Loucos e Perigosos / Once Upon a Time in Venice

Once upon a time in veniceCrítica – Loucos e Perigosos / Once Upon a Time in Venice

Um detetive veterano de Los Angeles busca a implacável gangue que roubou seu cachorro.

Outro dia vi no filmeb que este filme estava pra estrear. Claro que um filme com Bruce Willis, John Goodman, Jason Momoa e Famke Janssen entra no radar, né? Mas a estreia foi adiada, e agora está sem previsão de entrar em cartaz. Então vamos logo ao texto?

Depois de ver o filme, entendi por que está sendo adiado indefinidamente. Once Upon a Time in Venice (que, segundo o imdb, vai se chamar Loucos e Perigosos aqui no Brasil) é uma grande decepção – principalmente se a gente lê a lista de nomes no elenco.

Dirigido por Mark Cullen, Once Upon a Time in Venice tem cara daquelas comédias meio sem graça que, na época das videolocadoras, serviam pra encher os catálogos como “filmes de apoio” – filmes com menos “star power”, que eram vendidos ao lado dos grandes lançamentos. Ou seja, um filme dispensável.

A edição e a trilha sonora ainda tentam criar um ar “cool”, mas tudo é tão bobo que o filme não decola nunca. Além de muitas piadas sem graça, são várias situações forçadas e sem sentido – tipo, se o amigo tem dinheiro pra pagar o empréstimo feito com o agiota russo, por que não pedir antes a ele no lugar do agiota? E, na boa, o Bruce Willis pelado andando de skate não ficou engraçado, ficou constrangedor.

O filme é tão esquisito que o personagem principal era pra ser o do Bruce Willis, mas o filme tem uma narração em off feita pelo desconhecido Thomas Middleditch (o nome do cara é o oitavo na página do filme no imdb!).

Sobre o elenco: se Bruce Willis parece estar no piloto automático, pelo menos John Goodman está bem, quase faz o filme valer a pena (heu disse “quase”!). Jason Momoa até está engraçado, mas aparece pouco; Famke Janssen tem um papel minúsculo. Ainda no elenco, Jessica Gomes, Adam Goldberg e Emily Robinson, além do já citado Middleditch.

O final do filme tem um gancho pra continuação, que espero que não venha.

Terminado o filme, fico com a impressão de que Loucos e Perigosos não vai chegar nunca aos cinemas. Mas daqui a pouco deve aparecer nos Telecines da vida.

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Feito na América

feito-na-americaCrítica – Feito na América

Nos anos 80, um piloto da TWA que contrabandeava charutos cubanos é recrutado pela CIA para executar operações secretas, mas acaba trabalhando também para o Cartel de Medelín. Baseado em fatos reais.

Algumas histórias são tão fascinantes que a história em si vale mais que o filme baseado nela. É o caso aqui.

Não que Feito na América (American Made, no original) seja ruim. O filme é legal. Mas a história de Barry Seal é muito mais interessante que o filme em si. Quando acabou a sessão, me vi imaginando se o protagonista conseguiria se safar das enrascadas onde ele estava se metendo – cada vez mais fundo.

(Parágrafo 1: Li em algum lugar que Barry Seal foi personagem da série Narcos. Fui ver no imdb, nos últimos dois anos, Seal apareceu algumas vezes: além de Narcos, também esteve na série America’s War on Drugs e no filme Conexão Escobar, interpretado pelo Michael Paré).

(Parágrafo 2: A sinopse lembra muito o filme Profissão de Risco, lançado em 2001 e estrelado por Johnny Depp. Mas este foi baseado na história de George Jung, outro piloto que também trabalhou pro Cartel de Medelin.)

A direção é de Doug Liman, que já tinha trabalhado com Tom Cruise em No Limite do Amanhã, e que estava em cartaz até “ontem” com Na Mira do Atirador. Liman tem uma carreira versátil, faz filmes bem diferentes um do outro (Vamos Nessa, Sr e Sra Smith, Identidade Bourne, Jumper), mas normalmente mantém o nível. E ele faz um bom trabalho aqui. Feito na América tem um bom ritmo e uma excelente reconstituição de época, além de ser divertido e bem humorado.

Cruise faz o de sempre. Mas ele combina com o papel – Barry Seal tem que ser um cara carismático (afinal, ele não é exatamente um “mocinho”, né?). Também no elenco, Domhnall Glesson, Sarah Wright, Jesse Plemons, Alejandro Edda, Caleb Landry Jones e Jayma Mays.

Enfim, nada essencial. Mas quem for ver Feito na América não vai se arrepender.

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Dupla Explosiva

dupla-explosiva-posterCrítica – Dupla Explosiva

O melhor guarda-costas do mundo recebe um novo cliente, um velho inimigo, que que deve testemunhar na Corte Internacional de Justiça em Haia. Eles devem colocar suas diferenças de lado e trabalhar juntos para chegarem ao julgamento no tempo.

Apesar de ter um nome nacional horrível (parece filme para a Sessão da Tarde!), Dupla Explosiva (The Hitman’s Bodyguard, no original) é uma agradável surpresa, uma boa mistura de ação com comédia.

Com muito bom humor e uma edição ágil, cheia de cortes rápidos e flashbacks, o diretor Patrick Hughes consegue aqui um resultado bem melhor que o seu último trabalho, o fraco Mercenários 3. Ok, não vemos nada de novo. Mas pelo menos o feijão com arroz está bem temperado.

Acho que o grande mérito aqui é dos dois atores principais. Ryan Reynolds e Samuel L. Jackson parecem estar se divertindo muito – ambos são carismáticos e têm bom timing para o estilo. Dupla Explosiva não é uma comédia de ação, e sim um filme de ação bem humorado – existe uma sutil diferença na proposta entre um Anjos da Lei e um Em Ritmo de Fuga, por exemplo.

Claro que os dois são destaques. Mas outros dois nomes também merecem ser citados. Salma Hayek está ótima como a esposa do Samuel L. Jackson – o flashback que mostra como eles se conheceram é sensacional. E Gary Oldman está ótimo, como sempre, interpretando o vilão bielorrusso. Também no elenco, Elodie Yung, Richard E. Grant, Joaquim de Almeida e Tine Joustra.

Um aviso: uma piada presente no trailer não aparece no filme. O trailer brinca com o nome “Guarda Costas” e usa a icônica música da Withney Houston. Mas a música não aparece no filme.

Ah, tem uma cena pós créditos, um erro de gravação. Me identifiquei, já passei diversas vezes pelo mesmo problema na minha carreira de diretor independente.

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Atômica

AtomicaCrítica – Atômica

Em 1989, uma agente do MI6 é enviada a Berlim para investigar o assassinato de um colega e recuperar uma lista desaparecida de agentes duplos.

Quando vi os dois John Wick, reparei que as sequências de ação eram extremamente bem filmadas. Os diretores do primeiro filme, Chad Stahelski e David Leitch, têm uma vasta carreira como dublês e como coordenadores de dublês. Atômica (Atomic Blonde, no original), o primeiro projeto solo de Leitch, é uma adaptação da HQ “The Coldest City”, escrita por Antony Johnston e ilustrada por Sam Hart (que é inglês, mas vive no Brasil). E, se John Wick já era empolgante, agora temos cenas de ação com a mesma veracidade e violência, mas dentro de um pacote muito mais elaborado. Bom elenco, boa fotografia, boa trilha sonora, cenas de ação de tirar o fôlego… Estamos diante de um dos melhores filmes do ano!

As cenas de “tiro porrada e bomba” são excelentes. Como o diretor manja dos paranauês no que diz respeito a dublês, tomou cuidado com detalhes que normalmente passam despercebidos, como o modo dos personagens portarem suas armas, ou um personagem que leva uma facada nas costas e depois sente a dor desta facada (já repararam que nos filmes os personagens “se esquecem” das dores?).

São várias sequências antológicas. Mas uma delas chama a atenção: um plano sequência de mais de dez minutos, onde personagens entram num prédio: tiro, porrada, porrada, tiro, sangue, mortes, mais tiro, mais porrada, gente rolando escada abaixo, mais tiro, mais porrada, mais sangue, mais mortes, personagens saem do prédio, entram num carro, começa a perseguição, carro batendo, carro capotando… Tudo sem corte!!! Ok, houve cortes. Li no imdb que foram cerca de 40 planos, emendados digitalmente. Mas não tiro o mérito da concepção de uma cena assim. Sr. Leitch, antes você tinha a minha curiosidade; agora você tem a minha atenção. ;-)

A trilha sonora merece um parágrafo à parte. Como o filme se passa em 1989, a trilha só traz clássicos oitentistas. New Order, Depeche Mode, George Michael, David Bowie, Siouxsie and the Banshees, The Clash… Todas bem inseridas no contexto.

Charlize Theron já tinha mostrado que é muito boa em filmes de ação (ela foi o highlight do último Mad Max, e ainda entrou pra franquia Velozes e Furiosos). Mas este é o seu melhor momento no estilo. Ela está linda – como sempre – e sai na porrada de um modo que ninguém vai sentir falta dos velhos “action heroes”. Aliás, já existe a expressão “action heroin”? Se ainda não existe, pode ser inaugurada aqui.

Falei da Charlize Theron, o grande nome aqui. Mas ainda não falei do resto. James McAvoy mostra mais uma vez no mesmo ano (pouco depois de Fragmentado) que é um dos melhores atores da atualidade. Sofia Boutella não está mal, mas heu esperava mais de seu personagem (afinal, não podemos nos esquecer que ela mostrou habilidades em KingsmanStar Trek). O elenco ainda conta com John Goodman, Toby Jones, Eddie Marsan, Bill Skarsgård e Til Schweiger.

Atômica: um filme para ver e rever, e depois comprar o blu-ray.

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Zaschitniki / The Guardians

zashchitniki_posterCrítica – Zashchitniki / The Guardians

Durante a Guerra Fria, uma organização chamada “Patriot” criou um esquadrão de super-heróis, que incluía membros de múltiplas repúblicas soviéticas. Durante anos, os heróis tiveram que esconder suas identidades, mas em tempos difíceis eles devem aparecer novamente.

Um tempo atrás, “pelas internetes da vida”, rolou um trailer de um filme russo de super-heróis. Finalmente o filme está pronto e disponível!

É complicado julgar um filme como Zaschitniki (The Guardians, em inglês). A concorrência hollywoodiana é desleal, hoje temos muitas boas opções no estilo. Claro que um filme de um país sem tradição em blockbusters tende a ser inferior.

É o caso aqui. Dirigido por Sarik Andreasyan e estrelado por Sebastien Sisak, Anton Pampuchniy, Sanzhar Madiev, Alina LaNina, Valeria Shkirando e Stanislav Shirin, Zaschitniki tem algumas boas ideias, mas muita coisa parece reciclada de outros filmes de super heróis – tem um “Magneto”, mas que move pedras em vez de metais; um “Noturno”, que tem até as nuvenzinhas que ficam no ar quando se move; além de dois personagens com superpoderes “comuns” – uma mulher que fica invisível e um homem que vira urso. Mas o pior é o vilão, um fortão genérico, com um plano tão confuso que ninguém entendeu o que ele queria. Ah, tem um clone da Brigitte Nielsen da época do Rocky IV.

Sobre os efeitos especiais, alguns realmente não convencem, mas outros estão num nível excelente. Tem uma cena com a “Sue Storm genérica” na chuva que é mais bem feita que o último filme da Sue Storm oficial.

No fim, fica assim: se comparar com o cinema contemporâneo de super-heróis, perde feio. Mas se a gente pensar que é um filme russo, sem dinheiro hollywoodiano e sem atores conhecidos, até vale ser visto.

E quem venham mais filmes de super heróis off Hollywood!

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Em Ritmo de Fuga

Em Ritmo de FugaCrítica – Em Ritmo de Fuga

Um jovem piloto de fugas, que devido a um problema no ouvido, ouve música o tempo todo, é coagido a participar de um roubo condenado a falhar.

Fim do ano passado gravamos um podcast sobre as “expectativas para 2017″. Um dos filmes na lista era um tal de “Baby Driver”, e na época não tínhamos nenhuma informação sobre o filme. Mas, quando li que o diretor era Edgar Wright, falei “aguardo ansiosamente”. Riram de mim. Mas agora ninguém mais ri. Caros leitores, estamos diante de um dos melhores filmes do ano!

Edgar Wright fez poucos filmes, mas até agora não errou – pelo menos não segundo o meu julgamento. Sou muito fã da trilogia Cornetto (Todo Mundo Quase Morto, Chumbo Grosso e Heróis de Ressaca), e também gosto de Scott Pilgrim. E digo mais: acho que Wright fez um filme ainda melhor do que os anteriores com este Em Ritmo de Fuga (Baby Driver, no original). será que finalmente seu nome entrará para o primeiro escalão?

A história em si não tem nada demais. Mas a edição do filme é primorosa. Todos os ruídos em cena são sincronizados com a trilha sonora. O filme não é um musical, mas mesmo assim, tudo é coreografado.

Logo no início do filme temos um plano sequência sensacional quando Baby vai comprar café. Tudo se encaixa neste balé entre a câmera, a música que estamos ouvindo e as movimentações dos atores. Li no imdb que a cena foi repetida vinte e oito vezes! Valeu a pena…

Outro exemplo é a cena que usa Hocus Pocus, da banda holandesa Focus. Essa música já tinha sido bem utilizada no Robocop do José Padilha, mas aqui ficou ainda melhor. Os tiros estão no ritmo da música!

Ah, desconfio que Edgar Wright deve gostar de Queen. Em Todo Mundo Quase Morto, a música Don’t Stop Me Now foi usada numa cena icônica. Agora é a vez de Brighton Rock, que é usada num momento importantíssimo.

Vale lembrar que, apesar do histórico do diretor na comédia (com os três filmes da trilogia Cornetto), Em Ritmo de Fuga é um filme de ação. É um filme bem humorado, com algumas boas piadas, mas não é uma comédia. As cenas de perseguição de carro são muito bem feitas.

O papel principal é do jovem Ansel Elgort (conhecido por A Culpa é das estrelas), que, se não impressiona, pelo menos não atrapalha. Por outro lado, Kevin Spacey e Jamie Foxx estão fenomenais, e Jon Hamm não está atrás. ainda no elenco, Lily James, Eiza González, Jon Bernthal e CJ Jones.

Imperdível. Para ser visto e revisto, e depois ter o dvd / blu-ray na prateleira.

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Transformers: O Último Cavaleiro

TransformersCrítica – Transformers: O Último Cavaleiro

Optimus Prime foi embora, mas a Terra continua sendo invadida por robôs. Enquanto acontece uma guerra entre humanos e robôs, uma nova ameaça alienígena resolveu destruir toda a humanidade.

Reli agora minhas críticas ao segundo, ao terceiro e ao quarto Transformers (quando passou o primeiro filme, heu ainda não escrevia críticas). E acho que tudo o que heu poderia falar está lá. Transformers: O Último Cavaleiro (Transformers: The Last Knight, no original) segue exatamente a cartilha dos filmes anteriores: bons efeitos especiais, roteiro ruim e duração longa demais. Basicamente isso. Quem gostou dos outros vai curtir este quinto filme; quem não gostou nem vai passar na sala do cinema.

O diretor Michael Bay (o mesmo de todos os filmes da franquia) descobriu uma fórmula que funciona muito bem na bilheteria, e por isso não deve mudar. Tudo é muito intenso, muito dramático, muito exagerado… Os críticos detestam, mas o filme tem o seu público. E a má notícia pros críticos é que termina com um gancho pro sexto filme…

Claro que o roteiro tem vários pontos sem sentido – pra começar, a história começa com o Rei Arthur e o mago Merlin! Mas, pra que roteiro inteligente? Taca mais uma explosão, que o público curte.

Alguns comentários sobre o elenco. Mark Wahlberg faz mais do mesmo. Anthony Hopkins não está mal, mas me pergunto o que um ator como ele está fazendo ali. John Turturro ganhou um cachê fácil, não interage com nenhum outro ator importante, deve ter filmado toda a sua parte no mesmo dia. Stanley Tucci faz um Merlin divertido. Laura Haddock faz a “Megan Fox genérica” da vez, papel que já foi da Rosie Huntington-Whiteley (no 3) e Nicola Peltz (no 4). Por fim, a jovem Isabela Moner é uma tentativa de criar uma heroína adolescente. Mas ela tá longe de ser uma X23…

Ainda queria comentar sobre o “clube do bilhão”, lista que está no site boxofficemojo.com. Hoje, em julho de 2017, trinta filmes já venderam mais de um bilhão de dólares nas bilheterias. Entendo a presença de alguns destes filmes, como aqueles que movimentam grandes fã clubes, como Star Wars (Rogue One, Ep 8, Ep 1), Disney (Zootopia, Bela e a Fera, Frozen, Toy Story 3) ou filmes de super heróis (dois Batman, dois Vingadores, Homem de Ferro, Guerra Civil); assim como entendo os fenômenos Avatar e Titanic. Mas admito que não entendo três presenças na lista: Piratas do Caribe, Velozes e Furiosos e Transformers (dois de cada). Entendo que sejam grandes sucessos de bilheteria, mas, para passar de um bilhão de dólares tem que ser mais do que apenas um sucesso de bilheteria. Enfim, heu não entendo, mas os números não mentem. Michael Bay conhece uma fórmula que vende bem, e tem um bilhão de argumentos para continuar com a mesma fórmula – mesmo com todas as críticas negativas do mundo.

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Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Homem AranhaCrítica – Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Depois de dois breves prólogos onde outros filmes do MCU são citados, acompanhamos o dia a dia monótono de Peter Parker, que, apesar de ter super poderes, sofre problemas comuns a todo adolescente: dificuldade de adaptação, bullying, paixão platônica – e, pra piorar, não pode contar pra ninguém quem ele é.

O Homem Aranha é, talvez, o herói mais popular da Marvel – não à toa, teve uma adaptação para o cinema numa época onde filmes de super heróis ainda não eram comuns. Mas o personagem ainda estava preso à Sony por questões contratuais, por isso ele ainda não tinha entrado no MCU (Universo Cinematográfico da Marvel). Ainda…

Não sei os detalhes do acordo para a realização deste Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Spider-Man: Homecoming, no original), mas os fãs agradecem. Depois de um reboot chocho (2012 e 14), temos um bom filme do Aranha, e, melhor ainda, inserido no MCU.

Como acontece frequentemente nos blockbusters atuais, o diretor é um nome desconhecido: Jon Watts, que antes não fez nada relevante. A falta de experiência não atrapalhou, e ele fez um bom trabalho. Ah, não sei se foi ideia dele, mas temos algumas referências a um quase xará, o John Hughes. Inclusive passa um trecho de Curtindo A Vida Adoidado. E a personagem Michelle lembra a Ally Sheedy de Clube dos Cinco.

Uma coisa que funcionou muito bem neste novo Homem Aranha é a redução da idade do protagonista (o personagem nos quadrinhos ainda é adolescente). Apesar de já ter 21 anos, Tom Holland* tem cara de garoto, e passa bem a intenção de um moleque deslumbrado com o que está acontecendo (Tobey Maguire tinha 27 quando fez o seu primeiro Aranha; Andrew Garfield, 29). Ah, Holland é inglês, mas trabalhou bem o sotaque, em nenhum momento ele parece estrangeiro.

(* Acho que sou o único incomodado com isso, mas preciso falar. Já temos um Tom Holland na história recente do cinema contemporâneo. Tom Holland é o diretor de A Hora do EspantoBrinquedo Assassino!)

Outro ponto positivo é o vilão. Por um lado, temos um personagem com boas motivações – diferente de vilões “que querem conquistar o mundo”, este é um homem de negócios que viu uma boa oportunidade. Por outro lado, temos um bom ator – Michael Keaton está excelente!

Mais uma coisa: o filme é independente dos outros do MCU, mas algumas cenas fazem conexões diretas. Ver a luta do aeroporto de Guerra Civil por outro ângulo foi muito legal.

O roteiro escrito por muitas mãos foi inteligente ao limitar as participações de Robert Downey Jr – é um filme do Homem Aranha, e não do Homem de Ferro! Jon Favreau e Marisa Tomei voltam aos papéis de Happy Hogan e Tia May, e o filme ainda conta com os jovens Zendaya, Jacob Batalon, Laura Harrier e Tony Revolori. Além disso, temos duas participações pontuais de outros personagens, mas não vou dizer quem por causa dos spoilers (apesar de uma delas ser um dos principais nomes do elenco no imdb).

Por fim, são duas cenas pós créditos. Tenha paciência e espere até o fim!

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A Múmia

AMumiaCrítica – A Múmia

Um militar que tem o hábito de roubar artefatos históricos para vender no mercado negro acidentalmente encontra uma tumba egípcia no Iraque, e acaba despertando uma antiga princesa de sua cripta, trazendo terrores que desafiam a compreensão humana.

Finalmente começou o “Dark Universe” (ou “Monsterverse”), o universo cinematográfico dos monstros da Universal!

Já ouço esse papo de monsterverse há alguns anos, mas admito que antes a gente não tinha motivo pra se empolgar – afinal, esse papo rolou na época dos fracos Frankenstein Entre Anjos e Demônios e Dracula A História Nunca Contada (ambos de 2014).

Agora a proposta era outra, mais ambiciosa, mas mesmo assim mantive o pé atrás. Em primeiro lugar, o conceito da múmia nunca me convenceu como um monstro assustador. E ter o Tom Cruise como protagonista, por mais que seja garantia de boa bilheteria, podia estragar a ideia, porque podia virar um “filme do Tom Cruise”, e não um filme da Múmia.

Felizmente meu pé atrás foi infundado. A Múmia é uma boa diversão!

Com relação ao conceito: misturaram com o conceito de zumbi (afinal, é tudo morto vivo…), o que criou umas sequências bem interessantes. E Tom Cruise não faz o “Ethan Hunt” de sempre – seu personagem tem falhas e fraquezas.

Dirigido por Alex Kurtzman (que tem um bom currículo como roteirista e produtor, mas dirigiu pouca coisa), A Múmia não tem um roteiro muito inovador. Mas a trama é bem conduzida, e o espectador vai ser levado a uma aventura divertida e assustadora, com excelentes efeitos especiais.

Não li nada sobre o filme, e tive uma agradável surpresa ao ver que outro dos “monstros clássicos” também está presente na trama principal (não chega a ser exatamente um spoiler, é o segundo nome na lista do elenco no imdb). E, para os fãs dos filmes clássicos, tem uma cena cheia de referências aos outros monstros – essa deve ser daquelas cenas que os fãs mais radicais vão pausar para analisar cada item mostrado.

No elenco, como de habitual nos filmes do Tom Cruise, não temos muitos nomes conhecidos (a exceção é Russel Crowe, num papel menor, mas muito importante). Sofia Boutella, a personagem título, é um nome em ascensão (ela mandou bem em Kingsman e no último Star Trek), mas acho que ainda é um nome pouco conhecido. Também no elenco, Annabelle Wallis, Jake Johnson e Courtney B. Vance

Agora aguardemos os outros filmes do Dark Universe – parece que já estão confirmados, além de Cruise e Crowe,  Javier Bardem como Frankenstein e Johnny Depp como o Homem Invisível.

Por fim, preciso falar da nova sala 4DX. O cinema vira uma atração de parque de diversões! A cadeira balança, rolam borrifos de água, pingos na cabeça, vento, fumaça, cutucadas nas costas e nas pernas…

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Mulher-Maravilha

Mulher MaravilhaCrítica – Mulher-Maravilha

Antes de ser a Mulher Maravilha, ela era Diana, princesa das amazonas, guerreira treinada. Quando um piloto da Primeira Guerra Mundial cai em sua ilha e fala de conflitos no mundo exterior, ela sai de casa para lutar contra uma guerra para acabar com todas as guerras, descobrindo seus poderes e o verdadeiro destino.

Mulher-Maravilha (Wonder Woman, no original) tinha a responsabilidade de levantar o universo cinematográfico da DC, depois das duas decepções do ano passado (Batman V Superman e Esquadrão Suicida). Fãs da DC, afoitos, estão achando que é o melhor filme de super-heróis desde o Superman de 1978. Menos, gente…

Mulher Maravilha não é ruim, longe disso. Se a gente se desligar dessa responsabilidade, o filme é muito bom. Um bom filme de origem de super-herói, com uma personagem carismática e várias boas sequências de ação. E, diferente dos dois filmes do ano passado, é colorido e engraçado – será que alguém resolveu copiar o estilo do concorrente? ;-)

Dirigido por Patty Jenkins (que dirigiu Monster: Desejo Assassino, o filme que deu o Oscar a Charlize Theron), Mulher Maravilha consegue o que todo filme de super herói deveria ser capaz: divertir. O espectador vai se empolgar, vai rir, vai se emocionar. Torçamos para que a Warner / DC tenha encontrado o caminho!

Teve uma coisa que me incomodou muito, mas só posso falar depois dos avisos de spoiler.

SPOILERS!!!

SPOILERS!!!

SPOILERS!!!

O roteiro tem uma forçada de barra aqui, outra acolá, quase todas são bobas, coisas comuns em quase todos os filmes de ação. Mas dois detalhes devem ser mencionados:

- A cena da luta na praia é toda errada. Pra começar, tem um navio encalhado, de onde vieram alguns escaleres com soldados, mas depois simplesmente esquecem da existência do navio. E, pra piorar, as amazonas entram na praia e matam TODOS os “soldados homens armados”, mas deixam um – o mocinho. Claro, senão não existiria o filme…

- O final do filme traz muitas semelhanças com o final do primeiro Capitão América - um soldado chamado Steve se despede da sua “amada”, entra no avião inimigo, cheio de armas, e o avião sofre um acidente.

FIM DOS SPOILERS!

Apesar disso, o resultado final é muito bom. Heu ia falar que é melhor que Esquadrão Suicida, mas isso não é difícil. Deixemos o passado no passado, agora os fãs da DC têm motivo pra comemorar! E os fãs de cinema pop de um modo geral idem!

No elenco, Gal Gadot, a protagonista, está dividindo opiniões. Por um lado ela é limitada como atriz; mas por outro lado ela tem um muito carisma. Heu particularmente gostei, pra mim, o carisma compensa o que falta. Chris Pine está bem como o seu par, e digo o mesmo sobre o heterogêneo time que o acompanha (Ewen Bremner, Saïd Taghmaoui e Eugene Brave Rock) – uma das melhores coisas do filme (ao lado do bem colocado alívio cômico feito por Lucy Davis). As amazonas Robin Wright e Connie Nielsen também estão bem; por outro lado, Danny Huston e David Thewlis estão no limite da caricatura. Ia falar o mesmo sobre a Elena Anaya, mas ela está tão apagada que nem sei se dá pra falar mal…

Enfim, finalmente um bom filme baseado em DC. Vamos mandar boas vibrações para o filme da Liga da Justiça que estreia em breve!

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