A Hora do Mal

Crítica – A Hora do Mal

Sinopse (imdb): Um épico de terror de várias histórias inter-relacionadas sobre o desaparecimento de estudantes da mesma sala de aula em uma pequena cidade.

Já falei aqui diversas vezes: fiquem de olho no diretor do filme, porque muitas vezes pode ser um bom indicativo do que virá pela frente. Lembro quando vi Barbarian / Noites Brutais, primeiro filme escrito e dirigido pelo então desconhecido (pelo menos pra mim) Zach Cregger. Barbarian é daquele tipo de roteiro que é bem diferente do padrão, que realmente surpreende o espectador. Gosto de ver filmes diferentes, então guardei o nome do cara. (Acompanhante Perfeita foi vendido aqui no Brasil com o nome do Zach Cregger no poster, mas ele só era produtor naquele filme.)

(Um parágrafo fora do filme para falar de roteiro. Existe uma “fórmula” usada em Hollywood por 90% dos filmes. Tem um livro muito famoso escrito por Syd Field, O Manual do Roteiro, onde ele explica: mais ou menos meia hora pra apresentar e ambientar a trama e os personagens. Aí acontece um ponto de virada, e a trama anda em outra direção. Mais ou menos meia hora antes do fim, outro ponto de virada que vai apontar a trama para a conclusão. Essa fórmula é muito usada. Não tem nada a ver com a qualidade, um filme bom pode ou não usar a fórmula Syd Field. Mas heu particularmente gosto quando um filme larga a fórmula e segue por caminhos diferentes. E os dois roteiros do Zach Cregger até agora não usam essa fórmula. (Parênteses dentro do parênteses: no livro do Syd Field tem um capítulo que ficou completamente desatualizado, que é quando ele sugere comprar um computador pra escrever o roteiro, porque você tem que reescrever várias vezes, então dá muito trabalho pra reescrever tudo em máquina de escrever…))

Aí apareceu este A Hora do Mal (Weapons, no original), novo filme escrito e dirigido por ele. E mais uma vez um roteiro fora do óbvio. Legal! E melhor ainda: um filmão!

(Parênteses pra falar dos nomes. No original, não entendi por que “weapons”, ou “armas”. Já em português, parece um filme da espantomania dos anos 80, que veio depois de A Hora do Espanto, A Hora do Pesadelo, A Hora do Lobisomem, A Hora da Zona Morta…)

É complicado comentar um filme desses, porque não quero dar spoilers, e acho que você vai ter uma experiência melhor se entrar no cinema sem saber muita coisa. Então, muito por alto: em uma pequena cidade, 17 crianças fogem de casa no meio da madrugada e desaparecem. A partir daí, a história se desenrola sob pontos de vista diferentes. E o roteiro, de maneira inteligente, vai jogando elementos aqui e ali para preencher o quebra cabeças, mas sempre deixando algumas peças de fora, até a parte final, onde finalmente entendemos o que aconteceu.

Mais uma vez, Zach Cregger consegue criar um ótimo clima de tensão ao longo do filme inteiro. O cara sabe posicionar e movimentar sua câmera – em algumas sequências a câmera passeia pelos cenários e o espectador fica tenso na beirada da poltrona! Fiquei envolvido pela trama, e o artifício de mudar o ponto de vista fluiu perfeitamente. O filme é longo, pouco mais de duas horas, e não cansou.

A Hora do Mal não é um “terror de jump scare”, é mais um filme de clima e mistério. Mas tem um ou dois jump scares muito bem construídos! A trilha sonora, que fica boa parte do filme só na percussão, e que também sabe usar o silêncio, também é muito boa e ajuda na construção do clima.

O elenco é bom, e gostei como alguns personagens secundários viram protagonistas dependendo do ponto de vista – me lembrei de Shortcuts, do Robert Altman. Como o filme muda de ponto de vista, o protagonismo é dividido entre Julia Garner, Josh Brolin, Alden Ehrenreich, Benedict Wong e Amy Madigan, todos estão bem (e não comento mais detalhes pra evitar spoilers).

Depois da sessão de imprensa ouvi gente falando mal da parte final. Realmente, A Hora do Mal muda um pouco de tom nessa conclusão da história, e o final do filme gerou gargalhadas no cinema. Mas, não digo por outras pessoas, digo por mim: gostei da mudança.

A Hora do Mal deve estar aqui na minha lista de melhores do ano, não vejo a hora de rever. E agora aguardo o novo projeto do Zach Cregger – seja lá o que for, quero ver!

Preenchimento obrigatório *

You may use these HTML tags and attributes:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

*