Ichi The Killer

Ichi The Killer

Tardiamente, vi o famoso Ichi The Killer, um dos melhores filmes japoneses da década que acabou de terminar.

Baseado no mangá de Hideo Yamamoto, Ichi The Killer começa com o desaparecimento do gangster Anjo, um dos chefes da Yakuza, juntamente com três milhões de yenes. O fiel capanga Kakihara começa a procurar por ele, mas seus homens sempre acabam esbarrando em Ichi, um misterioso e exímio assassino que está matando os membros da Yakuza, um a um.

Ichi The Killer é muito interessante por fugir dos padrões hollywoodianos. Ultra-violento, não é para qualquer estômago. Mas quem souber apreciar, é um filmaço!

Uma das coisas mais legais do filme é a construção dos dois personagens principais. O masoquista Kakihara é um vilão sensacional, o cara não tem limites, o prazer dele é causar dor e sentir ainda mais dor, e sua grande razão de viver é encontrar o assassino que vai derrotá-lo. Arrisco a dizer que o Coringa de Heath Ledger em Batman Cavaleiro das Trevas tem algo de Kakihara (inclusive na boca deformada). E o anti-heroi Ichi, violento, perturbado, reprimido sexualmente, é completamente imprevisível. Não posso falar mais dele, senão estraga. (E ainda tem o Jijii, outro que guarda uma grande surpresa.)

Ichi The Killer é muuuito violento. Muito sangue, muito gore, tortura, estupro, corpos despedaçados, tudo isso é frequente na tela. Mas nada é gratuito, tudo funciona dentro da trama. Digo mais: muitas vezes o gore vem junto com cenas engraçadas! E os efeitos especiais funcionam bem – sabe aquela surpresa que falei sobre o Jijii? É cgi! A parte toda da violência gráfica está perfeita.

O diretor Takashi Miike faz MUITOS filmes. O imdb conta 83 títulos entre 1991 e 2011. Só em 2001, ano de Ichi The Killer, Miike fez sete filmes! Preciso acompanhar mais a sua carreira, confesso que estou defasado, acho que, no cinema, só vi Sukiaki Western Django. Já baixei Audition, e vou procurar Chakushin Ari – que foi refilmado em Hollywood com o nome Uma Chamada Perdida.

Sukiaki Western Django

Sukiaki Western Django

O Festival acabou. Mas na semana seguinte sempre rola uma repescagem, alguns dos filmes que rolaram antes têm novas reprises.

Então resolvi ver Sukiaki Western Django, faroeste japonês com o Quentin Tarantino no elenco. Quando passei os olhos pelos 350 filmes da programação, não reparei nesse…

Claro que a primeira coisa que chama a atenção é a participação do Tarantino no elenco. Mas sabe que isso é o menos importante no filme? Ele faz apenas três cenas, caricatas ao extremo, e por um certo ponto de vista até dispensáveis. Bem, pelo menos estas cenas não atrapalham…

Num Japão com cara de faroeste, uma cidade quase fantasma é dividida por um briga entre duas gangues: os brancos e os vermelhos. Um pistoleiro solitário e extremamente habilidoso aparece e é disputado pelas gangues.

Todos os clichês de filmes de bangue bangue estão presentes. Brigas pelo poder, com muitos tiroteios e muito sangue, mas tudo num clima meio exagerado, meio estilizado. O que torna o filme um belo espetáculo visual.

Só acho que o filme não apresentou nenhuma novidade – no mesmo festival vi um western coreano! Ok, os filmes são diferentes, o japonês é muito menos comercial que o coreano. Mesmo assim, heu esperava algo mais. Além do mais porque o diretor Takashi Miike resolveu usar a “grife Tarantino”…

Mesmo assim, pode ser um belo espetáculo visual!