Crítica – Rádio Pirata
Sinopse (imdb): Após descobrir uma fraude em um centro de processamento de dados, um casal é falsamente acusado de assassinato. Escondidos em uma van, eles montam uma rádio pirata para tentar mobilizar a opinião pública.
E vamos ao terceiro (e último) filme do Lael Rodrigues!
Se Bete Balanço e Rock Estrela são bem parecidos, Rádio Pirata já é um pouco diferente. Tem menos números musicais e uma história mais bem elaborada. Quase poderia ser o melhor dos três filmes – mas tem um final tão ruim que acaba sendo o pior.
Começo por uma coisa que não entendi: Bete Balanço e Rock Estrela usam a músicas homônimas como tema principal, aquela que toca mais de uma vez, na abertura e durante o filme. Aqui não. Não tem a música Rádio Pirata, do RPM; o tema do filme é Brasil, do Cazuza. Não achei informações, mas desconfio que tenha rolado algum problema de direitos autorais.
No filme, o protagonista Pedro Bravo (Jaime Periard) descobre uma fraude no trabalho e acaba envolvido em uma grande conspiração que coloca sua vida em risco. Na mesma época, ele conhece Alice (Lídia Brondi), e começam namorar. Ela ajuda ele a montar uma rádio pirata para denunciar a fraude.
Sim, é uma trama mais densa que os outros dois filmes. Mas ainda tem algumas tosqueiras com cara de videoclipe, como a participação do grupo teatral Banduendes. Entendo que a personagem da Lídia Brondi precisava ter algum background, mas essa saída ficou bem tosca, e destoa do clima mais sério do resto do filme.
(Coisas da minha memória… Lembro do segundo disco da Blitz, no encarte dizia que a música “Apocalipse Não” tinha “participação especial de Banduendes por Acaso Estrelados”. Quarenta anos depois, sei quem são esses tais Banduendes!)
Rádio Pirata tem algumas cenas muito boas. Tem até uma perseguição de carros por Santa Teresa impressionantemente bem filmada. Agora, o roteiro tem suas falhas. Por exemplo, em determinado momento, bandidos armados entram na casa de Pedro para matá-lo, mas ele consegue fugir de asa delta. A fuga não foi um problema, ele morava numa casa onde tinha uma asa delta, e dava pra pular de lá. O problema é que logo na cena seguinte ele volta pra casa e nunca mais ninguém se preocupa com os bandidos. Caramba, se o objetivo dos caras era uma “queima de arquivo”, eles iam voltar!
Mas nada é pior do que o final. Lembro de ter visto no cinema na época do lançamento e não me lembro do final ser tão chocante. Vou falar, mas antes, os avisos de spoiler.
SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!
O casal de mocinhos tem um plano: sequestrar a filha do vilão. Sério, o plano deles é um sequestro de uma criança. Mas calma que fica pior. Eles trocam a menina pelo vilão, que acaba confessando, e eles captam o áudio e jogam ao vivo pela rádio pirata, no meio de um jogo de futebol, e milhares de pessoas ouvem essa confissão. Ok, os mocinhos cometeram um crime, mas era pra conseguir desmascarar o vilão, certo? Que nada. Depois da confissão, Alice dá um tiro no peito dele e o mata a sangue frio. Ou seja, os mocinhos terminam o filme como sequestradores e assassinos. Sério que nos anos 80 ninguém achou isso estranho?
FIM DOS SPOILERS!
Se não fosse esse final, Rádio Pirata seria um filme bem melhor do que Bete Balanço e Rock Estrela, apesar dos Banduendes caricatos. Vemos um nítido amadurecimento do Lael Rodrigues na parte narrativa. Mas esse final é tão ruim que, se for pra rankear os três, Rádio Pirata fica em último.