Crítica – Garota Dourada
Sinopse: Em um belo recanto do litoral, uma sensual jovem provoca a rivalidade entre dois surfistas que desejam conquistá-la. Um deles tenta esquecer uma antiga paixão mas esta reaparece, deixando-o dividido.
Fazia décadas desde a última vez que tinha visto Menino do Rio e Garota Dourada. Rever Menino do Rio foi uma agradável surpresa, o filme é melhor do que heu lembrava. Já Garota Dourada foi uma outra surpresa, mas negativa. É bem inferior ao filme anterior.
Se passaram alguns anos, vemos Valente com uma filha e separado da Patrícia. Resolve então viajar para Santa Catarina, com a companhia de Zeca, que hoje é um popstar da música. Lá ele conhece Diana, e arranja um novo rival, Betinho.
Sabe qual é o problema? Parece que não desenvolveram direito nenhum dos possíveis plots. Essa história entre Valente, Patrícia e Betinho podia ser um bom triângulo amoroso, principalmente porque Patrícia volta na parte final do filme. Mas não, em vez disso perdemos tempo com uma trama paralela com um ser místico que fala com voz metálica (e, sem legendas, não dá pra entender nada do que ele fala), e que tem um circo, ou algo parecido. Essa sub trama não leva a lugar nenhum e só atrasa o filme.
Tem outro plot secundário mal desenvolvido que é uma fã do Zeca que viaja até onde eles estão e eles acabam ficando juntos. Mas ele briga com ela quando descobre que ela era uma fã. Ué, ele gosta dela, ela gosta dele, por que brigar?
Teve uma coisa que não sei se achei legal. O personagem Pepeu, vivido por Ricardo Graça Melo, morre no primeiro filme. Mas o ator está de volta, interpretando Kid, o irmão do Pepeu, numa outra trama paralela. O problema é que é uma trama besta – além de uma forçação pra incluir uma participação sem graça da Marina Lima.
Ainda existe um problema geográfico. No primeiro filme, Valente viaja para Saquarema e conhece Patrícia, e depois se reencontram no Rio de Janeiro. Ok, são cidades perto, cerca de 100 km de distância, é algo possível de acontecer, pessoas que foram passar um fim de semana numa cidade pequena perto, mas voltam pra cidade grande depois. Mas, Santa Catarina não é tão perto assim do Rio, são mais de mil quilômetros entre Rio e Florianópolis. Todos se reencontrarem no Rio forçou a barra…
Na parte final, temos algumas participações musicais. Tem trechos de shows com Ritchie (com o Lobão na bateria), Guilherme Arantes e Marina (num dueto com Ricardo Graça Melo). Ok, foi legal ver esses momentos musicais.
Sobre a trilha sonora, tem uma história que ouvi de um amigo, mas não consegui confirmar se é verdade ou lenda urbana. No filme Menino do Rio, toca a música Garota Dourada. E segundo diz a lenda, o diretor Antônio Calmon pretendia fazer uma trilogia, e o terceiro filme se chamaria “Menina Veneno” – música que toca na trilha de Garota Dourada. Catei no google, mas não achei nenhuma fonte confiável que confirmasse esse terceiro filme.
No elenco, temos a volta de André de Biase, Cláudia Magno, Sérgio Mallandro e Ricardo Graça Mello. As novidades são Bianca Byington e Roberto Bataglin (como as outras duas arestas do triângulo), e Andréa Beltrão num papel que parece um protótipo da Zelda Scott que ela faria a partir do ano seguinte em Armação Ilimitada (ao lado do André de Biase). Alexandre Frota, estreando no cinema, faz parte da galera que anda com Valente. Geraldo Del Rey e Carlos Wilson também têm papéis importantes. E, segundo o imdb, Marcos Palmeira está no elenco, mas não vi…
Garota Dourada só vale pela nostalgia. Porque infelizmente não é um bom filme.