Sinopse (imdb): Cinco anos após Jurassic World: Domínio (2022), uma expedição desbrava regiões equatoriais isoladas para extrair DNA de três enormes criaturas pré-históricas para um avanço médico inovador.
O que esperar do sétimo filme de uma franquia onde só o primeiro é realmente bom?
Jurassic World: Recomeço (Jurassic World: Rebirth, no original) é mais uma tentativa de reviver uma franquia “cansada”. Tirando o primeiro, Parque dos Dinossauros, que é realmente muito muito bom (além de ser um marco na história dos efeitos especiais no cinema), nenhum dos outros cinco filmes é unânime. E este sétimo filme segue a mesma linha: é apenas mais um.
(Mas preciso ser justo em uma coisa: o sexto filme, Jurassic World: Domínio, é bem mais tosco. Esse sexto filme talvez seja uma unanimidade, mas negativa.)
A direção ficou a cargo de Gareth Edwards, que manja dos paranauês quando o assunto é filme de monstro, ele fez Monstros (2010) e Godzilla (2014). E nesse aspecto, até que tem uns monstros bem feitos aqui – alguns dos dinossauros são mutações genéticas.
Aliás, vou fazer um elogio na premissa inicial. A gente viu seis filmes com as pessoas tentando criar parques com dinossauros, e sempre deu errado. Aí fica a dúvida: pra que insistir? Nisso, Jurassic World: Recomeço tem mais lógica. Passaram alguns anos, e os humanos não dão mais bola para os dinossauros, não existe mais a novidade, os bichos meio que viraram pragas indesejadas. Ao mesmo tempo, os dinossauros não se adaptaram ao novo clima do planeta, e estão morrendo. Os dinossauros que ainda sobrevivem ficam perto da linha do Equador, onde o clima é mais propício para eles. E essa região fica proibida para humanos. Tá, este conceito inicial me convence mais do que a ideia de criar um novo parque.
Podemos fazer outro elogio a algumas cenas de ação. A sequência do barco é boa, emocionante, lembra Tubarão (coincidência ou não, Steven Spielberg é produtor aqui). E na parte final, o monstrão mutante me lembrou o visual do Rancor, de O Retorno de Jedi. A trilha sonora de Alexandre Desplat, que usa alguns temas da clássica trilha do John Williams, também funciona bem.
Agora, como nos filmes anteriores, o roteiro tem suas derrapadas. A gente acompanha uma equipe de mercenários que vai coletar amostras de sangue de dinossauro pra uma empresa farmacêutica. Até aí ok. Mas no meio do caminho, encontram uma família que estava passeando de barco. Oi? A introdução do filme não nos disse que aquela região estava proibida para humanos? Por que diabos aquelas família estava lá?
E o pior é que a família tem personagens horríveis. O pai é péssimo, está o filme inteiro com a mesma cara, e determinado momento ele machuca a perna, e partir daí, ele alterna algumas cenas onde não consegue andar, com outras onde ele anda normalmente. E a menininha também é bem fraca, tanto a atriz quanto a personagem. E como é uma família resgatada de um naufrágio, a gente sabe que nenhum deles vai morrer. Aliás, isso é um problema aqui, a gente já sabe que alguns personagens entraram na trama só pra morrer.
Some-se a isso algumas sequências que não fazem muito sentido. Uma delas tenta emular a clássica cena do primeiro filme, onde os personagens veem os dinossauros pela primeira vez. Aqui é parecido, eles estão num local com mato alto, da altura de um humano em pé. Aí de repente vários dinossauros com a altura de prédios de três andares começam a surgir. Galera, o mato era alto pra esconder um humano, mas não era tão alto assim! E o “dinossauro pet” deve estar lá só pra vender bicho de pelúcia.
Falei mal dos personagens da família desnecessária, mas o filme também tem outros personagens ruins, O vilão do Rupert Friend é caricato ao extremo. Se salvam Scarlett Johansson e Mahershala Ali, não pelos personagens, mas pelo carisma dos atores.
No fim, fica aquela sensação de mais do mesmo. Não é bom, mas também não é ruim, é apenas mais um. E aguardemos, porque o subtítulo “recomeço” indica que teremos mais continuações em breve.
