Maul. Mas agora é o momento, vamos falar da série – e já vou adiantar: gostei muito!

Mas antes de falar da série, queria falar do personagem Darth Maul. Voltemos no tempo. O Retorno do Jedi acabou em 1983 e os fãs de Guerra nas Estrelas ficaram órfãos. A gente tinha que ler livros, ou quadrinhos, ou jogar videogames, porque não existia nenhum material novo de Guerra nas Estrelas. Aí anunciaram a trilogia prequel, que ia começar em 1999, 16 anos depois do Retorno do Jedi. Claro, todo fã estava muito excitado com o que viria por aí. E, claro, todo fã foi ao cinema várias vezes para ver e rever o Episódio 1 A Ameaça Fantasma. Mas quando a gente revê hoje em dia, constata que não é um filme muito bom, a trilogia clássica é muito melhor do que a trilogia prequel. Mas mesmo assim, heu consigo destacar três coisas muito positivas que tinham naquele filme de 99. Uma delas é a trilha sonora, o tema Duel of the Fates, do John Williams, é um tema muito bom. Outra foi o poster, que era um menininho e sua sombra era o Darth Vader – esse poster é genial, tenho um quadro com essa imagem. A terceira era o vilão Darth Maul. Se você tem um novo vilão que vai competir com o Darth Vader, que é um dos vilões mais icônicos do século 20, este vilão tem que ser bom também. E no caso, Darth Maul é um bom vilão.

É um bom vilão, mas foi mal aproveitado. Ele aparece em poucas cenas, e morre no fim do filme, depois de ser cortado ao meio pelo Obi Wan Kenobi (spoiler de 27 anos atrás!). Sim, morre. Mas Star Wars entrou numa onda meio Velozes e Furiosos, onde a morte nem sempre é pra valer. Assim como em V&F personagens morrem e voltam e ninguém se importa, Darth Maul voltou, e já tinha aparecido nas animações Rebels e Clone Wars, além de uma breve aparição no filme do Han Solo. E agora o personagem ganhou uma série para ser o protagonista.

Finalmente chegamos na série. Maul – Lorde das Sombras se passa logo depois do Ep 3, depois das Guerras Clônicas e durante a consolidação do Império. Maul é um fugitivo reconstruindo seu poder no submundo criminoso, num planeta onde o Império ainda não se estabeleceu. Maul encontra uma padawan e um jedi, e quer levar essa padawan para o lado negro.

O visual da animação lembra Rebels e Bad Batch, mas é um pouco mais elaborado. Não entendo de técnicas de animação, então não saberia dizer exatamente qual é a diferença. Pelo meu olhar de leigo, aqueles outros parecem mais “desenhados”, enquanto esse parece mais “pintado”. Sei lá, talvez heu esteja falando bobagem, mas foi a sensação que tive enquanto assistia. Só sei que gostei bastante do traço desta animação.

A série tem um Jedi, uma padawan, um Sith, e depois aparecem dois inquisidores. Ou seja, temos vários duelos de sabre de luz. Para quem curte duelos de sabre de luz, Maul é uma série ótima. E heu sei, é uma animação, mas mesmo assim heu queria elogiar as coreografias de lutas, porque algumas são muito legais.

Sobre o elenco de vozes, Maul tem um atrativo a mais pro público brasileiro: um dos personagens principais é o policial Lawson, dublado pelo Wagner Moura. Sim, o nosso Wagner Moura, indicado a Oscar esse ano, está na série como um dos personagens principais. A única outra voz que eu conhecia era Dennis Haysbert, que faz o Jedi Daki – heu lembro dele como o presidente amigo do Jack Bauer na série 24 Horas. Também acho importante citar o nome Sam Witwer, que faz a voz do protagonista Maul. Witwer já fez vários personagens em filmes, séries e videogames de Star wars, inclusive já tinha feito o Maul em Rebels, Clone Wars, Solo, Lego Star Wars e dois videogames.

Maul tem participação especial de dois personagens que estão em filmes, mas isso é um spoiler, então vou colocar um aviso, depois falo quem são.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Um deles é Dryden Vos, que foi personagem em Solo, e aqui ajuda a gente a situar a época que se passa a série, porque aqui ele era menos poderoso do que no filme do Han Solo.

A outra participação é ninguém menos que Darth Vader. Assim como um amigo meu falou, Darth Vader é como bacon, se você tem uma comida que está gostosa e você adiciona bacon, ela fica melhor ainda. A série já tava boa, e quando entra o Vader, o efeito é parecido com bacon, porque a série fica melhor ainda. Parecia o final de Rogue One, Vader entra lutando contra vários, sem precisar se esforçar muito – tem um trecho onde ele enfrenta três adversários ao mesmo tempo, e só usa uma mão! Heu já estava gostando da série, o último episódio com o Vader ainda melhorou a experiência!

FIM DOS SPOILERS!

Maul fecha a história, mas deixa uma ponta solta para uma provável segunda temporada. Que mantenha o nível!

O Diabo Veste Prada 2

O Diabo Veste Prada 2

Texto curtinho hoje. Não é uma análise crítica. É só uma explicação por que heu achei muito ruim o final de O Diabo Veste Prada 2.

Claro, spoilers liberados, afinal, vou falar do fim do filme.

Vamulá. A Miranda, personagem da Meryl Streep, é uma mulher arrogante, que trata mal todos em volta. É claramente a vilã do filme. Nada contra a interpretação da Meryl Streep, sempre maravilhosa, mas sua personagem é odiável.

Emily, personagem da Emily Blunt, consegue um investidor disposto a comprar a revista. Seu plano é demitir a Miranda e dar uma repaginada na revista – que passa por uma séria crise, já que hoje em dia quase ninguém compra revistas. Me parece um bom plano. Ela vai afastar a vilã e salvar a revista. Emily é uma heroína!

A única falha dela é não abrir o jogo para Andy, personagem da Anne Hathaway, que está tentando ajudar a Miranda. Ok, de repente ela ainda não podia revelar seu plano, mas não precisava ter mentido para a Andy. Foi a única atitude errada dela durante todo o filme.

Mas no final, a trama inventa uma redenção para Miranda e coloca a Emily como vilã da história. Oi? Ela estava tentando salvar todo o resto! E pra confirmar isso, na última cena, Miranda continua sendo arrogante e tratando mal todos em volta.

Essa forçação de barra pra vilanizar a Emily me fez não gostar do filme (que já não estava sendo grandes coisas). Estou errado?

Mortal Kombat 2

Crítica – Mortal Kombat 2

Sinopse (imdb): Os campeões favoritos dos fãs – agora acompanhados pelo próprio Johnny Cage – se enfrentam na batalha final para derrotar o domínio sombrio de Shao Kahn, que ameaça a própria existência do Earthrealm e de seus defensores.

Antes de tudo, uma breve contextualização para quem não me conhece. Heu não tenho o hábito de jogar videogames. Joguei Mortal Kombat umas duas ou três vezes na minha vida e só, não tenho nenhuma referência forte sobre o jogo em si. O filme dos anos 90, heu vi na época, nunca revi, então não lembro de quase nada. Inclusive minhas lembranças se confundem com o Street Fighter de 1994, afinal são filmes quase iguais – heu sei que um dos dois tem o Van Damme, e sei que um tem o Raul Julia e o outro tem o Christophe Lambert, fora isso não lembro de quase nada desses filmes. Heu vi o filme de 2021, que é o importante para este novo, porque afinal este é a continuação daquele. Heu vi e lembro que curti porque tinha mais violência do que um filme comum baseado em videogames, mas fora isso, não achei lá grandes coisas.

Essa longa introdução foi para dizer que heu entrei no cinema para ver Mortal Kombat 2 de coração aberto, sem expectativa nenhuma, e sem a referência dos videogames. E posso dizer que foi uma boa surpresa, curti o filme.

A direção é de Simon McQuoid, que dirigiu o primeiro filme – e só. O currículo do cara tem apenas dois longas, o Mortal Kombat de 2021 e essa continuação. Curioso, não? O cara deve ser um grande fã do videogame…

Mortal Kombat 2 nunca quis ser um grande filme. É apenas um filme baseado num videogame de luta, com personagens bizarros e paisagens exóticas – e MUITA violência gráfica. Mortal Kombat 2 é um filme engraçado, violento e, principalmente, muito divertido.

Claro, o roteiro serve para costurar as lutas, mas não é um bom roteiro, tem umas falhas bizarras. Vou dar só um exemplo aqui: tem um personagem que quer ir para o Underworld, para uma briga que vai acontecer lá. A trama segue em frente, vamos para o Underworld, vemos um bom pedaço da briga, e só depois de um tempão aquele personagem chega lá. Cara, esse personagem veio por onde? Ele fez baldeação em algum lugar? Por que ele demorou tanto tempo para chegar?

Mas quem vai ver um filme chamado Mortal Kombat 2, baseado no videogame, não tá muito preocupado com um roteiro muito coeso, e sim com lutas bem coreografadas e divertidas. E heu queria destacar a qualidade da violência gráfica que a gente vê no filme. Nós estamos acostumados com filmes onde não há muita violência e muito sangue. Mas aqui tem uma quantidade bastante grande de gore, nessa parte o filme é muito bom.

Como heu não conheço bem o videogame, não saberia dizer se os personagens estão bem representados. Mas heu gostei do Johnny Cage do Karl Urban. É um personagem que sabe que não deveria estar lá, que sabe que está um pouco acima da idade correta, mas é um personagem muito bem construído – além de render algumas cenas bem engraçadas. Ah, assim como acontece no primeiro filme, aqui temos algumas boas piadas com referências à cultura pop.

Karl Urban é o maior nome do elenco, e não estava no primeiro filme. O resto do elenco traz basicamente os atores do filme anterior, como Jessica McNamee, Hiroyuki Sanada, Tadanobu Asano e Joe Taslim.

Como falei antes, Mortal Kombat 2 não é um grande filme. Mas acho que os fãs do videogame vão sair satisfeitos da sala do cinema.

Mandaloriano e Grogu – Fan Event

Mandaloriano e Grogu – Fan Event

Ontem, 4 de maio, foi o dia de Star Wars (afinal, em inglês, foi “May the Fourth”, fazendo o trocadilho infame com “May the Fourth Be With You”). Rolou um Fan Event, com direito a exibição de 20 minutos do filme. Foi difícil, mas consegui ir ao evento!

Antes de falar do filme em si, queria falar um pouco do evento. Críticos de cinema não foram convidados. Mandei emails para a assessoria, mas não tive resposta. Então entrei em contato com o Conselho Jedi RJ (CJRJ), o maior fã clube de Star Wars do Rio de Janeiro, mas o CJRJ não tinha acesso ao evento. Por sorte, consegui ser convidado, através de amigos – um agradecimento especial ao Sergio Kamache, apoiador do Podcrastinadores. Mas, pena, parece que a divulgação não foi boa, a sala estava mais ou menos com a metade da lotação – a quantidade de pipoca que sobrou foi enorme! Fica uma dica para a assessoria: num próximo “evento para fãs”, entrem em contato com fã clubes e façam uma parceria. Se o CJRJ tivesse direito a uma parte dos convites, certamente o cinema não estaria tão vazio, e, principalmente, teríamos uma “plateia especializada”, com vários fãs de verdade (ok, reconheço que quem estava ontem também era fã de verdade, mas poderíamos estar em maior número).

Sobre o filme, sem spoilers: vimos o que supostamente seriam os primeiros 20 minutos do filme. Uma sequência inicial empolgante e cheia de ação pra apresentar o Mando e o Grogu, sequência na neve, que tem várias cenas no trailer. Depois tem os créditos iniciais, e vemos Mando e Grogu numa base, negociando com a Sigourney Weaver. Depois vemos o início do que teoricamente deve ser a missão principal do filme, envolvendo Hutts.

Até essa parte, o filme é muito bom. Foi curioso que quando acabou, quase ninguém se levantou, e várias pessoas gritaram “passa de novo!”. Ouvi algumas pessoas depois do filme dizendo que antes não estavam empolgadas, mas agora estavam.

Foi muito bom ver esse trecho do filme. Mas o mais legal foi o social com antigos amigos, fãs de Star Wars, que também conseguiram ir ao evento.

Sei que o correto quando vamos ao cinema é ter uma experiência imersiva – só o espectador e a tela. E entendo quem reclama de fãs empolgados, vi alguns posts reclamando da postura de alguns fãs de Michael Jackson na sua cinebiografia. Mas, como fã, digo que ver um filme desses cercado de outros fãs é uma experiência incrível! Provavelmente teremos uma pré estreia do CJRJ, aguardo ansiosamente!

Top 10 Ficção Científica Ultra Realista (nova versão)

Top 10 Ficção Científica Ultra Realista (nova versão)

Onze anos atrás, fiz uma lista de filmes de ficção científica ultra realista, ou “hard sci-fi”. Boa parte da ficção científica que a gente conhece anda lado a lado com a fantasia, são obras que criam e apresentam situações bem longe da ciência que conhecemos. O hard sci-fi se refere a obras que procuram o caminho oposto à essa fantasia espacial. Na verdade, não precisa ser 100% cientificamente correto, mas precisa pelo menos tentar seguir a ciência que a gente conhece – e pra grande maioria do público, que não é cientista, funciona (digo isso pelo meu exemplo, que sou de Humanas mas sei que o som não se propaga no vácuo). Por exemplo, nada de fogo no espaço.

Resolvi atualizar aquela lista, afinal temos novos filmes que podem entrar. A ordem não vai do pior para o melhor, é apenas uma ordem que faz sentido na minha cabeça…

Vamos à lista?

2001 – Uma Odisséia no Espaço
Marco da ficção científica hard-scifi e um dos mais complexos filmes de Stanley Kubrick, o filme conta a trajetória da humanidade, desde quando macacos, passando pela era espacial e terminando na evolução final da humanidade. Um dos raros casos de FC que não tem som no espaço.

O Homem da Terra
Uma rara FC sem nenhum efeito especial. Podia ser uma peça de teatro, onde um professor universitário, de mudança, se despede dos colegas de trabalho. Tem dois plot twists – o primeiro é genial, o segundo forçou a barra um pouco.

Gattaca – A Experiência Genética
Um apartheid respaldado pela ciência: de um lado, aqueles concebidos de maneira natural, sujeitos a problemas genéticos; do outro, os que vieram de embriões manipulados em laboratório, mais fortes, mais bonitos, mais inteligentes e com menos risco de doença. Tenho certeza de que isso acontecerá num futuro breve.

Ela
Um homem solitário e traumatizado pela separação compra uma IA para lhe fazer companhia. E ele acaba se apaixonando pela IA. Se Gattaca acontecerá num futuro próximo, se bobear Ela já acontece hoje. Não duvido que tenha gente solitária e carente num “relacionamento” com uma IA.

Ex Machina
Um jovem programador ganha um concurso para passar uma semana na casa do seu patrão, para testar uma Inteligência Artificial que ele está desenvolvendo. A premissa que lembra Ela, mas aqui vai um pouco além, já que a IA tem corpo. Mas o questionamento é semelhante: podemos nos apaixonar por robôs?

Interestelar
Christopher Nolan se propôs a fazer um filme “cientificamente correto”, onde, num futuro próximo, um grupo de exploradores usa um recém descoberto buraco de minhoca para ultrapassar os limites da exploração espacial. Filme superestimado pela garotada, Nolan tem vários filmes muito melhores.

Contato
Baseado no livro do renomado Carl Sagan da série Cosmos, o filme relata um contato via radiotelescópio com uma civilização extraterrestre e o impacto sobre a religião e ciência, e a fé que existe em cada um.

Gravidade
Após destroços destruírem sua nave, dois astronautas ficam à deriva no espaço, sem contato com a Terra, lutando contra o tempo e o oxigênio limitado. Planos sequência alucinantes flutuando em órbita da Terra, numa história curta e tensa. A gravidade zero nunca foi tão bem filmada.

Perdido em Marte
Um astronauta é dado como morto e abandonado pela sua equipe em Marte após uma severa tempestade. Sozinho no planeta, com recursos limitados, ele usa inteligência e conhecimento científico para sobreviver e tentar contatar a Terra enquanto aguarda um resgate.

Devoradores de Estrelas
Um professor acorda sozinho em uma espaçonave, sem memória, e descobre ser a última esperança da humanidade. Ok, a gente sabe que astrofágicos não existem, e não temos como saber se um alienígena seria como o Rocky. Mas fora isso, toda a condução da trama é como se fosse tudo real.

Máquina de Guerra

Crítica – Máquina de Guerra

Sinopse (imdb): Segue os recrutas finais de um extenuante campo de treinamento de operações especiais que enfrentam uma força letal vinda de fora deste mundo.

Apareceu na Netflix um novo filme de ação que parece uma nova versão de Predador. Aliás parece uma mistura de Predador com Transformers, afinal tem um robô gigante vindo do espaço.

Um grupo de soldados treina para entrar para os Rangers, que pelo que entendi seria uma equipe de elite do Exército Americano. No meio de uma atividade eles encontram um robô alienígena que sai matando todo mundo. Agora eles precisam dar um jeito de sobreviver e derrotar o robô.

A direção é de Patrick Hughes. Heu já tinha visto dois filmes desse diretor – um foi bom, outro nem tanto assim. Ele fez Dupla Explosiva, que tem uma premissa interessante e um bom elenco: Ryan Reynolds, Samuel L. Jackson e Gary Oldman estão em uma trama onde um assassino profissional precisa de um guarda-costas. Ou seja, o filme é bom, mas não necessariamente por causa do diretor. O outro filme foi Mercenários 3, que é bem inferior ao Mercenários 1 e Mercenários 2. O 3 não é tão ruim quanto o Mercenários 4, que é um lixo e muito pior do que qualquer coisa feita nesse estilo. Não é o pior Mercenários, mas é bem fraco.

Mas o que estão usando para vender Máquina de Guerra não é o diretor, e sim o ator principal Alan Ritchson, que é um ator muito grande e muito forte, e que heu tenho uma certa implicância com ele porque não gostei da sua atuação na série Reacher – mas reconheço que já vi ele atuando em outros papéis e acho que ele funciona melhor fora do personagem Jack Reacher. Por coincidência ou não, Predador também tinha um ator muito grande e muito forte, um tal de Arnold Schwarzenegger. A diferença é que Schwarzenegger tem muito mais carisma do que o Alan Ritchson. Mas, ok, Alan Ritchson é o que a gente tem para hoje, então a gente aceita o filme – mas nesse ponto de comparação, o filme perde para Predador.

Máquina de Guerra tem algumas boas cenas de ação, cenas bem filmadas, com bons efeitos especiais. Agora, a gente precisa reconhecer que o roteiro é completamente previsível. A gente já viu essa história várias vezes antes. Além do mais, tem momentos que parece que estamos vendo uma propaganda militar gigantesca.

Tem outra coisa que piora um pouco o resultado final: o robô assassino gera zero interesse. É um robô genérico, sem nenhuma camada a mais pro espectador se interessar sobre o que é aquilo. Mais um ponto de comparação onde perde para Predador…. Além disso, outra coisa que achei estranha, mas não sei se chega a ser uma falha de roteiro – é que a gente precisa se importar com o protagonista. Mas na verdade, o filme nem chega a dizer o nome do cara!

Além do Alan Ritchson, Máquina de Guerra tem outros dois nomes interessantes no elenco: Dennis Quaid e Esai Morales fazem dois oficiais do Exército. E Jai Courtney tem uma breve participação na introdução. O resto é só pra compor elenco.

A história se fecha, mas claro que Máquina de Guerra termina com um gancho pra uma possível continuação. Se a audiência for boa, podem contar com Máquina de Guerra 2 em breve.

No fim, Máquina de Guerra nem vai desagradar o público alvo. Mas vai ser esquecido uma semana depois.

Lindas e Letais

Crítica – Lindas e Letais

Sinopse (imdb): Um grupo de dançarinas que tenta escapar de uma pousada remota depois que o ônibus quebra a caminho de um concurso de dança.

Surgiu na Amazon Prime um filme novo da 87North. Como heu sempre fico de olho em quem está por trás dos filmes, já fiquei interessado, apesar de desconfiar que o filme não ia lá ser grandes coisas. E a prova disso é que o próprio thumbnail da Prime Video tem o nome errado do filme. O nome do filme é Lindas e Letais e na thumbnail eles colocaram “Linda” e Letais.

(Para quem não sabe o que é 87North: é uma produtora feita por dublês, ou seja, os filmes podem até ser ruins em alguns aspectos, mas as cenas de ação são sempre bem coreografadas e bem filmadas. Um dos fundadores da 87North é David Leitch, ex dublê e diretor de filmes como Trem Bala e O Dublê. Sempre fico de olho nos filmes desses caras!)

Em Lindas e Letais, um grupo de cinco bailarinas, mais a professora, vai para a Hungria para fazer uma apresentação. Mas quando chegam lá, o ônibus quebra e elas acabam presas numa espécie de hotel isolado no meio do nada, onde a professora morre e elas são perseguidas.

Como heu tinha desconfiado, Lindas e Letais tem cenas de ação muito boas, mas o filme é bem fraco. O roteiro é cheio de facilitações. Se a gente fosse fazer uma lista de forçações de barra e de conveniências de roteiro, esse vídeo ia ficar enorme… Só pra citar um exemplo: é um grupo de bailarinas americanas indo viajar para a Europa, e o ônibus quebra, ao lado de uma estalagem. E olha só, a dona da estalagem era bailarina também! Que coincidência, não? Pior, elas pegam chuva quando vão até lá, então precisam trocar de roupa. Qual é a roupa que elas colocam? A roupa da apresentação. Vem cá, você vai viajar para outro continente e não vai levar uma muda de roupas? Como assim?

Pelo menos as cenas de ação são bem feitas. Como acontece nos filmes da 87North, são cenas bem coreografadas e bem filmadas. Se a ideia era colocar bailarinas lutando, então as cinco usam suas roupas de bailarinas, batendo nos adversários enquanto fazem as coreografias de dança. É bastante inverossímil e ficou um pouco caricato, mas pelo menos são lutas divertidas de se ver.

É importante avisar que as lutas são muito violentas, não sei se isso pode causar gatilho em alguém. As meninas apanham muito. Isso às vezes fica bastante desconfortável. A coisa boa é que as meninas apanham, mas elas batem mais ainda, então pelo menos temos um “pay off”.

No elenco, o único nome grande é Uma Thurman – achei que ia ser um daqueles casos onde ela entra para fazer duas ou três cenas e some, isso acontece de vez em quando, vendem o nome de um ator ou atriz como uma isca, mas na verdade ele/ela só aparece em poucas cenas. Mas não, Uma Thurman tem um papel grande aqui, ela é a dona do hotel. Também não elenco, Maddie Ziegler, Lana Condor, Lydia Leonard, Avantika, Millicent Simmonds e Iris Apatow.

Lindas e Letais não é bom, mas para quem curte cenas de ação girl power, com mulheres batendo, vale a pena.

Michael

Crítica – Michael

Sinopse (imdb): Filme biográfico sobre o rei do pop, Michael Jackson. Ele retratará o cantor desde seus primeiros dias até sua trágica morte em 2009.

(Mais uma vez, sinopse errada no imdb. O filme para bem antes.)

Michael Jackson foi um dos maiores nomes da música pop, e morreu há mais de 15 anos. Até que demorou para aparecer um filme sobre a vida dele.

Michael conta a história do Michael Jackson desde o início, quando o Jackson 5 ainda ensaiava, até a época do Bad. Sim, o filme não tem fim. A gente não vê um monte de coisas da carreira do astro e o filme acaba com um gancho para uma possível continuação. Não sabemos se essa continuação vai acontecer, provavelmente o que vai definir isso é a bilheteria. O ponto é que muitas coisas importantes da carreira do Michael Jackson não aparecem. E, principalmente, nenhuma polêmica.

Mas pelo menos tem pontos a serem elogiados. Claro, é um filme contando a história de um cantor pop com muitos sucessos na carreira, então o filme tem vários momentos com as músicas do Michael Jackson. Alguns desses momentos são bem legais.

Na música Don’t Stop Till You Get Enough, Michael Jackson está sozinho dentro do estúdio gravando a voz, enquanto Quincy Jones pilota a mesa de som. Inicialmente só ouvimos a bateria e a voz do Michael, aos poucos Quincy Jones vai colocando os outros instrumentos. Essa cena ficou bem legal.

Billie Jean recria aquele especial de TV da Motown, onde ele está sozinho num palco, e, se não me engano, foi a primeira vez que foi que ele fez o Moonwalk. Por um lado, achei que foi uma cena um pouco longa demais – mas aí lembrei que eu sou fã de Queen e eu gostei do momento longo no fim do filme do Queen quando vemos o concerto inteiro do Live Aid. Ou seja, para o fã de Michael Jackson, ver a cena com a música completa deve ser muito legal. A cena toda está muito boa, ou seja, vale, porque os fãs merecem isso.

Thriller e Beat It também têm bons momentos. Em Beat It a gente vê que Michael Jackson queria dançarinos para o videoclipe, então acompanhamos o início das coreografias, outra cena bem legal. Assim como Thriller, que mostra os bastidores da coreografia dos dançarinos. Mas… Heu tenho dois mimimis, um para cada uma dessas duas cenas. Em Beat It, podia ter mostrado o Eddie Van Halen. Eles citam o nome do guitarrista, a gente ouve o solo. Eddie morreu há pouco tempo. Por que não mostrar lá no fundo um cabeludo sorridente com uma guitarra vermelha e branca? Ia ser uma homenagem bem legal. O outro mimimi é porque igualmente falam do John Landis, mas não mostram o diretor do videoclipe Thriller.

Por outro lado, teve um momento mais para o fim do filme, quando ele está na turnê Victory com os Jacksons, onde vemos Human Nature inteira. Aí já acho que foi um pouco demais – não teve Beat It inteira, não teve Thriller inteira, a gente precisa ter Human Nature inteira? É um momento importante na narrativa do filme, mas não precisa ter a música completa. Acaba que o filme ficou um pouco longo.

(Queria comentar que teve um momento que não conseguia parar de pensar em Guardiões da Galáxia. O jovem Michael vai para um estúdio gravar I Want You Back, e pedem pra ele ficar imóvel, e o garoto não consegue parar de dançar. Então pedem pra ele pelo menos ficar com os pés juntos. Lembrei imediatamente do Baby Groot!)

Jaafar Jackson, sobrinho do Michael (filho do Jermanie), faz um trabalho impressionante: ele está igual ao Michael Jackson. Provavelmente a voz não é dele, mas mesmo assim ele está impressionante, ele está muito parecido com o tio. Sobre o resto do elenco, queria destacar Colman Domingo, que faz o Joseph Jackson, o pai – figura polêmica porque foi ele quem criou o “mito Michael Jackson”, mas para isso praticava torturas físicas e psicológicas. Não sei se o Joseph Jackson da vida real era um cara tão caricato quanto esse, me disseram que sim. Colman Domingo está muito bem. Juliano Valdi, que faz o Michael criança, também é uma boa surpresa.

Heu queria fazer um comentário sobre uma participação de um ator em apenas uma cena. Mike Myers faz um executivo de uma gravadora, numa cena muito boa. O que achei curioso foi que o mesmo Mike Myers também fez um executivo de uma gravadora no filme Bohemian Rhapsody. Fiquei imaginando se poderia ser o mesmo personagem da vida real. No filme do Queen, quando isso acontece, é na época que eles estavam lançando A Night at the Opera, ou seja, por volta de 1973 ou 74. E aqui era quando o Michael Jackson estava querendo entrar na MTV, ou seja, por volta de 83, dez anos depois. Fiquei curioso para saber se era o mesmo cara, mas eu descobri pelos créditos do imdb que são pessoas diferentes.

Michael tem seus momentos, mas, pra mim, o pior do filme é não acabar. Tem várias coisas importantes que aconteceram na vida do Michael Jackson, e o filme não aborda isso, como, por exemplo, Michael Jackson gravou três parcerias com o Paul McCartney, mas McCartney nem é citado no filme. E isso porque não estou falando da quantidade de polêmicas que ele se envolveu e o filme nem cita nada. Provavelmente vai ter um segundo filme que deve abordar esses temas.