A Noite nos Persegue

Crítica – A Noite nos Persegue

Sinopse (Netflix): Após poupar a vida de uma garota durante um massacre, um assassino de elite se torna o alvo do ataque de criminosos.

Quem me acompanha por aqui sabe que curto o cinema de ação feito na Indonésia, desde que vi o primeiro The Raid no Festival do Rio de 2011. Consegui ver The Raid 2 no cinema, numa viagem ao exterior. E vi Headshot no mesmo Festival do Rio, só que em 2016. Quando vi no Netflix um filme novo, com os nomes Timo Tjahjanto, Iko Uwais e Julie Estelle nos créditos, claro que me empolguei.

A Noite Nos Persegue (The Night Comes for Us, no original) é a primeira produção original Netflix feita na Indonésia. A direção e o roteiro são de  Timo Tjahjanto, desta vez sem seu parceiro habitual Kimo Stamboel (eles co-dirigiram Headshot, Macabre e Killers). E aviso logo: é um filme MUITO violento.

Claro que quem vai ver um filme desses espera ver lutas violentas. Mas, sério, acho que nunca vi uma violência gráfica tão grande. O gore aqui é maior do que em filmes de terror! Ou seja, temos lutas bem coreografadas, muito “tiro porrada e bomba”, e muito, muito sangue.

Por outro lado, a história é meio fuén. O clichê de sempre: um super mega blaster assassino profissional resolve se redimir e larga tudo pra proteger uma criança. Aí toda a organização vai contra ele. Tem uma subtrama com hierarquias do submundo do crime, os tais “seis mares”, mas o filme foca mais na porradaria.

E, quem quer ver porradaria, dificilmente vai se decepcionar. São muitas sequências, de vários estilos, com armas de fogo, com armas brancas, sem armas, homem contra homem, mulher contra mulher, explosões, pedaços de corpos decepados, o cardápio é vasto. Heu prefiro a câmera do Gareth Evans (The Raid), mas o Timo Tjahjanto não decepcionou.

No elenco, o onipresente Iko Uwais (estrela dos três filmes citados no segundo parágrafo, e o cara ainda tem tempo de fazer 22 Milhas com o Mark Wahlberg e Triple Threat com o Tony Jaa) desta vez não é o principal. O protagonista é Joe Taslim, que também era um dos principais do primeiro The Raid, e que teve papeis menores em Velozes & Furiosos 6 e Star Trek: Sem Fronteiras. Julie Estelle, a Hammer Girl do segundo The Raid, é terceiro nome do elenco, mas aqui tem outras mulheres lutando, Hannah Al Rashid e Dian Sastrowardoyo. Também no elenco, Zack Lee, Abimana Aryasatya, Sunny Pang e Salvita Decorte.

(Segundo o imdb, Yayan Ruhian, Arifin Putra, Cecep Arif Rahman e Very Tri Yulisman, todos com papeis importantes nos The Raid, estavam inicialmente no elenco deste A Noite nos Persegue, mas tiveram que abandonar o projeto por conflitos na agenda)

Tjahjanto disse que este é o primeiro de uma trilogia, e que o próximo filme será centrado na personagem da Julie Estelle. Já que aparentemente não teremos o terceiro The Raid tão cedo, esse passa a ser a minha próxima expectativa indonésia!

Headshot

HEADSHOT-PosterCrítica – Headshot

Mais um filme de ação vindo da Indonésia!

Sinopse tirada do site do festival: “Um homem acorda em um hospital depois de sofrer um traumatismo craniano sem se lembrar quem é e como foi parar ali. Ele se recupera com a ajuda da jovem médica Ailin, que lhe dá o apelido de Ishmael, em homenagem ao protagonista de Moby Dick. Mas logo o passado de Ishmael vem bater à sua porta: Lee, um chefão da máfia com influências na polícia e no judiciário, sequestra Ailin, e Ishmael precisa lutar contra um exército mortal para recuperá-la. E não demora para que fragmentos de seu passado comecem a vir à tona, dando forma ao quebra-cabeça de quem ele realmente é. Toronto 2016.

Há uns meses atrás, heu estava navegando pelo imdb quando descobri um filme novo da Julie Estelle, a Hammer Girl de The Raid 2. Melhor ainda: o elenco ainda tinha Iko Uwais (o protagonista da série The Raid) e Very Tri Yulisman, o Basebal Bat Man. Legal! Será que isso chegaria no Brasil?

Foi uma agradável surpresa quando abri a programação do Festival do Rio 2016 e vi Headshot (idem no original) na mostra Midnight Movies (lembrando que vi o primeiro The Raid na mesma Midnight Movies do Festival de 2011). Provavelmente a única oportunidade de ver o filme nos cinemas tupiniquins.

A direção está nas mãos dos “Mo Brothers”, Kimo Stamboel e Timo Tjahjanto (também roteirista), que têm carreira no terror – antes fizeram Macabre (um slasher com a mesma Julie Estelle no elenco), Killers (sobre dois assassinos de países diferentes que se comunicam pela internet), e, em parceria com Gareth Evans (diretor dos dois Raid), Safe Heaven, uma das poucas coisas que se salvam na série V/H/S. Ou seja, já dava pra desconfiar que, apesar do elenco, este não é um “The Raid 3”.

Headshot não é terror. Mas tem muito mais sangue jorrando do que os Raid,  e as lutas deixam muito mais hematomas. A violência gráfica é grande! Mais: sempre que rolam tiros, a câmera balança. Aí a gente vê como é um filme de ação feito por gente acostumada a fazer terror…

A trama não traz nenhuma novidade. O plot twist do roteiro é meio óbvio, quem for ao cinema atrás de uma história mais elaborada pode se decepcionar. Digo mais: achei bem forçada a relação médico / paciente mostrada – será que isso é comum na Indonésia? Agora, quem quiser ação vai encontrar um prato cheio. Lutas bem coreografadas (pelo próprio Iko Uwais), muito tiro, muito sangue. Daqueles filmes que dá vontade de rever só pra curtir mais uma vez as cenas de ação.

Sobre o elenco, o imdb tá todo errado. Uwais é o protagonista, apesar do seu nome ser o sétimo da lista. O primeiro nome no imdb é Julie Estelle, e passei o filme inteiro achando que ela era a médica. Na verdade os papéis principais são de Uwais e Chelsea Islan, que interpreta a médica. Estelle e Yulisman fazem Rika e Besi, capangas do chefão, interpretado por Sunny Pang – que apesar de ter um grande currículo, admito que não conhecia. Aos poucos vamos conhecendo atores indonésios…

A notícia ruim é que um filme desses dificilmente será lançado nos cinemas brasileiros. Mais uma vez a Indonésia mostra que tem cinema de ação de qualidade e que poderia peitar Hollywood, mas a maior parte das pessoas nem vai ouvir falar…

Macabre

Macabre-PosterCrítica – Macabre

Depois de ter visto The Raid 2 – Berandal, fiquei curioso pra ver outro filme com a Julie Estelle, a “Hammer Girl”. Achei este filme de terror, co-produção entre Singapura e Indonésia. Gosto de terror oriental, vamos ver qualé?

Cinco amigos dão carona a uma misteriosa mulher. Ao deixá-la em casa, aceitam o convite para ficarem para o jantar. Grande erro.

Ok, a trama não é nada demais, a gente já viu essa história outras vezes – mais alguém se lembrou de O Massacre da Serra Elétrica e Quadrilha de Sádicos? O que Macabre tem de diferente é a quantidade de sangue e gore. Acho que desde Martyrs não vejo tanto sangue!

O clima de terror presente no filme é muito bem construído. E o melhor é que o terror é “real” – Macabre tem um elemento sobrenatural, mas o foco da trama é a dor e o sofrimento das pessoas que estão ali. E vou te falar que pulei da poltrona na cena que Astrid tem a mão machucada.

No elenco, temos dois dos atores de The Raid 2: Julie Estelle e Arifin Putra. Ok, foi legal rever os atores de um dos melhores filmes de 2014, mas Macabre é aquele tipo de filme onde o talento do ator não é tão importante. Quem chama a atenção é Shareefa Daanish, com sua Dara com cara de maluca. No resto do elenco de rostos conhecidos, achei alguns exagerados, mas isso é algo comum no cinema oriental.

Agora tenho que catar mais filmes dos diretores Kimo Stamboel e Timo Tjahjanto, os “Mo Brothers”. É, tô ficando fã do cinema indonésio, já vi que tem outro filme dos irmãos lançado este ano…

The Raid 2 – Berandal

0-TheRaid2-posterCrítica – The Raid 2 – Berandal

Quando pesquisei quais filmes estariam em cartaz em Londres na mesma época da minha viagem, planejei os pontos imperdíveis da minha viagem: London Eye, Madame Tussaud, o musical We Will Rock You, Camden Town – e uma sessão de cinema para ver The Raid 2 – Berandal.

A sinopse: depois de sobreviver ao primeiro filme, Rama agora tem que virar um policial infiltrado em uma guerra da máfia em Jakarta, Indonésia.

Para quem não viu: o filme indonésio The Raid Redemption, lançado aqui em dvd/blu-ray como Operação Invasão, é um dos melhores filmes de ação dos últimos tempos. Pena que foi mal lançado e quase ninguém conhece.

Agora veio a continuação, escrita, dirigida e editada pelo mesmo Gareth Evans. Se o primeiro filme é um diamante bruto de testosterona, este segundo filme é um diamante do mesmo quilate, só que lapidado. Se no primeiro The Raid a ação é toda em uma trama linear, e tudo acontece dentro do prédio; agora temos vários climas, vários cenários, vários personagens. E a violência extrema continua lá. E ainda melhorada.

Olha, vou contar para vocês: a violência nunca foi mostrada assim antes na história do cinema. Nunca antes o sangue jorrou de maneira tão bela! Estamos acostumados com o “padrão Marvel de violência” – sem sangue, sem gore. A violência aqui é crua, bem longe de Hollywood. A quantidade de sangue derramado e de ossos quebrados é muito grande, com detalhes visuais que chamam a atenção – a ponto de vermos um tiro de escopeta explodindo uma cabeça, sem corte.

Mas não falo de violência gratuita, está bem longe dos “torture porn” como O Albergue ou Jogos Mortais. A violência aqui acontece por causa das lutas. E, meus amigos, que lutas! Se no primeiro filme tínhamos umas duas ou três lutas memoráveis, aqui são mais de dez sequências antológicas, como a briga na lama do presídio e a excelente (e longa) luta final na cozinha.

Dois ótimos vilões novos aparecem, e, pena, foram pouco aproveitados. Mas as duas sequências com a Hammer Girl e o Baseball Bat Man são sensacionais. Digo mais: toda a “sequência do metrô” é uma aula de cinema – narrativa dividida em três, com uma trilha sonora instrumental perfeita sublinhando a tensão na dose exata. E a violência extrema correndo solta, o que a menina bate com os martelos deixaria a Beatrix Kiddo orgulhosa. Foi pouco, mas já prevejo um culto à Hammer Girl.

Falei que The Raid 2 não era linear como o primeiro, certo? E o que podemos dizer sobre a cena de perseguição de carro? Acho que nunca vi algo assim feito em Hollywood. Quase dá pra ouvir “chupa, Velozes e Furiosos!”…

O elenco, claro, traz de volta Iko Uwais, que está sendo comparado com Bruce Lee, e não é à toa – a cena (que está no trailer) onde ele pratica dando socos em uma parede não foi acelerada, ele bate daquele jeito mesmo! Uwais está presente em quase todas as lutas, acho que as duas únicas sem ele são com Yayan Ruhian, que fez o Mad Dog no primeiro filme (e que também estava em Merantau, primeiro filme de Evans, também estrelado por Iko). Outro excelente ator-lutador, a sequência do facão é impressionante. Ainda no elenco, Julie Estelle, Arfin Putra, Oka Antara e Alex Abbad.

A notícia triste é que, assim como o primeiro, The Raid 2 também está sendo muito mal vendido. Não tem previsão de passar no Brasil, assim como o primeiro, que foi direto para o mercado de home video. E, na sessão que vi, em Londres, tinham apenas 5 pessoas na sala do cinema – sendo que um casal de idosos saiu na metade do filme.

Depois de The Raid 2, o telefone do Gareth Evans deve estar frenético. Os Stallones, Stathams e Diesels da vida devem estar tentando contratá-lo para a sua estreia hollywoodiana (assim como Van Damme, que trouxe John Woo para os EUA em 1993). Mas vão ter que esperar, segundo o imdb, Evans agora está na pré produção de The Raid 3 – desde já um dos filmes mais esperados da década.

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Heu em Londres!